O Malvado Zaroff (1932)

The Most Dangerous Game - Poster 5
Título Original – The Most Dangerous Game

 

A futura equipa criadora do mítico “King Kong” faz uma incursão pelo survival movie, em tom B.

Produz o estúdio-Rei deste tipo de produções – a RKO.

 

Robert Rainsford, experiente caçador, parece ser o único sobrevivente de um naufrágio.

Acorda numa ilha remota, regida pelo misterioso Conde Zaroff.

Bob é bem recebido pelo Conde, que o apresenta aos seus hóspedes Eve e Martin Trowbridge.

Mas tal calor humano traz algo mais sinistro e tenebroso.

Zaroff é um viciado em caça e usa os seus hóspedes como membros ilustres de um jogo que ele criou – caçar humanos.

Bob é apanhado no jogo, mas tem os seus trunfos.

The Most Dangerous Game - screenshot 3

Um muito curioso actioner, com tons primórdios de survival movie, que assenta numa premissa simples e primária, onde o protagonista (um caçador) se vê no inverso da situação que habitualmente domina (agora ele é a presa).

 

A dupla de realizadores aproveita bem tal simplicidade e vai logo directa ao assunto, dando ao filme um excelente ritmo (o filme dura pouco mais e 60 minutos)

Fiel ao espírito B, há grande economia técnica e narrativa (as peripécias começam logo ao fim de 5 minutos).

The Most Dangerous Game - screenshot 4

Bom trabalho de fotografia, a saber dar bom uso às luzes, sombras e contrastes, bem como a paisagem (ainda que criada em estúdio).

 

A música de Max Steiner acentua o desespero e urgência dos protagonistas.

Os 20 minutos finais são bem trepidantes.

The Most Dangerous Game - screenshot 9

Joel McCrea sai-se bem como action hero.

Fay Wray mostra porque é uma das grandes Scream Queens.

Leslie Banks chega a ser tenebroso, compondo um dos maiores vilões de sempre.

The Most Dangerous Game - screenshot 10

The Most Dangerous Game - screenshot 6

Um ilustre antepassado do bom e moderno actioner.

Uma pequena pérola do género e da Série B.

Muito recomendável.

The Most Dangerous Game - screenshot 5

“The Most Dangerous Game” tem edição portuguesa e anda a preço digno de ser caçado. A edição tem a versão original a P&B e a versão colorizada.

The Most Dangerous Game - screenshot 11

 

Realizadores: Irving Pichel, Ernest B. Schoedsack

Argumentista: James Ashmore Creelman, a partir do livro de Richard Connell

Elenco: Joel McCrea, Fay Wray, Leslie Banks, Robert Armstrong

 

Orçamento – 218.000 Dólares

 

The Most Dangerous Game - Poster 4

 

Trailer

 

Filme

 

The Most Dangerous Game - Poster 2

O conto de Richard Connell foi editado em 1924 com o título “The Hounds of Zaroff”. Conta a história de um caçador de Nova Iorque, que sobrevive a um naufrágio nas Caraíbas. É depois alvo de caça por um aristocrata Cossaco.

Gerou muitas versões, em diversos meios.

The Most Dangerous Game - screenshot 8

Na Rádio:

Em 1943, o conto Connell foi adaptado à Rádio. Foi pela CBS Radio, na série “Suspense”. Os protagonistas eram Orson Welles e Keenan Wynn.

Em 1945 vem uma nova versão, com J. Carrol Naish e Joseph Cotten.

Em 1947 emite-se uma nova versão.

 

Eis a versão com Welles e Wynn:

 

The Most Dangerous Game - screenshot 7

Em Cinema:

Em 1945, o filme teve um remake. Chamava-se “A Game of Death” e também era produzido pela RKO. Foi realizado por Robert Wise, protagonizado por John Loder, Audrey Long e Edgar Barrier. O filme passava-se depois da Segunda Guerra Mundial e o vilão era chamado Erich Kreiger, um antigo oficial nazi.

Em 1956, a United Artists produz um novo remake – “Run for the Sun”, com Richard Widmark, Trevor Howard e Jane Greer.

Mais uma versão em 1961 – “Bloodlust!”, de Ralph Brooke, com Wilton Graff e Robert Reed.

Em 1982, surge uma nova versão, feita na Austrália, assinada por Brian Trenchard-Smith, com o título “Turkey Shoot”.

Em 1993 surge “Hard Target”, com Jean-Claude Van Damme, Lance Henriksen, Arnold Vosloo e Yancy Butler. Marca a estreia em Hollywood do prestigiado action director chinês John Woo.

“Surviving the Game” surge em 1994 e é realizado por Ernest R. Dickerson. Rutger Hauer, Ice-T e Charles S. Dutton protagonizam.

