Caçadores de Emoções (2015)

Point Break - 2015 - Poster 4
Título Original – Point Break

 

O original “Point Break” celebra 25 anos.

Ao longo deste tempo, o filme de Kathryn Bigelow tem-se afirmado como um clássico e um cult-movie.

Seria uma questão de tempo até surgir o remake.

Ei-lo.

 

Um jovem agente do FBI infiltra-se dentro de um grupo que pratica desportos radicais.

Suspeita-se que o grupo anda a usar os seus talentos para levar a cabo audaciosos roubos.

O agente procura ser firme na sua missão, mas o fascínio por aquele modo de vida começa a ser mais fascinante.

Point Break - 2015 - screenshot 1

Point Break - 2015 - screenshot 2

Lembram-se do “Portugal Radical”?

Aquele popular programa que pôs toda uma geração a fascinar-se, descobrir e praticar uma nova modalidade de desporto – radical.

 

Pois bem, este novo “Point Break” parece uma edição desse programa.

Point Break - 2015 - screenshot 6

O filme é uma sucessão imparável de cenas de acção em desportos radicais.

Tais cenas são impressionantes de espectáculo e poder adrenalítico, filmadas de forma absolutamente incrível.

(atenção às cenas de surf, wingsuit e escalada)

 

Portanto, em matéria de acção e espectáculo estamos (muito) bem servidos, com o remake a alargar a escala atingida pelo original.

Point Break - 2015 - screenshot 7

Point Break - 2015 - screenshot 8

Point Break - 2015 - screenshot 9

Só é pena que não tenha havido o mesmo energético empenho no argumento (os diálogos entre as cenas de acção parecem estar lá apenas para preencher metragem e criar a ideia que há um argumento). Os personagens são meros esboços e apenas peões para aquele jogo trepidante de peripécias.

O argumento acaba por seguir muitas das situações vistas no filme original, com pequenas diferenças e variações.

Elogia-se a tentativa de mensagem ecológico-sócio-espiritual que fazem as motivações do grupo, mas tal é tratado de forma muito simplória.

 

O mesmo se aplica aos actores, verdadeiros desfiles de inexpressividade e incapacidade de transmitir as emoções que os personagens verdadeiramente merecem e precisam.

 

Ericson Core (um veterano Director of Photography, já com bom curriculum – “Payback”) dirige com eficácia e qualidade na imagem (também assina a fotografia), mas não consegue extrair emoção dos eventos.

Point Break - 2015 - screenshot 4

Este novo “Point Break” convence na acção, mas falha no resto.

 

Contudo, para quem aprecia acção pura e dura (numa lógica clássica de what you see is what you get, longe de excessos digitais), o filme é um must.

 

Recomendável.

 

“Point Break” já está nas salas portuguesas.

Point Break - 2015 - screenshot 15

 

Mas…

 

 

Pois.

Este “Point Break” é um remake.

Tem méritos (e defeitos) por si.

Vamos ver como se mede face ao original de 1991.

PB-FP-450.JPG

Em 25 anos muita coisa mudou no Cinema.

Desde as tecnologias (sejam os FX como a qualidade e dimensão das câmaras de filmar) até à coreografia (e segurança) das stunts.

Nesses dois aspectos, o novo “Point Break” marca pontos.

As cenas de acção são incríveis e espectaculares, com câmaras de grande qualidade e pequeno tamanho a serem colocadas em diversos locais e assim captarem a acção de diversos ângulos, aumentando a intimidade do espectador face ao que está a ver.

Point Break - 2015 - screenshot 12

 

Contudo…

 

Point Break - 2015 - screenshot 13

Ericson Core mostra jeito para filmar acção, mas incapacidade para criar emoção e dirigir actores.

Kathryn Bigelow (realizadora do “Point Break” original) mostrou ser uma cineasta total, com mão no filme e visão de Cinema, soube extrair emoção e densidade psicológica aos seus personagens, mostrando ser uma exímia directora de homens.

Por outro lado, as action scenes do original aguentam-se muito bem passados estes anos (a perseguição a pé continua magistral e insuperável), mostrando-se mais reais e plausíveis, com uma espectacularidade mais discreta.

O argumento do original é mais profundo e emotivo.

