007: SPECTRE (2015)

SPECTRE - Poster 5

James Bond está de volta.

E esta é uma das suas missões mais pessoais e tenebrosas.

 

Está de volta a famosa organização terrorista, a SPECTRE, com a qual 007 já tem longo curriculum.

Sam Mendes está de volta à realização.

Há vilão de luxo – Christoph Waltz.

Há uma bellissima Bond-Girl – Monica Bellucci.

E este pode ser o adeus a Daniel Craig.

(apesar do actor ainda ter mais um filme no contrato)

 

James Bond descobre uma misteriosa organização terrorista. Mas o pior está para vir – tudo aponta que Bond tem uma estranha relação com a dita. Uma relação que aponta para o seu passado e o da sua família.

SPECTRE
SPECTRE - screenshot 16

“Quantum of Solace” era uma continuação directa a “Casino Royale”.

“SPECTRE” termina os eventos iniciados em “Skyfall”. Aproveita e fecha, definitivamente, pontas soltas dos dois filmes anteriores.

 

 

Licença para ser nostálgico

 

“SPECTRE” é que deveria ser o filme comemorativo dos 50 anos de James Bond.

Todo o filme é uma celebração nostálgica e cinéfila dos filmes da saga (os mais passados e os mais recentes).

SPECTRE - screenshot 8

Daniel Craig (mais uma vez excelente na composição de 007 – tão intenso no drama, pungente nos sentimentos e heróico na acção) aproveita e “desfila” algumas das nuances dos seus antecessores:

  • Sean Connery (a ironia viril, o cinismo desarmante, a sexualidade sempre activa)
  • George Lazenby (a devoção à menina)
  • Roger Moore (a postura descontraída e o humor inesperado em plena acção heróica)
  • Timothy Dalton (o mostrar do seu dark side e dos dramas internos do personagem)
  • Pierce Brosnan (o “passear” estilo – na atitude e na roupa)

SPECTRE - screenshot 10

SPECTRE - screenshot 11

Por outro lado, filme e argumento exibem referências diversas a títulos do passado, seja em momentos, cenas, personagens, situações, planos ou diálogos.

  • O regresso do Aston Martin artilhado de truques – fases Sean Connery (“Goldfinger”, 1964) e Timothy Dalton (“The Living Daylights”, 1987)
  • O regresso da SPECTRE – fase Sean Connery (“Dr. No”, 1962; “From Russia With Love”, 1963; “You Only Live Twice”, 1967)
  • Gadgets surpreendentes – fase Roger Moore (temos um relógio que lembra o usado em “To Live and Let Die”, 1973)
  • Bond dedicado e cuidadoso com a menina – fases George Lazenby (“On Her Majesty`s Secret Service”, 1969), Timothy Dalton (“The Living Daylights”, 1987) e até Daniel Craig (“Casino Royale”, 2006)
  • O henchman do vilão – fases Sean Connery (Oddjob em “Goldfinger”, 1964), Roger Moore (Jaws em “The Spy Who Loved Me” e “Moonraker”, 1977 e 1979; Gobinda em “Octopussy”, 1983; May Day em “A View to a Kill”, 1985), Timothy Dalton (“The Living Daylights”, 1987; “License to Kill”, 1989) e Pierce Brosnan (“Die Another Day”, 2002)
  • O covil do vilão com look futurista (“You Only Live Twice” e “The Spy Who Loved Me”)
  • Bond a sua Girl a serem recebidos no covil do vilão (“Dr. No”)
  • A luta no helicóptero – fase Roger Moore (“For Your Eyes Only”, 1981)
  • Bond a pilotar aeronaves – fases Sean Connery (“You Only Live Twice”, 1969), Roger Moore (“Moonraker”, 1979; “For Your Eyes Only”, 1981; “Octopussy”, 1983”), Timothy Dalton (“The Living Daylights”, 1987), Daniel Craig (“Quantum of Solace”, 2008)
  • A luta no interior de um comboio – fases Sean Connery (“From Russia With Love”, 1963), Roger Moore (“To Live and Let Die”, 1973; “The Spy Who Loved Me”, 1977)
  • Uma explosão de um complexo – fase Sean Connery (“Diamonds are Forever”, 1971)
  • Peripécias no gelo – fases George Lazenby (“On Her Majesty`s Secret Service”, 1969), Roger Moore (“The Spy Who Loved Me”, 1977; “For Your Eyes Only”, 1981; “A View to a Kill”, 1985), Timothy Dalton (“The Living Daylights”, 1987) e Pierce Brosnan (“The World is not Enough”, 1999; “Die Another Day”, 2002)

SPECTRE - screenshot 1
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Mas “SPECTRE” não se limita ou esgota nesse festim nostálgico.

