Nome de Código: Cloverfield (2008)

Cloverfield - Poster 2
Título Original – Cloverfield

 

J.J. Abrams é um dos homens mais criativos e activos do audiovisual actual.

Fez um excelente reboot a “Star Trek” (o Episódio 3 chega este Verão), foi o homem chamado para iniciar a terceira trilogia de “Star Wars”, fez marca na Televisão com “Alias” e “Lost”.

Um dos seus primeiros passos em Cinema foi este muito curioso “Cloverfield”.

Mergulhemos neste mistério, até porque a “sequela” já chegou às salas.

 

Sob a forma de um home made vídeo (é a found footage de um grupo de amigos em festa), acompanhamos a luta pela sobrevivência de 6 amigos, quando a Big Apple é atacada por um monstro.

Cloverfield - screenshot 4

Era um dos projectos cinematográficos mais misteriosos e de maior expectativa de 2008, apoiado por uma excelente (e engenhosa) campanha publicitária na net.

O seu primeiro teaser mostrava umas imagens com ar de vídeo doméstico, onde se ilustrava uma animada festa perturbada por umas explosões da cidade de Nova Iorque. A câmara vem às ruas e de repente… a cabeça da Estátua da Liberdade “voa” e aterra na rua. Que diabo causaria tal? Ataque terrorista, invasão alienígena, um bicho gigantesco…?

Cloverfield - screenshot 7

O filme chegou e confirmaram-se as expectativas e méritos.

 

Estamos perante uma muito inteligente reinvenção e reinterpretação dos monster movies.

O filme inverte as regras, ao mostrar que é mais importante focar a luta pela sobrevivência de um grupo de amigos (um deles em missão de resgate da mulher amada) do que a visualização do monstro (mas também há “tempo de antena” para ele).

Cloverfield - screenshot 2

Cloverfield - screenshot 3

Como Monster Movie que é, claro que há lugar para a tecnologia.

Os efeitos visuais são de tal modo notáveis que até nos esquecemos que estamos a ver um filme e (quase) acreditamos que estamos a assistir a alguma filmagem amadora de um evento verídico.

Parabéns aos técnicos de FX, pois é impressionante o nível de realismo dos efeitos visuais.

 

Há momentos de grande impacto (o irromper da cabeça da Estátua da Liberdade; a queda da ponte e a vítima que faz; a panorâmica sobre a cidade e o rasto de destruição provocado pela criatura), de grande tensão e medo (o percurso pelo túnel do Metro e a “companhia” que surge; o resgate da rapariga presa num edifício tombado sobre outro) e suspense (a cena no helicóptero; quando se julga que tudo acabou, eis que…).

Cloverfield - screenshot 6

Cloverfield - screenshot 12

O facto de contar com actores desconhecidos só reforça a credibilidade que estes dão aos seus personagens, pois é grande a naturalidade que todos entregam.

 

Tudo ter um ar de filme “feito à mão”, o que só reforça os seus méritos e mostra como ainda nem tudo foi dito em matéria de Cinema.

 

Devemos perdoar os primeiros 15 minutos, à volta da festa e com conversa de treta. Mas quando começam os incidentes, o filme não pára e temos uma verdadeira viagem ao coração do medo.

Cloverfield - screenshot 8

Com um orçamento modesto (cerca de 30 milhões de Dólares), “Cloverfield” logo se revelou um vencedor (na sua segunda semana já tinha arrecadado mais de 60) e, como é óbvio, logo se falou em sequela.

E ela “chegou”.

Cloverfield - screenshot 11

Pela modéstia dos meios, pelas expectativas geradas e pela enorme eficácia dos resultados, é justo colocar-se este “Cloverfield” entre os acontecimentos cinematográficos de 2008 e até mesmo deste início de Século XXI cinematográfico.

 

Matt Reeves, J.J. Abrams e Drew Goddard dão uma lição de como fazer um disaster/monster movie – com espectáculos e sustos, sim, mas sem perder dimensão humana e emocional.

Cloverfield - screenshot 9

Muito recomendável.

 

“Cloverfield” tem edição portuguesa e anda a preço “arrasado”.

 

Cloverfield - screenshot 13

 

Realizador: Matt Reeves

Argumentista: Drew Goddard

Elenco: Michael Stahl-David, Odette Yustman, T.J. Miller, Mike Vogel, Jessica Lucas, Lizzy Caplan

 

Site – http://www.cloverfieldmovie.com/

 

Orçamento – 25 milhões de Dólares

Bilheteiras – 80 milhões de Dólares (USA); 170 (mundial)

 

Trailer

 

Cloverfield - screenshot 10

“Melhor Filme de Ficção Científica”, nos Prémios Saturn 2008.

“Melhor Música”, nos Prémios ASCAP 2009.

“Melhor Filme de Terror do Ano”, nos Prémios Golden Schmoes 2008.

“Música do Ano”, nos Prémios IFMCA 2008.

