007: Casino Royale (2006)

Casino Royale - 2006 - Poster 3

 

James Bond está de volta.

Fala-se que pode ser o final da fase Daniel Craig.

(apesar do actor ainda ter mais um filme no contrato)

 

Regressemos ao seu início.

Naquela que foi a sua (polémica) estreia.

Num (muito necessário) reboot de saga.

A partir do romance que tudo começa (na saga literária) e que ainda estava “fugido” da saga cinematográfica.

 

James Bond acabou de ser promovido a agente com o código 00 – licença para matar.

Com o número 007, Bond recebe a sua primeira missão – destruir uma organização que trafica armas.

Uma missão que o levará ao prestigiado Casino Royale, a um jogo de poker de altas paradas.

Pelo meio, Bond irá aprender grandes lições sobre o seu trabalho.

E conhecer o grande amor da sua vida.

Ou o seu maior engano?

Casino Royale - 2006 - screenshot 17

 

Licença para Renovar

 

Existe o ditado “Quem ri por último, ri melhor”.

Nada mais adequado a Daniel Craig e à sua performance na estreia como o novo 007. Depois de tanta má-língua, cepticismo, convites ao boicote na estreia do filme e sites contra a sua pessoa enquanto actor (des)adequado a James Bond, o filme estreou e Daniel, à maneira do seu 007, eliminou… todas as dúvidas.

 

Estamos perante uma brilhante (re-)interpretação do mito, mantendo algumas das suas características (na época, já definidas em mais de 40 anos), revivendo as de Ian Fleming (muito esquecidas e negligenciadas nas fases Roger Moore e Pierce Brosnan) e com algumas novidades (mostrando que Craig tem mesmo algo de novo a trazer ao personagem).

 

“Casino Royale” (a primeira aventura de Bond, segundo os livros de Fleming) começa de forma deliciosamente retro. A sequência pré-genérico (que, regra geral, era uma exibição de puro espectáculo, fosse com prodigiosas stunts acrobáticas (“The Spy Who Loved Me”, de 1977; “Moonraker”, de 1979; “For Your Eyes Only”, de 1981), pirotecnia vácua (“Tomorrow Never Dies”, de 1997; “The World Is Not Enough”, de 1999) ou até mesmo uma espécie de mini-filme antes do filme (“Goldeneye”, de 1995; “Die Another Day”, de 2002)) é a melhor e mais (re)formadora desde a de “Goldfinger” (provavelmente o título que mais e melhor definiu os caminhos e regras da saga – continua moderno, fresco e inultrapassável).

Num belo preto-e-branco, assistimos às primeiras “execuções” de James Bond, as que lhe permitem ganhar o estatuto de 00. O tom é negro, cru, violento e directo. Craig, em poucas palavras, com a sua atitude, expressão facial e tom de voz, dá logo o mote – este novo 007 não está numa de fuckin` around, é (bem) mortífero e expedito.

A cena

(na íntegra, pois a montagem para cinema eliminou alguns momentos)

Casino Royale - 2006 - screenshot 20

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O livro de Fleming (já à venda – muito bom e merece a leitura para comparar com a excelente adaptação feita) começa logo no Casino, com pequenos flash-backs que explicam como Bond ganhou o estatuto 00, como a missão lhe foi confiada e quais os objectivos. Daí para a frente é só “apresentar as cartas” ao vilão. Até à conclusão, Bond sofre uma tentativa de homicídio, fica “liso” (sendo compensado depois, por fundos da CIA), ganha a parada, é torturado, apaixona-se e… sofre a sua primeira desilusão amorosa (e também profissional).

Tal material daria para uma metragem com menos de 90 minutos e não tem a acção que a saga nos habituou. Por isso, os argumentistas encarregaram-se de criar uma série de eventos que levam Bond ao Casino. É nesses eventos que se desenrolam duas prodigiosas sequências de pura acção, ao nível do melhor no género e na saga. E nelas se define também a atitude e postura deste novo Bond. Brutal, rude, mortífero, indisciplinado. Mas nem por isso menos humano ou infalível.

 

“Casino Royale” já tinha sido adaptado em 1967 (senhores editores, que tal editá-lo em Portugal?), mas numa versão paródica que aos olhos de hoje parece ser o modelo da série “Austin Powers” (toda ela uma paródia à saga “James Bond”).

