Os Gansos Selvagens (1978)

The Wild Geese - Poster 1
Título Original – The Wild Geese

 

Respeitável quarteto de veteranos, num actioner clássico sobre mercenários e problemas (sociais, humanitários, políticos, empresariais e militares) no Sul de África.

 

Um grupo de mercenários é contratado por um banqueiro, que tem certos interesses num país conturbado de África.

A missão corre bem (libertar um acarinhado líder político), mas tudo se complica quando o grupo descobre que foi traído.

Há que sobreviver. Mas o terreno e o inimigo são bem hostis.

The Wild Geese - screenshot 1

The Wild Geese - screenshot 2

The Wild Geese - screenshot 14

“The Wild Geese” já cativa por ser um (muito) bom actioner com quatro veteranos de respeito.

Mas é também (até porque o filme chega numa época algo conturbada em África, em questões político-militares) um actioner com consciência social, racial, humana e humanitária.

O filme consegue outra mais-valia como um relato algo realista sobre a vida dos mercenários, o seu modus vivendi, os seus valores e ética, ilustrando um conflito entre ética e finança.

The Wild Geese - screenshot 4

The Wild Geese - screenshot 9

The Wild Geese - screenshot 8

Há boa acção, mas também há alguma profundidade na psicologia de alguns personagens (o de Harris com o filho; o de Burton com o seu passado e a atitude que a situação lhe exige; o “debate” entre Kruger e o líder africano sobre racismo, política, direitos e mudança) e nas relações entre eles (o que se percebe do passado que envolve o personagem de Burton com os de Moore e Harris).

The Wild Geese - Lobbycard 6

The Wild Geese - screenshot 11

The Wild Geese - screenshot 12

The Wild Geese - screenshot 7

Bom trabalho dos quatro veteranos, a mostrar o quanto são ossos duros de roer.

 

Um pequeno clássico.

 

Recomendável.

 

“The Wild Geese” tem edição portuguesa e anda a bom preço. A edição lusa é nula em extras. Algumas edições americanas e inglesas são plena de bons extras. Os preços andam acessíveis.

The Wild Geese - screenshot 10

The Wild Geese - screenshot 13

The Wild Geese - screenshot 15

 

Realizador: Andrew V. McLaglen

Argumentista: Reginald Rose, a partir do livro de Daniel Carney (“The Thin White Line”)

Elenco: Richard Burton, Roger Moore, Richard Harris, Hardy Kruger, Stewart Granger, Jack Watson, Frank Finlay, Kenneth Griffith, Barry Foster, Ronald Fraser

 

Trailer

 

Filme

 

A música de Roy Budd tinha uma overture e um end title. Mas ambos foram substituídos pela canção de Joan Armatrading.

Ei-la – “Flight of the Wild Geese”


The Wild Geese - Poster 7

Orçamento – 11 milhões de Dólares

Bilheteira – 1 milhão de Dólares (USA); 4 milhões de Dólares (Alemanha)

Mercado doméstico – 3.6 milhões de Dólares (USA)

 

The Wild Geese - Book Cover

Daniel Carney (o autor do livro em que se baseia o filme) é natural da Rodésia. O livro chamava-se “The Thin White Line”. O livro só foi publicado depois de Euan Lloyd (o produtor do filme) ter comprado os direitos sobre ele. Seria depois editado com o título “The Wild Geese”.

O livro de Carney baseia-se num rumor que falava numa missão efectuada por um grupo de mercenários, na Rodésia em 1968, de resgate a um Presidente.

Lloyd queria fazer um filme na onda de “The Guns of Navarone” e “Where Eagles Dare”.

Lloyd teve de vender uma série de bens próprios (o seu carro, um casaco de peles da esposa, jóias e até hipotecar a casa) para conseguir dinheiro para o filme.

Muito do financiamento veio depois de se saber quais os protagonistas. O filme era vendido a distribuidores, baseado nos quatro actores. Tal era raro na época (hoje em dia é rotina).

