Encruzilhada (1947)

Crossfire - Poster 3

Título Original – Crossfire

 

Excelente elenco. Excelente realizador. Argumento adaptado de um relevante escritor (que ser tornaria um dos mais importantes dramaturgos e realizadores de Hollywood).

Murder Mystery com contornos de crítica sobre o anti-semitismo.

 

Um homem, judeu, é morto à pancada, de forma que se percebe como sendo cruel e odiosa.

A suspeita passa um grupo de militares que conviveram com a vítima durante a noite.

Mas quem? É que a versão de cada um contradiz a do outro.

Crossfire - screenshot 1

Crossfire - screenshot 7

Murder Mystery com toques de Film Noir, passado no meio militar.

A diferença face ao habitual é que muita da narrativa é contada em flashbacks, mas pelas diversas perspectivas de vários personagens, onde cada versão contradiz a outra, deixando assim permanentes dúvidas ao polícia protagonista e ao espectador.

Não é um ensaio sobre a verdade ou a mentira, nem uma visão intimista sobre os meandros militares na forma como o sistema limpa a sua roupa suja, nem sequer um panfleto contra o anti-semitismo.

“Crossfire” é “apenas” um thriller de suspense, entretido e envolvente, que arrasta a resolução do mistério até ao fim.

Crossfire - screenshot 2

Crossfire - screenshot 3

Boa prestação do elenco.

Muito boa fotografia, com o P&B e o uso das sombras a estar em sintonia com o negrume da narrativa e da psicologia de alguns personagens.

 

Edward Dmytryk dirige com competência, dando o devido ritmo.

 

“Crossfire” não tem edição portuguesa, mas pode ser encontrado noutros mercados. Tal como no filme, há um verdadeiro “fogo cruzado” ao cinéfilo, mas a nível de preços.

Crossfire - screenshot 6

Crossfire - screenshot 4

Realizador: Edward Dmytryk

Argumentista: John Paxton, a partir de um livro de Richard Brooks (“The Brick Foxhole”)

Elenco: Robert Young, Robert Mitchum, Robert Ryan, Gloria Grahame, Paul Kelly, Sam Levene, Jacqueline White, Steve Brodie

 

Orçamento – 250.000 Dólares

Bilheteira – 1.3 milhões de Dólares

Crossfire - Poster 1

Trailer

Crossfire - Backstage - 1

“Crossfire” teve várias e relevantes nomeações para os Oscars 1948 – “Melhor Filme” (perdeu para “Gentleman’s Agreement”), “Melhor Realizador” (Edward Dmytryk foi derrotado por Elia Kazan em “Gentleman’s Agreement”), “Melhor Actor Secundário” (Robert Ryan perdeu para Edmund Gwenn em “Miracle on 34th Street”), “Melhor Actriz Secundária (Gloria Grahame não teve hipótese face a Celeste Holm em “Gentleman’s Agreement”), “Melhor Argumento” (“Miracle on 34th Street” foi preferido)

“Crossfire” esteve nomeado nos BAFTA 1949, para “Melhor Filme”, mas perdeu para “Hamlet”.

 

“Melhor Filme Social”, em Cannes 1947.

“Melhor Filme”, nos Prémios Edgar Allan Poe 1948.

“Top 10 do Ano”, pela National Board of Review 1947.

Crossfire - Promo Photo 1

O livro de Brooks lidava com a homofobia. A adaptação cinematográfica foca o anti-semitismo.

Brooks escreveu o livro ainda nos seus tempos como militar (era Sargento dos U.S. Marine Corps). A vítima era homossexual. Mas como o Code de Hollywood proibia qualquer menção a essa situação, o argumento cinematográfico teve de fazer mudanças – escolheu-se o anti-semitismo.

 

Filmado em 20 dias. O facto de Edward Dmytryk preferir filmar a P&B também ajudou.

 

Gloria Grahame considera Ginny como a sua personagem favorita de todas as que tinha interpretado.

Robert Mitchum nunca gostou de ter feito o filme, pois achava que qualquer americano podia ter interpretado o seu personagem.

Robert Ryan e Richard Brooks foram ambos Marines durante a Segunda Guerra Mundial. O actor chegou a pedir ao escritor que o chamasse para um personagem (o que Ryan intepreta) se o seu livro chegasse a ser lavado ao Cinema.

 

Chegou a correr o boato de que o filme falhou os Oscars devido ao facto de Dmytryk e Adrian Scott (produtor do filme) terem recusado prestar declarações ao Comité de Actividades Anti-Americanas. Dmytryk (um canadiano tornado cidadão americano um ano antes) chegou a fazer parte do “Hollywood 10” elaborado pelo comité e fez parte da blacklist.

 

O filme teve uma adaptação radiofónica. Todo o elenco retomou os seus personagens.

 

O filme chegou a ser mostrado em bases militares do Exército americano. Mas em bases da Marinha, o filme não teve essa sorte.

 

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