Esta nova e séria adaptação retira alguns elementos do livro que estavam mais adequados aos tempos da Guerra-Fria e adapta-os à realidade actual. Mas todo o contexto da obra de Fleming está impecavelmente preservado.

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Desengane-se quem espera deste novo filme o habitual estardalhaço que a saga (e o género) tem habituado (principalmente na fase Pierce Brosnan, onde o actor se limitou a gerir uma imagem e os filmes a repetir uma fórmula adaptada aos novos tempos de Hollywood), bem como os habituais clichés.

Não há gadgets (só Bond e a sua pistola, destreza, força e fúria), Bond não é invencível (atenção à forma e identidade de quem elimina o vilão) e mostra remorsos (a sua reacção às consequências de ter seduzido a primeira Bond-Girl), a conquista da Bond-Girl principal é com “coração aberto” (Bond apaixona-se mesmo), sofre por amor (a love story tem um twist). E onde habitualmente o filme acaba (depois da eliminação do vilão), o filme continua por (muito) mais tempo, desenvolvendo-se a love story entre Bond e Vesper. As cenas de acção mais espectaculares ficam-se pela primeira metade do filme. Todo o tom e estilo do filme remetem para as primeiras aventuras cinematográficas (principalmente “From Russia With Love” de 1963, e “On Her Majesty`s Secret Service” de 1969). E nem referências a Miss Moneypenny ou a Q.

É precisamente nos momentos mais dramáticos, românticos e “cómicos” entre Bond e Vesper (sublime Bond-Girl, criada por uma lindíssima, magnífica e perfeita Eva Green – actriz que bem merece uma rápida ascensão e estrelato imediato) que se nota uma “escrita” diferente do habitual.

Não só os innuendos sexuais entre ambos remetem para alguma da screwball clássica (mas com uma ironia venenosa), como quando se expõem emocionalmente, Bond & Vesper revelam muito de si (mérito dos actores e da prosa que “declamam”).

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Veja-se o primeiro momento entre os dois

(uma delícia de química, actuação e escrita)

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Martin Campbell regressa à série depois de “Goldeneye” (título que só anunciou o ridículo a que a saga chegaria na fase Brosnan). Continua a mostrar a sua destreza para a acção, mas consegue boa emotividade nas sequências mais dramáticas (que vivem à base de uns excelentes diálogos e do impecável trabalhos dos actores) e bom suspense nas cenas de jogo.
O argumento vem de dois “habituais” da série – Robert Wade e Neal Purvis (escreverem os dois últimos episódios – “The World Is Not Enough” e “Die Another Day”).

Mas contaram com uma colaboração de peso – Paul Haggis (autor de “Million Dollar Baby”).

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E sobre Daniel Craig?

Pois, já muito tem sido dito, elogiado e reconhecido. Conquistou tudo e todos – fans, espectadores, crítica e detractores.

“Nada mau” para uma estreia.

Heróico, brutal e mortífero quanto baste nas sequências de acção (veja-se o prazer dele sempre que mata um inimigo), sério quando mostra o profissionalismo de Bond, convincente e comovente quando mostra a fragilidade (atenção ao seu rosto e voz, na cena da tortura, onde demonstra dor e prazer), humanismo e romantismo do herói (o seu rosto quando Vesper entra na zona de jogo, a sua voz quando se dispõe a largar tudo por Vesper), seco e directo nos momentos em que mostra um sentido de humor agressivamente cínico.

É o melhor desde Sean Connery?

Sem dúvida.

Traz uma nova interpretação, sem esquecer a definição de Fleming, mas sem cair em complacências.

Roger Moore mudou o personagem, mas os próprios filmes (e os tempos) já mostravam mudança. Mesmo assim, Moore tem em “The Spy Who Loved Me” (1977) e “For Your Eyes Only” (1981, com o Moore mais sério da fase e o momento tão polémico em que elimina um inimigo, atirando-o dentro do carro por uma falésia abaixo) dois dos melhores da saga, com “Octopussy” a merecer atenção pois insere-se perfeitamente nas regras (nunca se viu num filme tanta Bond-Girl e a Índia é o cenário exótico por natureza). O tom da fase Moore era mais “infantil” (bem como alguns dos vilões) e descontraído.