Em 1997, “The Pest”, com John Leguizamo.

“The Eliminator”, em 2004, com Michael Rooker.

“Beyond the Reach” (2014), com Michael Douglas e Jeremy Irvine.

 

A história de Connell foi também boa fonte inspiradora para “Battle Royale”, “Predator” e “The Hunger Games”.

Em 1967, a MGM planeou um remake. George Peppard seria o protagonista.

The Most Dangerous Game - screenshot 1

Televisão

Vários episódios de várias séries inspiram-se no conto de Connell.

“The Benders”, da série “Supernatural”.

“Dangerous Prey”, da série “Xena: Warrior Princess”.

“Open Season”, da série “Criminal Minds”.

“El Contador”, da série “Archer”.

“Island of the Darned”, na série “Get Smart”.

O Pilot da série “Fantasy Island”.

“The Hunter”, da série “Gilligan’s Island”.

“The Hunter”, da série “Bonanza”.

“Run Sydney Run”, da série “Relic Hunter”.

“Treehouse of Horror XVI”, da série “The Simpsons”.

Na série “American Dad”.

“The Snare”, da série “The Incredible Hulk”.

“The Hunt”, da série “The Outer Limits”.

“Hunting Ground”, da série “Law and Order: SVU”.

Na série “The Mighty Ducks”.

Na série “M for Monkey”.

Na série “Psycho-Pass”.

The Most Dangerous Game - screenshot 12

Jogos

“Hitman: Contracts”, “Rayman 3: Hoodlum Havoc”

 

Livros

“Dragon”, de Clive Cussler.

 

Realidade

Robert Hansen, um serial killer dos 80s, raptava mulheres, libertava-as no Alaska e dava-lhes caça.

Hayes Noel, Bob Gurnsey e Charles Gaines criaram o jogo de Paintball, em 1981.

O “Zodiac Killer” (que inspirou o filme “Zodiac”, de David Fincher, com Jake Gyllenhaal, Mark Ruffalo e Robert Downey Jr.) fazia referências a “The Most Dangerous Game”, nas cartas que enviava aos jornais.

The Most Dangerous Game - Poster 1

David O. Selznick é o Executive Producer.

O filme teve inicialmente uma maior metragem (78 minutos). Muita dessa metragem tinha lugar na sala de troféus de Zaroff, onde se viam crânios, corpos e esqueletos humanos, bem como corpos de outras espécies e até empalações de vários corpos. Nos primeiros test screenings, alguma da audiência mostrava desconforto nas cenas e até houve quem saísse da sala. Tais momentos foram retirados do filme.

 

Quando o filme foi feito, o Código Hays ainda não estava em total aplicação. Por isso, Joel McCrea e Fay Wray dão-se ao luxo de aparecer com pouca roupa. Fay voltaria a estar pouco vestida em “King Kong” (aliás, há mesmo um momento em que o gigantesco gorila a “despe” – um dos momentos mais eróticos de sempre, em Cinema).

Alguns dos efeitos de som (gritos) seriam reutilizados em “King Kong”.

“The Most Dangerous Game” e “King Kong” foram filmados em simultâneo. Mas “King Kong” só seria exibido no ano seguinte devido à complexidade dos efeitos visuais.

Os sets que criam a selva são os mesmos que seriam usados em “King Kong” (1933).

É o segundo de três encontros entre Cooper, Ernest B. Schoedsack e Fay.

 

É o primeiro filme de Leslie Banks.

Banks foi combatente da Primeira Guerra Mundial. Ficou com um ferimento no rosto, que lhe causou uma pequena paralisia nessa zona. Não desistiu da sua carreira como actor e tornou-se uma das grandes estrelas dos palcos.

Os cães de Zaroff são da raça Grand Danois e foram emprestados por Harold Lloyd. São cães dóceis. Para terem o aspecto feroz que o filme exigia, eles eram caracterizados de escuro e filmados de forma a parecerem ameaçadores.

O actor que interpreta Ivan, o Cossaco, é Noble Johnson, um amigo de Lon Chaney. Noble é afro-americano, mas aqui está caracterizado de branco.

 

A cena em que Robert Armstrong está bêbado é uma moralização do produtor Merian C. Cooper. Na época, a Lei Seca estava em vigor e Cooper era um forte defensor dela e contra a glamorização do consumo de álcool no Cinema. Em duas futuras produções de Cooper, “Mighty Joe Young” (1949) e “Son of Kong” (1933), surgiriam duas cenas semelhantes, com o mesmo objectivo.

Segundo o argumento, o palácio do Conde Zaroff é de origem portuguesa.

 

O filme caiu muito depressa no public domain.

 

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One comment on “O Malvado Zaroff (1932)

  1. […] 1932, a RKO criou uma versão cinematográfica (já aqui vista), que também foi bastante […]

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