Cloverfield - screenshot 1

A ideia veio a J.J. Abrams, numa visita a Tóquio, durante a promoção de “Mission Impossible III” (Abrams era o realizador). Abrams e o filho viram merchandising de Godzilla em várias lojas, o que levou Abrams a querer fazer um monster movie equivalente ao clássico de 1954, mas feito e passado nos USA.

Por vontade de Abrams, o filme não deveria ser apenas focado no monstro, mas em pessoas.

 

Os actores estavam obrigados, por contrato, a nada revelar sobre o argumento.

Os actores só souberam como era o argumento depois de terem sido escolhidos.

 

Um título pensado foi “Greyshot”.

Filmado com os títulos “Slusho” e “Cheese”.

Filmado em 34 dias, em Los Angeles e em Nova Iorque.

A cena inicial foi a última a ser filmada.

Grande parte da metragem foi filmada por T.J. Miller (o actor que interpreta o personagem que está a filmar os acontecimentos). Para planos mais rigorosos, Miller era substituído por um camera operator, vestido como o personagem de Miller.

Filmado com uma Panasonic HVX200 (interiores) e uma Sony CineAlta F23 (exteriores).

Os efeitos visuais são da Double Negative (que faria, em 2014, os de “Godzilla”) e do (Phil) Tippett Studio (“Robocop”, “Jurassic Park”).

 

O momento em que a cabeça da Estátua da Liberdade irrompe pela rua é uma homenagem a “John Carpenter`s ´Escape from New York`”. Tal momento nunca acontece, mas alguns posters promocionais mostravam a cabeça da estátua caída numa rua da Big Apple.

Quando surge a cabeça da Estátua da Liberdade, alguém grita por várias vezes “Oh My God!“. É a voz de Bryan Burk, um dos produtores.

A voz que se ouve, vinda de uma emissão radiofónica, é de Matt Reeves, o realizador.

Steven Spielberg sugeriu que o final desse pistas sobre o que aconteceu ao monstro. Daí os sons que se ouvem no final.

No final do genérico final, ouve-se uma voz. Ouvido em reverse, ela diz “It’s Still Alive“.

Foi Abrams que escreveu a line final do filme.

O filme não tem música. Só no genérico final é que se ouve o main score.

 

Um dos personagens que morre era suposto sobreviver. Abrams achou que ele deveria ser morto pela criatura. Tal deveria acontecer num plano rápido, mas Abrams decidiu que tal momento era oportuno para se dar uma maior visualização do monstro.

 

Cameo de Laetitia Casta – é a modelo num poster da loja “Sephora”.

O filme tem várias frames de diversos clássicos monster movies – “King Kong” (1933), “The Beast from 20,000 Fathoms” (1953) e “Them” (1954). Cada um dos filmes tem apenas direito a uma frame. Dado a rapidez de projecção (24 ou 25 imagens por segundo), é impossível ao olho humano detectá-las. Fazendo-se recurso à edição de vídeo, as frames podem ser encontradas aos 24.06 (“Them”), 45.27 (“Beast from 20,000 Fathoms”) e 1.06.55 (“King Kong”).

Nota – os tempos são alusivos à metragem USA (que se projecta a 24 imagens/s; as edições europeias são a 25 i/s).

 

O filme foi enviado para as salas com o título “Bertha”.

 

No Japão foi editada uma Manga, em quatro números, que funciona como uma prequela.

A Hasbro produziu brinquedos inspirados nas criaturas do filme.

 

A “Empire” considerou “Cloverfield” como o quinto melhor filme de 2008.

O “Cahiers du Cinéma” considerou “Cloverfield como o terceiro melhor filme de 2008.

O site “Bloody Disgusting” considerou “Cloverfield como vigésimo da sua lista de “Top 20 Horror Films of the Decade“.

 

Muito se falou em sequela.

Reeves ponderou mostrar os eventos daquela noite, por outro ponto de vista, a partir de filmagens de outras pessoas.

(Reeves chama a atenção para um momento em que se vê um navio a ser virado pela criatura, momento esse está a ser filmado por uma outra pessoa, fora dos personagens centrais)

Reeves também ponderou abordar o tema, a partir das suas (possíveis) explicações.

(Reeves diz que na cena final em Coney Island, se vê um satélite a cair no mar)

“Super 8” (escrito e realizado por Abrams, produzido por Spielberg, em 2011) foi alvo de especulação, como sendo prequela ou sequela de “Cloverfield”. Abrams nega.

Em 2012, Drew Goddard (o argumentista) mostrou vontade em escrever uma sequela.

“10 Cloverfield Lane” estreou estes dias. O título mantém o nome “Cloverfield”. Abrams (que produz este novo filme; Reeves e Goddard são os executive producers) diz que ele é um “parente” de “Cloverfield”.

Durante uma promoção a “10 Cloverfield Lane”, Abrams disse que a ideia para um “Cloverfield 2” ficou abandonada devido à chegada de novos Monsters Movies como “Godzilla” (sequela em 2018) e “Pacific Rim” (cuja sequela tem andado pensada, mas sempre adiada).

 

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