 

Estamos perante um muito exemplar Bond Film, com um argumento muito bem delineado, progressivo nos eventos, onde se retoma a ideia de Bond se tornar um rogue agent (mas sempre interessado na segurança do Reino de Sua Majestade e do mundo), desenvolve o tema clássico na saga ao ver-se Bond a enfrentar uma vasta e sinistra organização (mas aqui dá-se uma maior complexidade entre Bond e os seus inimigos), mostrando algo mais do passado de 007 (uma área onde “Skyfall” falhou) bem como a conturbada relação com M (mais uma vez, melhor que “Skyfall”).

 

Elogios também à forma como se cria acção em espírito de equipa (M, Q e Miss Moneypenny estão bem activos).

SPECTRE - screenshot 7

Sam Mendes regressa à saga e volta a mostrar que não só é grande fã de James Bond, como um realizador de excelência (para a saga e para Cinema).

Mendes dirige com elegância e sentido de espectáculo, mas (tal como aconteceu em “Skyfall”) não se inibe de maravilhosas ideias de mise en scène – atenção ao plano-sequência da cena inicial (a evocar Orson Welles e o início de “Touch of Evil”).

 

O filme traz duas novidades na equipa técnica – Hoyte Van Hoytema na fotografia (“Let The Right One In“, “Interstellar”) e Lee Smith na montagem (responsável por tal em muitos dos filmes de Christopher Nolan).

O resultado é excelente numa área e noutra – veja-se a imagem na reunião da SPECTRE; a montagem é clássica e elegante.

 

Thomas Newman volta a compor um bom score.

A canção é que é algo monótona.

 

Final simpático e aberto a várias perspectivas – final da fase Daniel Craig, final deste arco narrativo da fase ou de “estrada aberta” para uma mudança da tom (mais light and fun) no próximo filme (perante os excelentes “Kingsman: The Secret Service” e “The Man from U.N.C.L.E.”, vistos este ano, já há saudades de um spy movie à moda antiga – pleno de style, elegância, acção, coolness e muito… humor).

 

Só se lamenta (algo que a saga foi sempre “prodigiosa”, e a fase Daniel Craig idem) o mau-aproveitamento de uma das meninas (Monica Bellucci está completamente desperdiçada), que apenas está para decoração.

Por outro lado, há um certo marcar passo no jogo gato-e-rato entre Bond e o vilão (Bond persegue-o, para depois fugir, para depois o perseguir novamente, para voltar a fugir,…).

SPECTRE - screenshot 5

SPECTRE - screenshot 13

Muito bom.

Um grande Bond Film.

Fica entre os melhores.

Só que…

 

Yup, não chega o nível de “Casino Royale”.

(Léa Seydoux – que até compõe uma das Bond-Girls mais interessantes e clássicas da saga – não tem o poder perturbante e fascinante de Eva Green; a love story de “SPECTRE” não tem a força da de “Casino Royale”; o argumento de “SPECTRE” não tem o mesmo poder organizado do de “Casino Royale”).

 

Muito recomendável.

 

“SPECTRE” já anda pelas salas portuguesas.

SPECTRE - screenshot 9

 

Realizador: Sam Mendes

Argumentistas: Robert Wade, Neil Purvis, John Logan, a partir do personagem criado por Ian Fleming

Elenco: Daniel Craig, Léa Seydoux, Christoph Waltz, Ralph Fiennes, Monica Bellucci, Naomie Harris, Ben Whishaw, Rory Kinnear, Jesper Christensen

 

Site – http://www.sonypictures.com/movies/spectre/

James Bond site – http://www.007.com/

Sobre Ian Fleming – http://www.ianfleming.com/

 

Orçamento – 245 milhões de Dólares

Bilheteira (até agora) – 90 (USA); 310 (mundial)

 

SPECTRE - Poster 1

 

E o mais caro Bond Film de sempre.

