Exterminador Implacável 3: Ascensão das Máquinas (2003)

Terminator 3 - Poster 3

Título Original – Terminator 3: Rise of the Machines

 

Perante a forma como terminou “Terminator 2”, parecia que a saga tinha chegado ao fim.

Mas não.

Conseguiu-se pegar em algo para a continuar.

E com ideias muito interessantes.

 

Passaram-se 10 anos desde os eventos de “Terminator 2”.

John Connor vive à deriva, mas em paz.

Mas por pouco tempo.

Dois Terminators (um mais avançado, outro mais obsoleto) surgem na cidade e procuram-no.

Um quer protege-lo. O outro quer matá-lo.

Quem vencerá?

Mas acima de tudo, porquê este novo duelo? Então não ficou tudo resolvido no filme anterior?

Terminator 3 - screenshot 1

“Terminator 3” estava pensado como uma das grandes sensações para o Verão cinematográfico de 2003, mas viu-se prejudicado pelo impacto mediático e pelas elevadas expectativas causadas (e com os consequentes depósito$ do público nas bilheteiras) por “The Matrix Reloaded” (bem como pelos sucessos gigantescos de “Finding Nemo” e “Pirates of the Caribbean”).

 

“Terminator 3” não traz o poder épico e narrativo dos episódios anteriores (Jonathan Mostow não tem a genialidade visionária de James Cameron, mas é um muito competente artesão, digno herdeiro do melhor cinema B americano – os seus anteriores “Breakdown” e “U-571” são autênticas pérolas, pela eficácia do entretenimento, pela excelente economia técnica e narrativa, bem como pela nostalgia B que evocam).

 

Jun 30, 2003; Hollywood, CA, USA; KRISTANNA LOKEN as T-X in the sci-fi, action, thriller "Terminator 3: Rise of the Machines" directed by Jonathan Mostow. Mandatory Credit: Photo by C-2 Pictures/ZUMA Press. (©) Copyright 2003 by Courtesy of C-2 Pictures

Mesmo assim, o filme conta com um interessante argumento (que aproveita espaços em branco deixados pelo episódio anterior, mostrando que o Judgment Day não tinha sido, afinal, cancelado) ainda que por vezes um pouco repetitivo (afinal, a ideia do confronto entre dois Terminators – um mais antiquado e outro mais avançado — pela vida/morte de John Connor, já tinha sido abordada no episódio anterior), faz um fim a um ciclo e permite o início de outro (o final do filme, acaba por ser o princípio de outro; na altura já se falava de um quarto episódio, com a saga a ter uma oportunidade de ser reformulada – Schwarzie ia deixar de ser um exterminador de humanos e ia ser um Terminator da governação na Califórnia).

Resulta igualmente interessante a ideia que a Resistência do futuro terá vários líderes, permitindo assim uma expansão da narrativa em termos de personagens.

Terminator 3 - screenshot 13

Mostow dirige com bom ritmo, homenageando os filmes de Cameron no primeiro terço (a chegada dos Terminators, sem se saber quais as intenções de cada um, até ao primeiro e explosivo embate, onde ficam definidas as missões de cada um), criando cenas de acção muito boas (a perseguição automobilística está impecavelmente executada e planeada – Mostow já tinha feito uma cena do género, no seu primeiro filme, que é digna de ser estudada numa escola de Cinema).

 

Há algum humor (o T-800 a interromper uma strip night para mulheres; o T-800 à procura dos óculos que causem mais impacto; a T-X a fazer crescer o peito).

Agradece-se o não exagero no uso dos efeitos digitais.

Prodigiosos (como seria de esperar) são os efeitos de robótica (o subtítulo “Rise of the Machines” não é por acaso), onde Stan Winston e a sua equipa mostram o supremo da área.

Elogia-se o final (relativamente) inesperado.

Terminator 3 - screenshot 15

Arnie continua convincente como Terminator, tentando até retomar o tom dark do primeiro filme, deixando de ser a figura simpática, parternal e evolutiva do segundo filme. O registo é que fica a meio termo, entre o temor criado no primeiro filme e o musculado heroísmo no segundo filme.

