The Green Inferno (2013)

The Green Inferno - Poster 1
Eli Roth vai chegar às salas com o seu recente “Knock Knock”.

Mas antes teve este “The Green Inferno”, título que teve (e ainda tem) dificuldades (ou mesmo proibição) de estreia nalguns países (Portugal não será excepção, de certeza).

 

Justine é uma jovem, muito protegida pelo pai (membro nas Nações Unidas), em busca de algo que a faça sentir-se útil e autónoma.

Um dia, toma conhecimento com uma organização ambientalista que se manifesta pelos interesses de um povo da América do Sul face aos interesses sem escrúpulos da indústria madeireira.

Motivada, Justine segue com o grupo para uma iniciativa no local.

Mas o encontro com uma tribo primitiva leva-os ao maior dos pesadelos.

The Green Inferno - screenshot 1

The Green Inferno - screenshot 2

Eli Roth é um dos mais controversos, provocadores, incómodos e capazes cineastas de terror, dentro do cinema actual.

Sim, o seu estilo não é para todos os gostos (leva muita gente a fugir das salas e até mesmo a vomitar). Mas devolveu ao terror o tom adulto e extremo que o género merece e afastou-se de um tom algo “descafeinado” e teen que invade o género de vez em quando. Como se fosse pouco, Roth consegue que algum do seu Cinema seja uma análise crítica do mundo moderno, nomeadamente os terrores provocados por um capitalismo sem regras nem limites.

“Cabin Fever” foi uma boa apresentação das suas capacidades.

“Hostel” (e a sequela) é a perfeita demonstração do seu estilo e objectivos.

Roth está de volta e mais uma vez ameaça deixar a salas em alvoroço, com o público a fugir ou a sofrer enjoos.

The Green Inferno - screenshot 4

The Green Inferno - screenshot 5

“The Green Inferno” é um survival movie de contornos ecologistas, ambientalistas, sociais, políticos, humanitários e antropológicos, que retoma uma forte tradição do cannibal terror que fez moda (e polémica) nos 70s em Itália (“Cannibal Holocaust” de Ruggero Deodato e “Cannibal Ferox” de Umberto Lenzi, são os mais populares e relevantes).

 

Cru, selvagem, duro, insustentável (veja-se o momento em que se esquarteja e come um humano, ainda vivo), o filme de Roth acaba por ser uma experiência para a resistência dos olhos e estômago do espectador. Mas também um “panfleto” sobre o “tudo vale” na “exploração” (destruição, entenda-se) de habitats e povos alheios à “civilização”.

 

Elogia-se a coragem de trazer de volta este (sub-)género, a filiação com os modelos clássicos de tal, a mensagem (há lugares onde a civilização não deve chegar) e a ironia (a atitude do povo indígena face a quem os quer proteger; o comportamento do líder do grupo activista), mas falta capacidade de perturbar e fazer reflectir. A de incómodo, existe, mas dura pouco.

The Green Inferno - screenshot 6

The Green Inferno - screenshot 7

Excelente fotografia e make-up effects (da lendária dupla Greg Nicotero e Howard Berger).

 

Recomendável.

 

Há uma cena extra no genérico final.

 

“The Green Inferno” está inédito no nosso mercado.

(e, a julgar pelo filme, o panorama não irá mudar, de certeza)

 

The Green Inferno - screenshot 9

 

Realizador: Eli Roth

Argumentistas: Guillermo Amoedo, Eli Roth

Elenco: Lorenza Izzo, Ariel Levy, Aaron Burns, Daryl Sabara, Kirby Bliss Blanton, Magda Apanowicz, Sky Ferreira, Nicolás Martínez, Ignacia Allamand

 

Trailers

(um é Red Band)

 

Orçamento – 5 milhões de Dólares

Bilheteira – 5 milhões (USA); 8 milhões (mundial)

 

The Green Inferno - Poster 2

Roth pretende homenagear “Cannibal Holocaust”, um filme-choque (causou incómodos e repulsa em muita gente) de 1980, assinado pelo sempre controverso, intenso, excessivo e incómodo Ruggero Deodato. O filme de Deodato é o filme de terror preferido de Roth e aquele que o inspirou a ser realizador. Curiosamente, “The Green Inferno” era o working title do filme de Deodato.

 

Segundo dados científicos, já não existem tribos canibais na Amazónia.

The Green Inferno - backstage 1

Foi filmado no Chile e no Perú, com indígenas locais que nunca viram câmaras de filmar nem cinema, ao longo da sua vida. Roth levou-os a ver “Cannibal Holocaust”. A tribo gostou (julgou que o filme era uma… comédia) e logo se prontificou em participar no filme.

Roth exigiu que os actores recebessem uma vacina e se submetessem a uma temporada na selva, sem luxos e rodeados de animais venenosos.

Todos os actores foram mordidos por insectos, mas Kirby Bliss Blanton foi a única a ser hospitalizada.

A tribo chegou a oferecer uma criança (de 2 anos) ao production designer, como agradecimento. Este recusou.

As crianças da tribo divertiam-se a atirar pitons aos actores. Felizmente, nenhuma atacou. As crianças chegaram a sugerir a ideia a Roth, para que ele a usasse no filme. Assim foi.

Lorenza Izzo quase se afogou numa cena. A cena em causa mostra muito desse momento. Felizmente, alguém da crew deu conta e a actriz foi salva.

The Green Inferno - backstage 3 - Lorenza Izzo & Eli Roth

Quando o filme foi exibido no Festival de Deauville, houve um espectador que desmaiou.

The Green Inferno - backstage 2

Anunciou-se uma sequela, com o título “Beyond the Green Inferno”, que seria realizada por Nicolás López. O projecto está suspenso.

 

O filme foi criticado pela “Survival International”, uma organização que se dedica à protecção de povos indígenas. Segundo ela, o filme defendia e legitimava a destruição de povos e florestas. Roth defendeu-se, afirmando que o filme pretende exactamente o oposto e que tais empresas não precisam de filmes como o dele para as suas acções.


The Green Inferno - Poster 5

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