Os Carrascos Também Morrem (1943)

Hangmen Also Die - Poster 1
Título Original – Hangmen Also Die!

 

Com a Segunda Guerra Mundial no seu auge e muita da Europa ocupada pelos nazis, o austríaco Fritz Lang assina, em Hollywood, um manifesto sobre o que se passava no velho continente.

 

Checoslováquia, numa pequena povoação.

Um importante membro dos nazis é morto por um elemento da Resistência checa.

Os nazis procuram o assassino. A Resistência protege-o.

Mas os nazis capturam várias pessoas da povoação e ameaçam executá-las, até que o assassino se entregue.

Para a Resistência dá-se o dilema – sacrificar um homem ou muitos?

Hangmen Also Die - screenshot 1

Hangmen Also Die - screenshot 2

Hangmen Also Die - screenshot 5

Fritz Lang consegue três feitos, num só filme:

  • Uma ilustração da crueldade nazi sobre o povo checo.
  • Um hino à capacidade de resistência do povo checo (ou, se virmos o filme como uma alegoria, de qualquer outro povo já invadido e oprimido – por nazis ou por outros) e à sua afirmação como nação.
  • Um thriller de suspense e conspirações, em ambiente de guerra, sobre invasões e resistências.

 

Tudo isto é feito de forma admirável, com sentido de Grande Cinema, mas também de forte sentido crítico e humano.

Hangmen Also Die - screenshot 6

Hangmen Also Die - screenshot 3

Poderoso argumento, pertinente na sua alegoria, mas também muito bem delineado e estruturado, com os eventos a darem-se em excelente alinhamento.

Há o cumprimento das regras do género (boas doses de suspense e acção), mas também há relevo para a presença humana, para emoções e posturas dignas.

Hangmen Also Die - screenshot 4

Lang cria situações que obrigam a um juízo moral (de personagens e do espectador):

  • O dilema de um personagem em sacrificar centenas de conterrâneos face aos seus actos (patrióticos).
  • A denúncia/traição de um personagem face aos seus compatriotas (a reacção destes).
  • A lição de coragem de um idoso face a um jovem.

 

Lang chega ao ponto de criar um certo charme nos vilões (o oficial da Gestapo e os seus maneirismos; o inspector é tão mesquinho que chega a ser divertido).

 

Momentos de virtuosa montagem (os diversos interrogatórios em simultâneo, a diversas pessoas, onde as perguntas iguais recebem respostas diferentes), aliados a momentos de pungente drama (a partida/despedida dos condenados), de enorme suspense (a chegada ao quarto e a inquietação perante o “hóspede”), com capacidade de surpresa (a conspiração final e os detalhes e dimensão dos envolvidos e da logística), de comoção (o comportamento dos checos na sala de cinema) e de raiva (a forma como se interroga e pressiona uma vendedora de rua).

Hangmen Also Die - screenshot 7

Excelente prestação de todo o elenco.

 

Fabulosa fotografia (do grande James Wong Howe) – atenção às sombras e às silhuetas.

Hangmen Also Die - Cover 1

 

Obra-prima absoluta.

Clássico indiscutível.

 

E um legado para futuras gerações, no sentido de se elevarem e vincarem a sua identidade e dignidade face a qualquer invasor ou carrasco.

 

Obrigatório.

 

“Hangmen Also Die” não tem edição portuguesa. Mas vende-se entre nós uma edição espanhola, em Blu-Ray, com legendas em Português, impecavelmente remasterizada. O preço anda jeitoso.

 

Hangmen Also Die - Cover 2

 

Realizador: Fritz Lang

Argumentistas: Bertolt Brecht, Fritz Lang, John Wexley

Elenco: Brian Donlevy, Walter Brennan, Anna Lee, Gene Lockhart, Dennis O’Keefe

 

Trailer

 

Hangmen Also Die - Poster 4

 

“Prémio da Crítica – Menção Especial”, em Veneza 1946.

 

Hangmen Also Die - Poster 3

O filme inspira-se num evento verídico – o assassinato de Reinhard Heydrich (oficial da Gestapo, conhecido como “O Carrasco de Praga”) pela Resistência checa, seguido das represálias dos nazis sobre a população.

 

Títulos iniciais – “No Surrender”, “Never Surrender”, “Unconquered”, “We Killed Hitler’s Hangman”, “Trust the People” e “Lest We Forget”.

Durante a produção foi editado um livro com um título semelhante aos dois primeiros (mas não ligado ao filme), pelo que se procurou um novo título. Os produtores fizeram um concurso entre cast & crew. Foi uma secretária que elegeu o título. Por tal, ganhou 100 Dólares.

 

A música é de Hanns Eisler, colaborador de Brecht em muitas peças teatrais.

O tema principal:

https://www.youtube.com/watch?v=qYVH34A2ohI

 

Foi o único argumento que Bertolt Brecht escreveu para Hollywood.

Brecht quase que via o seu nome retirado do genérico, por vontade do Screen Writer’s Guild.

 

Nos anos 50, este filme foi considerado como subversivo por parte de Joseph McCarthy, que alegava que o filme tinha conteúdo pro-comunista. O filme só seria novamente visto nos USA nos 70s.

John Wexley, um dos argumentistas, chegou a estar blacklisted.

 

Teresa Wright, John Beal e Ray Middlelton foram considerados.

Lang ponderou começar o filme com o poema de Edna St. Vincent Millay, “The Murder of Lidice”, mas depois mudou de ideias.

 

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