Nick Stahl não se sai mal como John Connor, ilustrando bem as suas angústias.

Claire Danes é uma surpresa no género e devolve à série toda a virilidade feminina dos episódios anteriores (vejam a sua atitude no corredor face a um dos robots).

Kristanna Loken é que domina o filme. Belíssima como mulher, consegue ser inquietante na sua presença, pois provoca um misto de medo de desejo.

Terminator 3 - screenshot 5

Oct 16, 2002; Hollywood, USA; Actress KRISTANNA LOKEN stars as T-X in the futuristic action thriller movie 'Terminator 3: Rise of the Machines.'  Mandatory Credit: Photo by Warner Bros./ZUMA Press.  (©) Copyright 2002 by Warner Bros.

“Terminator 3” retoma a tradição B do filme original (embora o orçamento seja épico) e não tem outra pretensão que o divertimento, conseguindo até acrescentar boas ideias a uma saga que se pensava já estar concluída.

 

“Terminator 3” tem edição portuguesa (em DVD e Blu-Ray), a preços diversos. Noutros mercados pode ser possível encontrar melhor preçario.

 

Oct 16, 2002; Hollywood, USA; Actors KRISTANNA LOKEN as T-X and ARNOLD SCHWARZENEGGER as The Terminator star in the futuristic action thriller movie 'Terminator 3: Rise of the Machines.'  Mandatory Credit: Photo by Warner Bros./ZUMA Press.  (©) Copyright 2002 by Warner Bros.

Realizador: Jonathan Mostow

Argumentistas: John D. Brancato, Michael Ferris, Tedi Sarafian

Elenco: Arnold Schwarzenegger, Nick Stahl, Kristanna Loken, Claire Danes, David Andrews, Earl Boen

 

Orçamento – 200 milhões de Dólares

Bilheteira – 150 (USA); 433 (mundial)

Terminator 3 - Poster 2

Trailers

Terminator 3 - screenshot 10

“Melhor Música”, nos Prémios ASCAP 2004.

Esteve nomeado em várias categorias, nos Prémios Saturn 2004. “Melhor Filme de Ficção Científica” (“X-Men 2” ganhou), “Melhor Actriz Secundária (Kristanna Loken foi derrotada por Ellen DeGeneres em “Finding Nemo”).

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Ao longo dos 90s, Cameron chegou a anunciar um “T3”, mas nunca chegou a ter um argumento completo. A falência da Carolco (produtora de “T2”) levou a um leilão dos bens (incluindo direitos sobre filmes). Chegou-se a tentar uma parceria entre a 20th Century Fox (que tinha, e ainda tem, Cameron sob contrato) e Gale Anne Hurd (ex-esposa de Cameron, co-argumentista e produtora do primeiro filme, que detinha uma parte dos direitos), mas nada avançou. Mario Kassar e Andrew G. Vajna (fundadores da Carolco e produtores de “T2”) fundam a C2, compram a totalidade dos direitos e contratam Tedi Sarafian para escrever “T3”.

Sarafian elabora um argumento que obriga a um orçamento brutal (uma cena levava um Boeing a cair no centro de L.A. e a destruir metade da cidade), mostra John com um programador que é perseguido por uma Terminatrix que consegue ficar invisível. Jonathan Mostow já estava escolhido como realizador e recusa o argumento. Pede um novo à dupla John Brancato & Michael Ferris (“The Net”, “The Game” – filme produzido por Mostow). Sarafian ainda viu mantidas algumas das suas ideias (Terminator feminino, ausência da Sarah Connor) e o seu nome aparece nos créditos.