Pierce Brosnan e os seus filmes queriam levar-se a sério, mas nunca saíram de um limbo onde pretendiam rivalizar com as produções de Jerry Bruckheimer e de Joel Silver, imitações como “xXx”, ou mesmo com essa fenomenal brincadeira ao Bond-World que é “True Lies” de James Cameron. Foi mais um gerir de imagem e fórmula para rentabilização nas bilheteiras e mostrar que 007 podia rivalizar com a concorrência.

George Lazenby beneficiou de um excelente argumento (“On Her Majesty`s Secret Service”, em 1969), com Bond a questionar a sua lealdade (face ao MI6 ou ao seu coração), Bond a apaixonar-se (verdadeiramente) e a casar, uma sólida e profunda Bond-Girl, acrescentando um vilão a preceito.

Sean Connery foi o primeiro James Bond (em Cinema) e criou o modelo. Na perfeição. Com as adequadas doses de sex-appeal, dureza, virilidade, charme e heroísmo, Connery continua a ser O Bond a imitar, superar e a ter como referência. Os dois primeiros filmes (“Dr. No” e “From Russia With Love”, de 1962 e 1963) são thrillers de espionagem em rigor com a época; “Goldfinger” (1964) é a referência permanente e a redefinição da saga, com “Thunderball” (1965) a ultrapassar fronteiras (no campo do espectáculo).

Mas diga-se que, em justiça da memória, Craig tem um antecessor que tentou enveredar pelo seu caminho – o muito (injustamente) menosprezado Timothy Dalton.

Se a primeira metade de “The Living Daylights” (1987, a estreia de Dalton como 007) está ao nível do melhor da saga nos seus primeiros tempos, o filme só peca por vilões de pacotilha. Há boa acção (a confrontação aérea com o hitman do vilão – a mais emocionante desde a de com Oddjob em “Goldfinger”), nostalgia (de volta está o tão saudoso Aston Martin, pleno de gadgets). Dalton mostrou um 007 com um profundo dark side, mas mais humano e sentimental. Elevou a seriedade e crueldade em “License to Kill” (1989, onde Bond elimina o vilão queimando-o vivo, dando-lhe assim a morte mais cruel, lenta e agonizante que um vilão de Bond já teve) mostrando um Bond igual aos seus inimigos, batendo-se por ideais mais “correctos”. Foi fiel ao personagem segundo Fleming, mas poucos (a começar logo pelos argumentistas e realizador) o perceberam.

Craig, ao contrário de Dalton, tem toda a equipa a ajudá-lo.

Só se podia augurar um excelente futuro para ele.

(e assim foi, pois tem sido dos actores mais solicitados do cinema actual, sempre elogiado como 007)

 

Mas os méritos interpretativos do filme não se ficam apenas por Craig.

Jeffrey Wright compõe um muito capaz, cínico e prestável Feliz Leiter.

Giancarlo Giannini mostra que continua um Signore de presença e charme, com as suas qualidades ainda mais apuradas com a passagem do tempo.

Judi Dench volta a ser M (já era em toda a fase Pierce Brosnan) e continua a dar-lhe a mesma força humana e feminina, plena de carisma e capacidade de liderança.

Mads Mikkelsen cria um excelente vilão (Le Chiffre), digno dos melhores da saga – frio, perigoso, calculista, inteligente.

Eva Green é o trunfo máximo do filme. Dotada de uma beleza sublime, enigmática, fascinante e hipnótica (a sua entrada em cena no filme, a sua aparição no casino), Eva cria a mais perfeita e superior das Bond-Girls. Vesper Lynd tem definição clássica e mostra-se uma digna rival de Bond, mas a nível intelectual (a conversa no comboio). Não é de admirar que o agente fique de coração derretido por ela. É o poder de Eva/Vesper que dá convicção à componente emocional/sentimental da narrativa. Eva/Vesper é a melhor de todas as Bond-Girls.

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Acrescente-se a excelente fotografia (do grande Phil Méheux), a ilustrar a óptima cenografia de Peter Lamont (um veterano da saga).

Méritos também na canção de Chris Cornell (bem catchy, fica no ouvido e tem o punch viril que caracteriza o filme e o 007 de Daniel Craig) e na (bela) música de David Arnold (em sintonia com todas as emoções e situações do filme – atenção ao tema para Vesper), que recorda os tempos do grande John Barry (compôs para muitos filmes da saga).