Os protagonistas do original dão uma maior entrega física a emocional aos seus personagens.

 

Por fim, e em pró do remake, Teresa Palmer até é mais girinha que Lori Petty (o interesse sentimental do filme original) – embora Lori também seja engraçadinha, tendo até melhor personagem.

Point Break - 2015 - screenshot 14

Feitas as contas:

 

Pela espectacularidade da acção e por Teresa:

“Point Break” (o remake) – 2

 

Pela qualidade da realização, densidade do argumento, profundidade das interpretações e pela acção mais real:

“Point Break” (o original) – 4

 

Assim sendo, no embate entre os dois “Point Break”, sai vencedor o original.

Aliás, vendo-se os dois filmes e comparando-os, é também bem visível o vinco dado por James Cameron e Bigelow no filme original. Um vinco tão forte e personalizado, que dificilmente (melhor, impossivelmente) seria igualado.

Point Break - 2015 - screenshot 18

 

Realizador: Ericson Core

Argumentistas: Kurt Wimmer, Rick King, W. Peter Iliff, a partir do argumento original de W. Peter Iliff e Rick King

Elenco: Luke Bracey, Édgar Ramírez, Teresa Palmer, Ray Winstone, Delroy Lindo, Max Thieriot

 

Site – http://pointbreakmovie.com/

 

Orçamento – 105 milhões de Dólares

Bilheteira (até agora) – 24 milhões de Dólares (USA); 82 (mundial)

 

Point Break - 2015 - Poster 5

Antes de se avançar com a ideia do remake, havia o projecto de uma sequela ao filme original. Mas como não contava com actores e personagens do filme original nem fazia uma continuidade na narrativa, tal ideia ficou cancelada.

(ainda bem)

 

Gerard Butler estava escolhido para ser Bodhi, mas teve de recusar por conflitos de agenda.

Tom Hardy, Colin Farrell, Hugh Jackman, Jeremy Renner, Chris Hemsworth e Garrett Hedlund foram considerados como Bodhi.

Taylor Kitsch, Nicholas Hoult, Aaron Taylor-Johnson, Chris Pine, Chris Pratt e Sam Claflin foram considerados como Johnny Utah.

 

Cameos:

James Le Gros e Bojesse Christopher vêm do filme original. Nesse, interpretavam dois dos assaltantes, agora interpretam agentes do FBI – a cena da reunião.

Glynis Barber (lembram-se da Makepeace da popular e excelente série “Dempsey & Makepeace”?) – uma líder do FBI, numa reunião.

 

Em homenagem ao filme original, os assaltantes usam os rostos dos mesmos ex-Presidentes USA vistos no filme de 1991.

Point Break - 2015 - screenshot 16

Filmado em 10 países (entre eles estão Alemanha, Áustria, Itália, México, Venezuela, Polinésia e Índia), em quatro continentes.

O filme usa vários tipos de câmaras, adequadas para filmar desportos radicais – Go-Pro camera, RED camera e Opticom camera.

O filme contou com a ajuda de alguns dos maiores desportistas das modalidades radicais mostradas no filme.

Quando em filmagens no Maui, a equipa conseguiu captar imagens de algumas das maiores ondas já vistas.

Um dos locais vistos no filme são umas enormes cataratas na Venezuela – as Angel Falls. Tal local é protegido e a equipa de filmagens necessitou de autorização especial. Édgar Ramírez é natural desse país.

Ramírez participou em “Zero Dark Thirty”, realizado por Kathryn Bigelow, a realizadora de… “Point Break”, o original.

Teresa Palmer tem aqui o seu regresso ao cinema, depois de ter sido mãe. Palmer faz todas as suas stunts. O nome do seu filho é Bodhi Rain.

Point Break - 2015 - screenshot 19

Ericson Core foi o Director of Photography de “The Fast and The Furious”, um filme com grandes semelhanças narrativas com o original “Point Break”. É portanto um homem que sabe filmar desporto radical.

 

O argumentista Kurt Wimmer começa a ser um especialista na escrita de remakes – já assinou os de “The Thomas Crown Affair” e “Total Recall”.

Point Break - 2015 - Poster 7

 

Featurettes

 

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