A Rapariga Cortada em Dois (2007)

La Fille Coupée en Deux - Poster 4

Original – La Fille Coupée en Deux

 

É um dos últimos filmes de Claude Chabrol.

E mais uma (excelente) manifestação do seu (bom) Cinema.

 

Gabrielle é a (bela) “menina da meteorologia” numa estação de televisão.

Cativante, domina as atenções (nomeadamente a dos homens) e até está na lista para uma promoção.

Dois homens surtem o seu interesse – Charles, um escritor de classe média, bem sucedido; Paul, herdeiro de um império farmacêutico.

Gabrielle parece ter os dois sob o seu domínio, mas ambos têm revezes desfavoráveis a ela – Charles está casado e não se consegue livrar da esposa; Paul é possessivo e ameaçador.

Gabrielle tem de escolher entre um deles, mesmo que não seja a escolha do coração. Mas o rejeitado não fica muito contente com a ideia.

Terá Gabrielle poder suficiente para resolver a contenda?

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Amor e Desejo, Possessão e Ciúme, são compatíveis?

Chabrol acredita que não e mostra como uma mulher pode ficar “cortada” em dois por tais sentimentos.

Entre a comédia (plena de ironia) e o drama (algo “leviano”), Chabrol elabora uma crónica sobre o desejo, o poder, a (i)moralidade e o amor (com algumas variantes algo extremas), sendo também um olhar sobre alguma da moral e conduta da sociedade moderna, nomeadamente a burguesia (zona social sempre alvo de Chabrol).

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(De)Neige é o apelido da protagonista. Branca (como a neve) é a inocência de Gabrielle, bem negro é o affaire que ela cria e vive.

 

Excelente final, aberto a diversas considerações (morais) por parte do espectador.

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Ludivine Sagnier está linda, encantadora e muito sexy, tão virginal na sua pureza sentimental como manipuladora na sua determinação.

Benoît Magimel está excelente como um playboy sem escrúpulos, tão temível pelos seus ciúmes como divertido pelo seu ridículo.

François Berléand cria um personagem de grande classe, mas incapaz de resistir à tentação da decadência moral.

Destaque para Mathilda May, um dos grandes sex-symbols dos 80s (lembram-se dela como vampira alien, de voraz apetite sexual, em “Lifeforce”?), a compor uma personagem bem independente.

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Mais uma (excelente) amostra do Cinema de Chabrol e da pertinência do seu olhar sobre a sociedade moderna.

 

Muito recomendável.

 

“La Fille Coupée en Deux” tem edição portuguesa e anda preço “cortado”.

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Realizador: Claude Chabrol

Argumentistas: Claude Chabrol, Cécile Maistre

Elenco: Ludivine Sagnier, Benoît Magimel, François Berléand, Mathilda May, Thomas Chabrol

 

Trailer

 

La Fille Coupée en Deux - Poster 7

“Melhor Filme”, no Festival de Pula 2008.

“Prémio ´Bastone Bianco`”, em Veneza 2007.

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O filme ilustra alguns ares lusitanos – a fotografia é de Eduardo Serra e o filme teve filmagens em Lisboa.

 

Chabrol volta a trabalhar com membros da sua família – a esposa Aurore (supervisora do argumento), os filhos Thomas (actor) e Matthieu (compositor).

Habitual assistente de Chabrol, Cécile Maistre estreia-se na função de co-argumentista.

Reencontro entre Benoît Magimel e Ludivine Sagnier, depois de “Les Enfants du Siècle” (1999, de Diane Kurys, com Juliette Binoche).

La Fille Coupée en Deux - screenshot 4

O argumento baseia-se no assassinato de Stanford White, 1906. White era um arquitecto amante de jovens e belas meninas. Foi morto por Harry Thaw, um playboy milionário, marido de Evelyn Nesbit, uma manequim amante de White. Num primeiro julgamento, o júri não se conseguiu pronunciar sobre Thaw, no segundo, Thaw foi considerado inocente, devido à sua demência.

Tal história já foi levada ao cinema – “The Girl in the Red Velvet Swing“ (1955), de Richard Fleischer, com Ray Milland, Joan Collins e Farley Granger; “Ragtime” (1981), de Miloš Forman, com Elizabeth McGovern, Norman Mailer, James Cagney.

Chabrol também se inspirou noutros faits divers: Landru, um criminoso famoso dos anos 10; Violette Nozière, uma jovem que envenenou os pais em 1933.

 

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