O Coronel “Mad” Mike Hoare foi o conselheiro militar do filme, Hoare era um ex-mercenário, que comandou missões no Congo, nos 60s e 70s.

The Wild Geese - Lobbycard 5

Richard Burton rejeitou o filme inicialmente, pois achava que este glorificava os mercenários. Confessaria mais tarde que tinha detestado o argumento e as filmagens (o actor estava já mal de saúde e as filmagens exigiram muito dele, do ponto de vista físico, originando-lhe imensas dores nas costas).

The Wild Geese - Lobbycard 4

Roger Moore (já uma estrela devido à série televisiva “The Saint” e ao facto de ser James Bond – já tinha 3 filmes feitos e ia a caminho do quarto) pediu para que o seu personagem tivesse menos lines que Burton e Richard Harris.

The Wild Geese - screenshot 5

Harris tinha a reputação de criar sarilhos no set devido ao seu vício com o álcool. Lloyd obrigou-o a criar um fundo, do bolso de Harris – por cada vez que o actor criasse sarilhos, era descontado um valor. Tudo correu bem.

Burt Lancaster estava pretendido para o personagem que iria parar a Harris. Lancaster pediu alterações ao seu personagem, tal foi recusado pelos produtores e Harris foi escolhido. Lancaster diria mais tarde que considerava o filme como algo menor.

Stephen Boyd foi considerado mas faleceu dias antes das filmagens.

Robert Mitchum também foi ponderado para o personagem que caberia a Harris.

Michael Caine ia participar, mas recusou trabalhar num país com governo apartheid.

Lloyd hesitou em oferecer o personagem de Witty (o médico gay) ao seu amigo Kenneth Griffith. O actor aceitou, pois muitos dos seus amigos eram gays.

Jack Watson ia recusar a sua participação, porque se achava velho para o personagem (o Sargento-Mor que treina o grupo). Watson foi instructor físico na Royal Navy, durante a Segunda Guerra Mundial.

Os distribuidores americanos queriam O.J. Simpson para o personagem que coube a Moore.

Ian Yule interpreta um dos mercenários. Yule é um ex-mercenário e foi ele que apresentou Lloyd a Hoare, pois já tinha servido sob o seu comando.

The Wild Geese - Lobbycard 3

O personagem de Hardy Kruger ia ser da Rodésia. Quando o actor ficou escolhido, mudou-se a sua nacionalidade (sul-africano) para explicar o sotaque do actor (era alemão).

Joseph Cotten estava convocado, mas teve de ser substituído à última da hora (problemas de agenda por parte de Cotten) por Stewart Granger.

Curd Jürgens foi considerado até se escolher Kruger.

Muitos dos mercenários são interpretados por verdadeiros mercenários.

Lloyd sempre quis Burton e Moore.

The Wild Geese - backstage - Andrew V. McLaglen & Euan Lloyd

A United Artists (primeiro estúdio ao qual Lloyd recorreu) queria Michael Winner como realizador. Lloyd recusou, pois preferia Andrew V. McLaglen. Lloyd era amigo de John Ford e este tinha recomendado McLaglen (filho de Victor, um dos actores-fetiche de Ford).

Watson já tinha trabalhado noutro filme de McLaglen, “The Devil’s Brigade” (1968).

 

 

Numa primeira versão do argumento, havia uma sub-intriga entre o personagem de Moore e uma mulher local. Mas tal foi eliminado por questões de ritmo e porque nada acrescentava à narrativa.

The Wild Geese - Lobbycard 2

Filmado na África do Sul, no Verão e Outono de 1977. Cenas adicionais foram feita nos Twickenham Film Studios, em Middlesex.

Cast & Crew viviam num resort em Tschipise, sem qualquer interferência do governo e de autoridades.