Com 150 minutos de duração, é o mais longo filme da saga.

 

SPECTRE - Poster 3

 

Ainda restam 4 (curtas) histórias de Ian Fleming para adaptar – “The Property of a Lady”, “The Hildebrand Rarity”, “Risico” e “007 in New York”.

 

SPECTRE – Special Executive for Counter-intelligence, Terrorism, Revenge and Extortion.

 

SPECTRE - Cast & Crew

Christopher Nolan chegou a ser ponderado como realizador (o cineasta de “Interstellar” já mostrou o quando aprecia 007 em “Inception”). Mas Sam Mendes decidiu regressar e os produtores escolheram Mendes.

Até à decisão de Mendes, ainda foram ponderados realizadores como Ang Lee, Tom Hooper, David Yates, Danny Boyle, Shane Black e Nicolas Winding Refn.

Gary Oldman foi ponderado para vilão, mas a sua agenda não lhe permitia estar fora do país durante muitos meses.

Chiwetel Ejiofor foi considerado até a escolha cair sobre Christoph Waltz.

Houve o rumor que Kevin Spacey chegou a ser ponderado como vilão (algo que já tinha acontecido para “Skyfall”), mas teve de recusar devido à agenda com a sua representação na peça “Richard III”. Spacey nega.

Karen Gillan manifestou interesse em ser uma vilã.

Um dos títulos provisórios do filme era “Devil May Care”. É o título de um romance escrito por Sebastian Faulks, em 2008, que é uma sequela para “The Man With The Golden Gun”.
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Monica Bellucci torna-se a Bond-Girl mais velha da história da saga – a actriz italiana tem 50 anos. A mais velha até agora era Honor Blackman, que tinha 38 anos em “Goldfinger” (1964). Curiosamente, Monica nasceu no ano desse filme. Monica chegou a tentar ser Bond-Girl em “Tomorrow Never Dies” (1997), na fase Pierce Brosnan, mas perdeu para Teri Hatcher.

Daniel Craig tem contrato para mais um filme, mas já se fala que este pode ser a sua despedida.

O filme foi filmado em película.

É o primeiro Bond Film filmado com lentes anamorphic, desde “Die Another Day” (2002). É também a primeira experiencia de Mendes com este tipo de lentes.

Sam Mendes e John Logan (argumentista em “Skyfall”) delinearam o argumento juntos, mas este foi alvo de uma revisão e reescrita final pela dupla Neal Purvis e Robert Wade (os argumentistas oficiais da saga desde “The World Is Not Enough”).

 

Lana Del Rey, Sam Smith, Rihanna, Sai e Ed Sheeran, foram os cantores ponderados para cantarem a canção principal. Venceu Smith.

Eis a canção:

 

Marcas em cena – Corgi, Hornby, Heineken, Bollinger, Belevedere, Aston Martin, Jaguar, Land Rover, Omega, Tom Ford, Sony.

SPECTRE - Aston Martin DB10 - 1
12º filme da saga onde há uso do Aston Martin.

  • Aston Martin DB5 – “Goldfinger” (1964), “Thunderball” (1965), “GoldenEye” (1995), “Tomorrow Never Dies” (1997), “The World is Not Enough” (1999), “Casino Royale” (2006), “Skyfall” (2012).
  • Aston Martin DBS – “On Her Majesty`s Secret Service” (1969).
  • Aston Martin V8 Vantage Volante – “The Living Daylights” (1987).
  • Aston Martin V12 Vanquish – “Die Another Day” (2002).
  • Aston Martin DBS V12 – “Casino Royale” (2006), “Quantum of Solace” (2008).
  • Aston Martin DB10 – “SPECTRE” (2015).

O novo carro de 007 é o novo modelo da Aston Martin – o DB10.

“SPECTRE” junta-se a “Goldfinger” (1964), “Thunderball” (1965), “The Living Daylights” e “Die Another Day” (2002), onde o Aston Martin usado vem carregado de truques.