 

Ou seja, todos os elementos que compõem um excelente (Bond) filme estão aqui, em excelência total.

Que mais pedir?

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“Casino Royale” é uma excelente demonstração de como fazer um blockbuster inteligente, mas também um perfeito Bond Film. Talvez o melhor título da saga desde o brilhante “On Her Majesty`s Secret Service” (1969). Ou, se calhar, o melhor Bond Film de sempre.

(de facto, demorou-se muito na reformulação da saga – fica o mérito da tentativa de Dalton, mas ele não teve ajuda).

 

O mais próximo que a saga 007 esteve de uma obra-prima cinematográfica.

Imprescindível para fans de Bond e de cinema de acção.

Obrigatório para qualquer fã de (bom) Cinema.

 

O Homem estava de volta, novo (mas com ares de “à moda antiga”) e com muito para dizer.

Licença para renovar? Concedida.

 

“Casino Royale” tem edição portuguesa e não anda a “preço de casino”.

 

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Realizador: Martin Campbell

Argumentistas: Neal Purvis, Robert Wade, Paul Haggis, a partir do personagem e livro criados por Ian Fleming

Elenco: Daniel Craig, Eva Green, Mads Mikkelsen, Judi Dench, Jeffrey Wright, Giancarlo Giannini, Caterina Murino, Simon Abkarian, Jesper Christensen, Sebastien Foucan

 

Trailers

 

James Bond site – http://www.007.com/

Sobre Ian Fleming – http://www.ianfleming.com/

 

Orçamento – 150 milhões de Dólares

Bilheteira – 167 (USA); 599 (mundial)

Casino Royale - 2006 - Poster 4

“Melhor Som”, nos BAFTA 2007. Esteve nomeado para “Prémio Alexander Korda – Melhor Filme Britânico” (perdeu para “The Last King of Scotland”), “Melhor Argumento” (perdeu para “The Last King of Scotland”), “Melhor Actor” (Daniel Craig perdeu para Forest Whitaker em “The Last King of Scotland”), “Melhor Fotografia” (“Children of Men” foi preferido), “Melhor Montagem” (“Flight 93” foi eleito).

“Melhor Thriller”, nos Prémios Saturn 2007. Daniel Craig esteve nomeado para “Melhor Actor”, mas perdeu para Brandon Routh em “Superman Returns”. Eva Green concorreu para “Melhor Actriz”, mas perdeu para Famke Janssen em “X-Men: The Last Stand”. O filme tentou “Melhor Argumento” e “Melhor Música”, mas “Superman Returns” foi preferido nas duas categorias.

“Melhor Música”, nos Prémios ASCAP 2007, nos Prémios BMI 2007.

“Melhor Fotografia”, pela British Society of Cinematographers 2006.

“Melhor Filme”, “Melhor Actor” (Daniel Craig), “Melhor Actriz” (Eva Green), nos Prémios Empire 2007.

“Melhor Actor” (Daniel Craig), nos Prémios Evening Standard 2007.

“Melhor Filme Internacional”, nos Prémios Jupiter 2007.

“Melhor Filme de Acção”, nos Prémios National Movie 2007.

“Melhores Stunts”, pelos críticos de Phoenix 2006.

“Melhor Canção” (“You Know My Name”, por Chris Cornell), nos Prémios Satellite 2006 e nos Prémios World Soundtrack 2007.

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A canção de Chris Cornell

 

Videoclip

 

No genérico do filme

 

Chris Cornell inspirou-se nas canções compostas para a saga por Paul McCartney (“To Live and Let Die”) e Tom Jones (“Thunderball”).

 

A (excelente) banda sonora de David Arnold

Casino Royale - 2006 - Poster 7

“Casino Royale” é o primeiro filme da saga a ser baseado num livro de Fleming, desde “Moonraker” (1979). Desde então, os filmes eram baseados em curtos contos (o resto da fase Roger Moore e toda a de Timothy Dalton) e em argumento originais (a fase Pierce Brosnan).

Casino Royale - 2006 - Poster 15

Daniel Craig foi a primeira escolha de Barbara Broccoli. Craig ficou-lhe no radar quando viu “Layer Cake” (2004), mas assim que o viu em “Munich” (2005), ela ficou convencida.