Apesar de ser um governo racista, este concordou em ter actores negos sul-africanos no filme. John Kani (Sargento Jesse) e Winston Ntshona (Presidente Limbani) estavam relutantes em participar, mas gostaram da parte do argumento entre o personagem de Kruger e o de Ntshona (que envolve racismo, compreensão e perdão).

Moore celebrou os seus 50 anos em plenas filmagens.

Com boa formação militar, Moore ajudou alguns dos actores na recriação das manobras militares.

The Wild Geese - screenshot 3

Apenas três mulheres surgem no filme.

Duas das personagens femininas são interpretadas por Rosalind Lloyd e Jane Hylton, filha e esposa de Lloyd.

É o primeiro filme de Suzanne Danielle.

Numa cena, o personagem de Burton está encantado com uma menina. Ela é Susan Hunt, a esposa de Burton, na época.

Patrick Allen interpreta um dos mercenários. A sua voz é usada nos trailers de “The Wild Geese” e “”Wild Geese 2”.

O filme conta com os filhos de duas movie stars de outrora – Alan Ladd e Stanley Baker. David Ladd e Glyn Baker têm pequenas participações.

 

Os main titles são criados por Maurice Binder, o homem responsável pelos genéricos da saga “James Bond”, desde o início (1962) até á morte de Binder.

O editor e second unit director é John Glen. Glen já era um veterano destas áreas, com bom curriculum na saga “James Bond” (principalmente nos 70s, na fase Roger Moore). Glen seria depois o realizador na saga, de 1981 a 1989 (assinaria os três últimos filmes de Moore como 007 e toda a fase, de dois filmes, onde o personagem era interpretado por Timothy Dalton).

The Wild Geese - Lobbycard 7

O custo da missão na época é equivalente a 15 milhões de Dólares hoje.

“The Wild Geese” era o nome de uma unidade de mercenários, de origem irlandesa, do Século XVII.

 

Um de quatro filmes que Moore filmou em África – os outros são “Gold” (1974), “Shout at the Devil” (1976) e “The Spy Who Loved Me” (1977).

The Wild Geese - Poster 9

Quando o filme teve a sua premiere em Londres, deram-se manifestações anti-apartheid. Tudo porque o filme tinha sido filmado na África do Sul, com boa cooperação do governo. Os protestos também visavam a forma como o filme ilustrava os negros. Curiosamente, nenhum dos protestantes tinha visto o filme. Os produtores ofereceram cópias do “Soweto Times”, onde figuravam boas críticas ao filme, mas os protestantes deitaram-nas fora.

Peter Hain, um futuro ministro de Inglaterra, ajudou na organização dos protestos na premiere.

 

Foi o último filme lançado pela Allied Artists. A companhia já estava em processo de falência.

O filme teve estreia limitada nos USA, pelo que resultou num flop. As reacções no resto do mundo foram (muito) mais favoráveis, tendo feito do filme um grande êxito de bilheteira (foi o 14º filme mais bem sucedido, nesse ano). Alguém explicou que o filme foi prejudicado nas bilheteiras americanas por falta de uma movie star americana.

O filme foi um enorme sucesso na Inglaterra e na Europa. Só falhou mesmo nos USA, sendo vítima de uma má distribuição.

The Wild Geese - Fan Poster

O filme teria uma sequela. Surgia em 1985 e com o título “Wild Geese II”. Também produzido por Lloyd e baseado num outro romance de Carney (com o título “Square Circle” – embora depois reeditado com o título “Wild Geese II”), o filme contava com Edward Fox (que interpreta o irmão do personagem de Burton – este ia participar, mas faleceu dias antes do começo das filmagens), Scott Glenn, Barbara Carrera e Laurence Olivier. Ao contrário do filme original, a sequela não contou com boas reacções, nem da crítica, nem do público.

The Wild Geese - Lobbycard 1 - Hardy Kruger, Roger Moore, Richard Burton, Richard Harris

Roger Moore em entrevista sobre “The Wild Geese”

http://www.ew.com/article/2012/12/10/wild-geese-sir-roger-moore-blu-ray

 

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