Aston Martin – http://www.astonmartin.com/

 

SPECTRE - Promo - Monica Bellucci e Léa Seydoux

Terceiro Bond Film onde as duas Bond-Girls são europeias, nomeadamente francesa e italiana – em “Thunderball” (1965), elas eram Luciana Paluzzi (Itália) e Claudine Auger (França); em “Casino Royale” (2006), elas eram Eva Green (França) e Caterina Murino (Itália); em “SPECTRE”, elas são Léa Seydoux (França) e Monica Bellucci (Itália). Seydoux é mesmo a (00)7ª actriz francesa na saga, depois de Auger, Corinne Cléry (“Moonraker”, em 1979), Carole Bouquet (“For Your Eyes Only”, em 1981), Sophie Marceau (“The World Is Not Enough”, em 1999), Green e Bérénice Marlohe (“Skyfall”, em 2012).

Regresso de 007 a peripécias no gelo, depois de “On Her Majesty`s Secret Service” (1969), “The Spy Who Loved Me” (1977), “For Your Eyes Only” (1981), “A View to a Kill” (1985), “The Living Daylights” (1987), “The World Is Not Enough” (1999) e “Die Another Day” (2002).

Regresso da saga a cenas de acção em comboios, depois de “From Russia With Love” (1963), “To Live and Let Die” (1973), “The Spy Who Loved Me” (1977), “Octopussy” (1983), “Goldeneye” (1995) e “Skyfall” (2012).

É o segundo filme da saga a envolver uma perseguição automobilística entre um Aston Martin e um Jaguar, depois de “Die Another Day”. Nesse filme, as duas marcas estavam sobre a alçada da Ford, agora estão ambas independentes (ainda que nas mãos de poderosos grupos empresariais).

Regresso da SPECTRE, organização que 007 combateu noutros filmes – “Dr. No” (1962), “From Russia With Love” (1963), “Thunderball” (1965), “You Only Live Twice” (1967), “On Her Majesty`s Secret Service” (1969), “Diamonds Are Forever” (1971). Uma organização que originou vários inimigos – Dr. No (“Dr. No”), Donald “Red” Grant, Rosa Klebb e Kronsteen (“From Russia With Love”), Emilio Largo e Jacques Bouvar (“Thunderball”), Helga Brandt (“You Only Live Twice”), Ernst Stavro Blofeld (“From Russia With Love”, “Thunderball”, “You Only Live Twice”, “On Her Majesty`s Secret Service”, “Diamonds are Forever”, “For Your Eyes Only”).

Em “Never Say Never Again” (1983, título que marcou o regresso de Sean Connery a 007, num filme fora da saga oficial, sendo um remake de “Thunderball”), a organização regressa. Para além de Largo, há a personagem Fatima Blush, uma assassina que se rende à destreza sexual de James Bond.

Sam Mendes junta-se a mais quatro realizadores que assinaram dois Bond Films seguidos – Terence Young (“Dr No” e “From Russia with Love”, fazendo mais tarde “Thunderball” – 1962, 1963, 1965), Guy Hamilton (vindo de “Goldfinger”, faria de forma seguida “Diamonds are Forever”, “Live and Let Die” e “The Man With The Golden Gun” – 1964, 1971, 1973, 1974), Lewis Gilbert (vindo de “You Only Live Twice”, faria de forma seguida “The Spy Who Loved Me” e “Moonraker” – 1967, 1977, 1979) e John Glen (“For Your Eyes Only”, “Octopussy”, “A View to a Kill”, “The Living Daylights” e “License to Kill” – 1981, 1983, 1985, 1987, 1989).

Regresso da saga a lugares onde já “passeou” – Marrocos, Tânger, Londres, Austria e Itália.

 

Como sempre, há cameo de Michael G. Wilson, produtor da saga desde 1981 até 1989, tendo também co-assinado os argumentos (na parceria de Richard Maubaum – um veterano da saga que andou por lá desde o início em 1962 até 1989).

SPECTRE - Aston Martin DB10 - 2

 

Um dossier sobre James Bond

http://www.empireonline.com/features/bond/

 

James Bond – os livros face aos filmes

http://www.empireonline.com/movies/features/james-bond-page-screen/

 

Um (divertido, inteligente e engenhoso) spot da Heineken, alusivo a “SPECTRE”

 

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