Craig tinha rejeitado 007 um ano antes, devido ao tom excessivamente formulaico da saga. Mudou de ideias ao ler o argumento.

Craig soube da notícia que tinha sido eleito 007 quando estava às compras. Largou tudo e foi celebrar. Com martinis.

Craig preparou-se ao ler os livros de Fleming e com aconselhamentos de agentes da Mossad e do MI6.

Craig terminou as filmagens a queixar-se de muitas dores musculares, fruto da muita exigência física.

Craig partiu dois dentes na cena da luta na casa de banho (a cena inicial). Tudo se resolveu em horas.

Craig engordou vários Kilos, mas de puro músculo.

 

Craig tornou-se o primeiro actor a interpretar James Bond e a receber uma nomeação nos BAFTA por tal.

“Sir” Roger Moore ficou muito bem impressionado com a performance de Craig.

Casino Royale - 2006 - Poster 12

Antes da escolha cair sobre Craig, ponderaram-se actores como Julian McMahon, Dominic West, Gerard Butler, Goran Visnjic, Sam Worthington, Karl Urban e Rupert Friend. Henry Cavill (“Man of Steel”) chegou a ser finalista, mas foi recusado por ser considerado demasiado novo (Cavill mostrou em “The Man from U.N.C.L.E.” que até tem estofo para tal). Hugh Jackman recusou. Clive Owen chegou a ser um favorito. O realizador Martin Campbell manifestou preferência por Cavill e Ewan McGregor. James Purefoy fez um teste, mas considerou-o desastroso. Falou-se em Jude Law, Eric Bana, Orlando Bloom e Heath Ledger, mas tudo foi desmentido. Barbara Brocolli chegou a dizer que a sua preferência inicial era George Clooney, mas este recusou pois achava que 007 deveria ser (sempre) interpretado por um inglês, dado que Bond é inglês.

 

Matthew Vaughn (realizador de “Layer Cake”) tinha sido convocado como realizador, mas entrou em conflito criativo com os produtores. Vaughn é grande fã da saga 007 e já o demonstrou com “X-Men: First Class” (2011) e “Kingsman: The Secret Service” (2015).

Martin Campbell foi escolhido por já ter assinado um reboot da saga – “Goldeneye” (1995), início da fase Pierce Brosnan.

Chegou a circular o rumor que Sean Connery (o primeiro James Bond, em Cinema) iria realizar o filme.

 

Se o filme contasse com Pierce Brosnan, este receberia um salário de 30 milhões de Dólares. Brosnan queria participar no filme, mas foi considerado já velho (tinha 53 anos).

 

Tarantino chegou-se a oferecer para fazer uma adaptação de “Casino Royale”. Seria com Pierce Brosnan como James Bond, mas o filme teria um tom diferente do habitual – fotografado a Preto-e-Branco, passado na época da Guerra Fria, filiado no Film Noir e no Cold War Spy Thriller, sem música de John Barry nem cena pré- genérico inicial, com recurso a voz off. Samuel L. Jackson seria Felix Leiter e Uma Thurman seria Vesper Lynd.

Sabe-se que o estúdio recusou. Mas sabe-se que Tarantino seria recusado, pois ele não faz parte do Directors Guild.

Casino Royale - 2006 - screenshot 16

Charlize Theron, Naomi Watts, Thandie Newton, Angelina Jolie, Rachel McAdams, Sienna Miller, Scarlett Johansson, Jessica Simpson, Theron foram consideradas para Vesper. Eva Green foi eleita, mas teve de se bater com conterrâneas como Cécile De France e Audrey Tautou. Caterina Murino também foi ponderada. Foi recusada como Vesper, mas ficou com outra personagem.

 

Campbell queria que M voltasse a ser interpretada por Judi Dench, pois gostou imenso do seu trabalho em “Goldeneye” (Dench continuaria por toda a fase Brosnan).

 

Algum buzz na net pedia os Goldfrapp como intérpretes da canção.

 

Fleming escreveu o livro inspirado nas peripécias que viveu no Casino do Estoril, durante a Segunda Guerra Mundial. Portugal era neutro, mas naquele local eram vistos agentes dos Aliados e dos nazis, havendo muita intriga.

