A Ameaça (1951)

The Thing from Another World - Poster 3

Título Original – The Thing from Another World

 

Uma (grande) pérola da Sci-Fi Terror, na sua época de ouro – os 50s.

Produção (e co-realização) de um Mestre de Cinema, algo inesperado para estas coisas – Howard Hawks.

É um dos títulos mais aclamados do género, é uma referência e influência para muito bom cineasta.

John Carpenter assinaria um remake cerca de 30 anos depois.

 

Ártico.

Uma base americana científico-militar descobre o que parece ser uma nave alienígena. Lá dentro está o piloto, congelado. Quando o trazem para a base, o terror solta-se. A criatura descongela e anda sedenta de sangue.

The Thing from Another World - screenshot 9

Oficialmente, o nome de Howard Hawks “só” está na produção.

Mas este é um filme que transpira o estilo de Hawks por todo o lado.

 

Vê-se e sente-se toda a dinâmica daquele grupo (são muitos os shots onde o grupo está todo em cena e focado), a virilidade das relações e rivalidades, ilustrando todo o empenho e profissionalismo do grupo face a uma ameaça mais poderosa, sempre com uma atitude cool perante o perigo.

E depois há toda aquela típica química do Cinema de Hawks na relação do par romântico (a forma como cada um puxa pelo outro).

The Thing from Another World - screenshot 1

Estamos na Era Dourada para o género Sci-Fi.

O filme percorre bem todos os arquétipos do género, conforme mandavam as regras na época (a paranóia à volta do perigo comunista/soviético, os receios pelos avanços da Ciência no campo do nuclear, as expectativas face à conquista espacial, toda a mitologia à volta de extra-terrestres e OVNIs), mostrando um muito interessante duelo (ético) entre Ciência (que quer estudar, compreender e dialogar com a criatura) e Militar (que vêm a criatura como uma ameaça e querem eliminá-la).

The Thing from Another World - screenshot 2

The Thing from Another World - screenshot 4

The Thing from Another World - screenshot 3

Mas pelo título e pela história, percebe-se que estamos no campo do terror. E aqui, o filme não desilude. A partir do momento em que a criatura é levada para a base, cria-se uma grande tensão, dando-se uma boa sensação de cerco num espaço fechado e pequeno. Tudo explode num par de momentos em que a criatura entra em cena e se dá a confrontação.

Ainda hoje (décadas depois), o poder do filme em fazer-nos saltar na cadeira continua incólume (vejam-se as bruscas aparições da criatura).

O filme assenta num par de set pieces verdadeiramente scary e admiravelmente filmadas (frequentemente em plano único, com muitos personagens em cena a fazerem coisas diferentes).

The Thing from Another World - screenshot 5

The Thing from Another World - screenshot 6

The Thing from Another World - screenshot 8

Pelo seu minimalismo (de meios, de produção, da narrativa) e pela eficácia de resultados, “The Thing from Another World” é, com toda a justiça, um cult movie e um classic.

 

Obrigatório.

 

“The Thing from Another World” tem edição portuguesa, sem qualquer tipo de extras. O filme tem edição noutros mercados. A edição mais recomendável é uma edição inglesa, de dois discos, onde temos direitos às versões a P&B e a “cores”, a uma nova remasterização (P&B), acrescido de um bónus perfeito para os nerds – um apaixonado, cinéfilo e bem explicativo comentário de John Carpenter (The Master faria um fabuloso, perturbante e aterrorizante remake deste filme, em 1982).

The Thing from Another World - screenshot 7

Realizadores: Christian Nyby, Howard Hawks (sem crédito)

Argumentistas: Charles Lederer, Howard Hawks (sem crédito), Ben Hecht (sem crédito), a partir do conto de John W. Campbell Jr. (“Who Goes There?”, com o pseudónimo de Don A. Stuart)

Elenco: Margaret Sheridan, Kenneth Tobey, Robert Cornthwaite, Douglas Spencer, James Young, Dewey Martin, Robert Nichols, William Self, Eduard Franz, Sally Creighton, James Arness, Robert Bray

 

Mercado doméstico – 1.9 milhões de Dólares (USA)

The Thing from Another World - Poster 1

Trailer

 

O filme

http://www.dailymotion.com/video/x240zj8_the-thing-from-another-world-1951-feature_shortfilms

The Thing from Another World - Poster 4

“Filme a Preservar”, pelo National Film Preservation Board USA 2001.

The Thing from Another World - lobbycard 1

Ainda hoje há controvérsia sobre quem realizou o filme. Ao que tudo indica, foi Christian Nyby (editor de Hawks em muitos filmes), com Hawks a fazer os ensaios com os actores. Mas há quem afirme que foi sempre Hawks a comandar as filmagens, com Hawks a dar o crédito a Nyby como favor, para que este obtivesse entrada no Director’s Guild. Fala-se também que Hawks deu a Nyby um salário de 5.460 Dólares, de um total de 50.000 entregues pela RKO, tendo Hawks ficado com o que sobrou.

Fala-se que Ben Hecht e William Faulkner, ambos amigos de Hawks e prestigiados argumentistas, deram uma ajuda no argumento. Contudo, já foi desmentido um rumor que dizia que Orson Welles também teria ajudado.