Perante os convites para esta sequela, Schwarzie afirmou que só a faria se James Cameron a realizasse. Cameron nunca mostrou interesse, mas aconselhou o actor a fazer o filme e a exigir uma pipa de massa como salário. Schwarzie recebeu cerca de 30 milhões de Dólares (um recorde na época) e o seu contrato era de 33 páginas, com a cláusula “play or pay” (Schwarzie seria pago, fosse o filme feito ou não). Os luxos incluíam um ginásio privativo móvel, guarda-costas, suite premium, limousines, 20% das receitas em todos os mercados. Schwarzie também tinha direito de escolha do realizador, elenco e pessoal técnico e logístico ligado a ele.

Quando Schwarzie mostrou interesse no filme, encontrou muita relutância por parte de vários estúdios. O actor achou que seria devido à sua recente e delicada operação cirúrgica.

Ridley Scott (preferiu fazer “Black Hawk Down”), Roland Emmerich, David Fincher, Christian Duguay, Michael Bay, Ang Lee (preferiu fazer “Hulk”) e John McTiernan foram considerados como realizador. Cameron recusou fazer o filme, pois achou que já tinha feito um full circle narrativo com “The Terminator” e “Terminator 2”.

Edward Furlong ia regressar como John Connor, mas problemas ligados a drogas e álcool tiram-no de cena. Nick Stahl foi escolhido (curiosamente, Stahl recusaria ser Connor em “Terminator Salvation”).

Vários actores foram pensados para ser o Terminator mau – Vin Diesel, Shaquille O’Neal, Famke Janssen.

Para além de Schwarzie, regressa Earl Boen (o Dr. Silberman), sendo assim os únicos actores constantes nos três filmes. Este seria o último filme de Boen na saga.

Lance Henriksen iria regressar (vinha do primeiro filme), mas a ideia foi recusada.

Linda Hamilton ia participar no filme, mas recusou.

Claire Forlani, Carrie-Anne Moss, Peta Wilson, Jeri Ryan foram sondadas para interpretar Kate Brewster, que seria entregue a Claire Danes.

Stan Winston participa no filme por exigência de Schwarzie.

Seria o primeiro de dois novos filmes. Mas o segundo ficou cancelado devido aos compromissos políticos de Schwarzenegger.

Terminator 3 - backstage 1

Arnold Schwarzenegger treinou arduamente até ter o mesmo aspecto físico que em “Terminator 2”.

Kristanna Loken treinou no uso de armas e de luta, bem como em mímica (principalmente em expressões faciais e corporais).

Schwarzie pôs 1.4 milhões de Dólares, do seu próprio bolso, para a cena da perseguição envolvesse o choque de uma grua com um edifício.

A estação de combustível vista no filme é a mesma vista em “The Terminator” (na cena final) e em “Terminator 2” (onde o grupo descansa depois da fuga do hospício).

Alguns dias depois do início das filmagens, Jonathan Mostow teve de subsituir Sophia Bush (considerada demasiado jovem) por Danes. Danes estudava o guião à medida que as filmagens decorriam.

Terminator 3 - screenshot 16

O icónico “I’ll be back” é agora substuído por “She’ll be back” e “I’m back“.

Em “The Terminator” e “Terminator 2” usa-se a frase “Come with me if you want to live“. Em “Terminator 3” muda-se para “Do you wanna live? Come on!“.

Terminator 3 - backstage 2

Os robots vistos na cena final são verdadeiros e não efeitos digitais – tudo obra de Winston e da sua equipa.

Winston e sua equipa criaram umas tão perfeitas réplicas robóticas dos actores, que quase se confundem com os verdadeiros. O objectivo era usá-las em cenas que envolviam explosivos e assim proteger os actores.

Os crânios eram feitos a partir de bolas de ping-pong.

O acelerador de partículas é um digital matte painting. Se fosse real, iria custar cerca de 1.5 milhões de Dólares. Foi preciso cerca de um ano para animar o momento em que a T-X fica magnetizada à estrutura.

Terminator 3 - screenshot 4

Quando Danes ataca Schwarzie, ela fá-lo com grande intensidade. A actriz seguiu o pedido do actor.