Barbara Broccoli e Michael G. Wilson (produtores do filme) exigiram à dupla de argumentistas Neal Purvis e Robert Wade (habituais da saga desde 1997) que mantivessem dois aspectos do livro de Fleming – a tortura feita a Bond e a sua lineThe bitch is dead“.

Paul Haggis foi chamado para reescrever o climax, que estava mais dramático (Vesper suicida-se e deixa uma carta para James, onde lhe explica tudo; Bond vinga-se indo ao covil dos vilões e mata-os). Haggis foi chamado para manter tal dramatismo, mas com mais acção.

Casino Royale - 2006 - Poster 1

A cena pré- genérico inicial é filmada preto-e-branco. A ideia foi do Director of Photography Phil Méheux, que queria assim surpreender os espectadores. “Casino Royale” torna-se assim, e até ao momento, o único filme da saga com uma cena a P&B.

A primeira cena que Craig filmou foi a passada na embaixada do país africano.

A confrontação final em Veneza demorou três semanas de filmagens.

A perseguição em parkour ocupou seis semanas de filmagens.

A perseguição em parkour foi coreografada por Sebastien Foucan, principal mentor da modalidade. Foucan interpreta o inimigo de 007 nessa cena.

A cena

Making of

O momento em que Bond ganha um Aston Martin ao derrotar o adversário nas cartas vem de “Goldfinger” (o livro).

A cena no aeroporto foi filmada em três – Nassau International Airport, em Nassau, New Providence Island, Bahamas; Dunsfold Park Aerodrome, em Dunsfold Park, Dunsfold, Surrey, Inglaterra; International Airport de Ruzyne, Praga, República Checa.

A cena

Na cena do chuveiro, o argumento exigia Vesper em roupa interior. Craig achou que faria mais sentido ela estar com a roupa da cena anterior, dado o seu estado de espírito.

A cena

Casino Royale - 2006 - screenshot 8

Para filmar as cenas do jogo de poker, Campbell analisou cenas de filmes que abordam tal tema – “The Sting” (1973), “Maverick” (1994) e “The Cincinnati Kid” (1965).

As cenas na mesa de poker demoram nove dias de filmagens.

Aston Martin DBS - Casino Royale - 2006 - Promo Photo 2

Os fatos que Craig veste são da Brioni.

Como sempre na saga, um defile de marcas – Turnbull and Asser (camisas), Persol (óculos), S.T. Dupont (botões de punho), Albert Thurston (suspensórios), Sunspel (polos e t-shirts), Converse, John Lobb e Nike (calçado desportivo), Ted Baker (calças), La Perla (fatos de banho), Giorgio Armani (casacos de couro), Omega (relógios). A Brioni vestiu todos os actores em cena na mesa de poker. Os vestidos são da Jenny Packham, Roberto Cavalli e Versace, os colares são da Sophie Harley, os perfumes são da Melograno, os bikinis são da La Perla. Virgin Airlines, Heineken, Sony (câmaras e telemóveis), FedEx Freight, Château Angélus, Turnbull & Asser, Smirnoff e Bollinger, são outras das marcas.

Como sempre na saga, desfile de (bons) carros e outros veículos – Aston Le Mans DBR9, Aston Martin DBS, Aston Martin DB5; Ford Mondeo Mk IV, DeHavilland Canada Twin Otter, Spirit “Spirit 54”, Ford Crown, FIAT W190 bulldozer, Notar MD-600N, Range Rover e Land Rover Defender, Jaguar, Lincoln, Volvo, Skyfleet S570, Virgin Atlantic Airbus A340-600.

Carros do grupo Ford têm forte presença – Aston Martin, Ford, Land Rover, Jaguar e Volvo.

Casino Royale - 2006 - screenshot 12

No livro, o jogo é Baccarat / Chemin de Fer. No filme, o jogo é Texas Hold ‘Em Poker.

A forma como Bond pede o seu primeiro vodka-martini, é retirado exactamente como escrito por Fleming.

A bebida (nomeada de “Vesper”) que Bond pede para preparar é feita da seguinte maneira:

  • 3 partes de Gin (Gordon)
  • 1 parte de Vodka (Absolut)
  • Meia de Kina Lillet
  • Tudo misturado em gelo; servido em copo de coktail e com uma rodela de limão.
  • Obs.: Como Kina Lillet deixou de ser fabricado em 1985, o seu substituto é Lillet Blanc, da mesma empresa (Lillet, em Podensac, França).