 

É o primeiro de dois filmes que Hawks fez com a sua companhia produtora – a Winchester Pictures Corporation. Winchester era o nome do meio de Hawks.

 

Howard Hawks teve enormes dificuldades em arranjar seguro para as pessoas que interpretavam a Coisa. Tudo porque ela era sujeita a frio e calor extremos, atacada por cães e machados, queimada e electrocutada.

Filmado no Glacier National Park e numa fábrica de conservação através de gelo.

Hawks pediu uma colaboração à Força Aérea Americana, mas esta rejeitou. Como a entidade negava a existência de UFO, seria estranho apoiarem um filme que mostrava o contrário.

O momento em que a equipa faz um círculo à volta da nave foi filmado no rancho da RKO, em San Fernando Valley.

Quando a criatura é queimada com querosene, tal cena marca a primeira vez/stunt que um stunt-man foi “queimado”. Tom Steele, um veterano stunt-man, fez a cena, com um fato e um capacete especiais, como oxigénio a ser-lhe fornecido de forma independente.

The Thing from Another World - screenshot 10

James Arness achou tão lamentável a sua prestação (o actor afirmou que a Coisa parecia uma cenoura gigante), que nem apareceu na Premiere.

Billy Curtis é anão e tal foi necessário para uma cena onde a Coisa é… pequena.

Nunca se faz um close-up à Coisa. Os técnicos de make-up achavam que tal poderia denunciar as imperfeições do trabalho. O facto da criatura ser sempre mostrada à distância permite que ela tenha um maior impacto.

Lee Greenway, responsável pelo make-up, demorou 5 meses e 18 esculturas diferentes da Coisa para conseguir agradar a Hawks.

 

Custos da Coisa – 40.000 Dólares.

The Thing from Another World - Logo

O genérico inicial apenas mostra o título do filme. E de forma bem original (que seria homenageada por John Carpenter no seu remake).

 

Num momento alguém se refere a um fotógrafo que conseguiu fotografar uma execução, na cadeira eléctrica, de Ruth Snyder e Judd Grey. O fotógrafo é Tom Howard, do Chicago Tribune, que conseguiu assistir à execução com uma minúscula máquina fotográfica.

Num momento, alguém afirma que sabe usar uma arma porque viu Gary Cooper em “Sergeant York”. É uma referência a um (grande) filme de Hawks (que valeu um Oscar a Cooper).

Who Goes There - Book Cover 1

Who Goes There - Book Cover 2

Who Goes There - Book Page 1

O filme limita-se a usar a ideia genérica contida no conto de John W. Campbell Jr. – um grupo de pessoas assoladas por uma criatura extra-terrestre.

Há diferenças entre o livro e o filme – no livro, a Coisa consegue imitar qualquer forma de vida (desde o corpo até à mente); no filme, a Coisa tem uma estrutura celular quase vegetal, precisa de sangue, é imune às balas, mas não a outras forças destrutivas. O remake de Carpenter mantém muitos dos detalhes do livro de Campbell.

 

O filme foi um grande sucesso nesse ano e superou outros títulos clássicos e míticos desse ano – “The Day The Earth Stood Still” e “When Worlds Collide”.

 

Reconhecimentos a “The Thing from Another World”, pelo American Film Institute:

  • “100 Years…100 Thrills – #87
  • “100 Years…100 Heroes and Villains” – The Thing esteve nomeado
  • “100 Years…100 Movie Quotes” – “Watch the skies, everywhere, keep looking! Keep watching the skies!” esteve nomeada
  • “100 Years…100 Movies” – o filme esteve nomeado
  • “Top 10 Sci-Fi Films” – o filme esteve nomeado

 

Consequências a “The Thing from Another World”:

  • John Carpenter`s ´The Thing`” (1982) – remake assinado por Carpenter, com Kurt Russell, que procurou ser mais fiel ao livro de Campbell. Flop imenso na época, tremendamente odiado, ganhou um (gigantesco) estatuto de culto ao longo do tempo, sendo aclamado como uma das obras-primas (máximas) do cineasta, do género e do Cinema. Recorre a brilhantes, assustadores e inovadores efeitos de make-up. Carpenter homenageia o filme de Hawks no genérico inicial.
  • The Thing” (2011) – prequela ao filme de Carpenter, com laivos de remake (disfarçado e não-assumido – até porque o argumento não permite grande margem de manobra criativa); realizado pelo estreante Matthijs van Heijningen Jr., conta com o protagonismo de Mary Elizabeth Winstead. Foi igualmente um flop. Faz recurso a efeitos CGI, homenageia permanentemente o filme de Carpenter e faz um grande (e notável) esforço em alinhar os eventos descritos com as consequências vistas no filme de Carpenter.

 

Ridley Scott, John Frankenheimer, Tobe Hooper e John Carpenter, todos citam “The Thing from Another World” como uma forte influência sobre eles.

 

Fan site do filme

http://www.celtoslavica.de/chiaroscuro/films/thing/the_thing.html

 

Fan site do remake de John Carpenter

http://www.houseofhorrors.com/thing.htm

 

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