Quando o T-800 se desliga, Schwarzie consegue ficar totalmente imóvel, sem ajuda de efeitos visuais.

Cameo de Billy D. Lucas, um stuntman de Schwarzie – é o homem zangado com John, depois de ele lhe ter estatifado o carro.

A Toyota forneceu 7 modelos Tundra. Todos foram destruídos.

A grua onde vai preso o T-800 e o edifício onde ele choca demoraram duas semanas a serem construídos. Mas o momento do choque e a destruição gerada era de tal modo perigosa, que tudo teve de ser feito de forma digital.

A perseguição automobilística demorou seis meses a editar. Dias antes de ser filmada, nos ensaios, a grua ficou estragada. Comprar uma nova ficaria demasiado caro, pelo que houve que trabalhar em regime 24/7 para a reparar.

Essa cena foi filmada numa fábrica da Boeing. Obrigou à construção de uma avenida de 400 metros. 14 cãmaras filmaram a cena.

Terminator 3 - screenshot 11

Eis a cena:

Terminator 3 - screenshot 7

Na perseguição no cemitério, a T-X no tejadilho é digital.

Eis a cena:

Terminator 3 - backstage 3

Na luta final, os dois Terminators são uma mistura de actores, animatronics e efeitos digitais.

Planearam-se momentos de destruição à volta de Hollywood e da Estátua da Liberdade. Mas e equipa de efeitos visuais achou que tal traria demasiadas memórias do 9/11.

Nos filmes anteriores, as réplicas de quem destrói o Terminator mau são “You’re terminated, fucker” (em “The Terminator”) e “Terminated” (em “Terminator 2”). Aqui diz-se apenas “You are Terminated!“.

A confrontação entre T-800 e T-X na casa de banho demorou duas semanas.

Muitas das funcionárias de Schwarzie surgem na cena no bar.

Terminator 3 - screenshot 14

As armas usadas por T-X:

  • P31 Caustic Shells x231 HDE-Predator
  • Finite Rapid Cluster Gun .45mm Cascader Nano-Disruptor (.222mm)
  • SUBauro Neutralizer (.444) IAD-CHemTech

 

O arsenal que Sarah Connor guardou:

  • uma metralhadora calibre 30
  • várias AK-47 7.62 mm
  • pistolas Glock 9.0 mm
  • granadas H&W
  • rockets LAW anti-tanque rocket
  • MK-19 grenade launcher 40 mm
  • Explosivo C4
  • Baretta 9.0 mm
  • Stoner 63A.30
  • RPG-7 grenade launcher

 

Num argumento prévio, John Connor é programador activo no projecto Skynet. Sarah Connor também apareceria.

T-X ia chamar-se T-1G. O argumento andou sempre na dúvida se o Terminator mau seria macho ou fêmea.

Uma cena (apagada) explica porque os T-800 têm o aspecto de Arnold Schwarzenegger.

Ei-la:

Mostow queria que o T-800 deste filme não fosse tão sentimental e apegado a John como o de “Terminator 2”.

Terminator 3 - screenshot 9

Mostow estava nervoso quando mostrou o filme a Cameron. Este teceu elogios ao filme.

Foi o último filme de Schwarzie antes de se tornar Governador da Califórnia em Outubro de 2003.

Um primeiro poster publicitário dizia “The War Begins 2003”. Mas devido ao ambiente político da época e ao conflito no Iraque, a tagline foi alterada para “Coming Soon”.

 

Título durante as filmagens – “York Square”.

A novelização do filme dá mais detalhes sobre a relação de Kate com o pai.

 

Fizeram-se vários videogames – “Terminator 3: Rise of the Machines”, da Atari, Xbox, PlayStation 2 e Game Boy Advance; “Terminator 3: War of the Machines”, um first-person shooter para PC; “Terminator 3: The Redemption”, para Xbox, PlayStation 2 e Nintendo GameCube.

 

Um esclarecimento sobre os eventos ao longo do tempo.

http://www.empireonline.com/features/terminator-timeline/

 

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