Casino Royale - 2006 - screenshot 14

No genérico, o rosto de Eva Green dá cara a duas cartas, com dois significados diferentes – a Raínha de Copas (símbolo do Amor) e a Raínha de Espadas (símbolo do azar).

Depois de “Octopussy” (1983), “Casino Royale” é o primeiro filme da saga onde a canção não tem o título do filme. Nesse filme, a canção chamava-se “All Time High”. A de “Casino Royale” chama-se “You Know My Name”.

Depois de “To Live and Let Die” (1971, a estreia de Roger Moore como James Bond), “Casino Royale” é o primeiro filme da saga onde a canção vem cantada por um homem. Em “A View to a Kill” (1987) e “The Living Daylights” (1987), é um homem que canta, mas inserido num grupo (Duran Duran e A-Ha, respectivamente).

Regresso da saga a Veneza, depois de “From Russia With Love” (1963) e “Moonraker” (1979).

Segundo filme onde Bond é torturado, depois de “Die Another Day” (2002).

Depois de “On Her Majesty´s Secret Service” (1969) e “License to Kill” (1989), é a terceira vez que James Bond pede a demissão do MI6.

Pela primeira vez na saga, o vilão não é morto por 007.

O personagem Felix Leiter, agente da CIA, habitual aliado de 007 – nos livros e nos filmes (“Dr. No”, em 1962; “Goldfinger”, em 1964; “Thunderball”, em 1965; “Diamonds Are Forever”, em 1971; “To Live and Let Die”, em 1973; “The Living Daylights”, em 1987; “License to Kill”, em 1989), regressa à saga, depois de “License to Kill”.

É o primeiro filme da saga sem Q, desde “To Live and Let Die”.

Desde “You Only Live Twice” (1967) que Bond não via as suas meninas a serem mortas. Mas é a primeira vez, desde “On Her Majesty´s Secret Service”, que Bond perde (mortalmente) a sua amada.

Até então, era o mais longo filme da saga. O recorde pertencia a “On Her Majesty`s Secret Service”.

Até à época, “Casino Royale” era o filme de maior sucesso da saga. “Die Another Day” (2002) tinha o record. Mas ajustado à inflação, “Casino Royale” é o quinto, depois de “Thunderball” (1965), “Goldfinger” (1964), ”You Only Live Twice” (1967) e “The Spy Who Loved Me” (1977). “Skyfall” (2012) quebraria o record, ao ultrapassar o 1 bilião de Dólares (a nível mundial).

Primeiro filme da saga em vários aspectos:

  • Com cena a P&B
  • Sem Miss Moneypenny
  • Sem a caminhada de Bond pelo gun barrel
  • A ter o momento de Bond no gun barrel depois da cena inicial
  • Com James Bond loiro

Casino Royale - 2006 - Promo Photo 3 - Daniel Craig & Eva Green

Casino Royale - 2006 - Promo Photo 2 - Daniel Craig & Eva Green

Casino Royale - 2006 - Promo Photo 1 - Daniel Craig & Eva Green

Cameos

Diane Hartford – uma das jogadoras. Já o tinha feito, com igual personagem em “Thunderball” (1965).

Tsai Chin – uma das jogadoras. Ajudou Bond a ser “morto” em “You Only Live Twice” (1967)

Alessandra Ambrosio – joga ténis no club a que Bond chegam, nas Bahamas.

Richard Branson (o grande magnate da Virgin) – está no aeroporto.

Michael G. Wilson (um dos produtores) – o chefe da polícia, em Montenegro.

Phil Méheux (o director de fotografia) – um dos homens do Tesouro, no escritório de M.

Martin Campbell (o realizador) – o conductor do camião, na cena do aeroporto.

 

Entregue nas salas com os títulos “Rough Skins” e “Change At Midnight”.

Casino Royale - 2006 - Poster 13

“Casino Royale” ficou na lista dos 10 melhores filmes de 2006, em muita imprensa especializada em Cinema.

 

Um dossier sobre James Bond

http://www.empireonline.com/features/bond/

 

James Bond – os livros face aos filmes

http://www.empireonline.com/movies/features/james-bond-page-screen/

 

Um (divertido, inteligente e engenhoso) spot da Heineken, alusivo a “Casino Royale”

 

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