Sem Limites (1996)

Sem Limites - Poster 1

Título Original – Bound

 

Antes da consagração com “The Matrix”, os Wachowski começavam com este divertido filme.

Um film noir moderno, perverso e… lésbico.

 

Violet está casada com Caesar. Ela leva uma vida de luxo graças a ele, que lava dinheiro para a Máfia.

Corky é uma ex-ladra e ex-presidiária, que trabalha como canalizadora. O seu recente trabalho lava-a à casa de Violet.

A paixão nasce entre Violet e Corky e juntas decidem dar uma golpada – roubar 2 milhões de Dólares a Caesar.

Mas tudo sofre um revés inesperado e violento.

Bound - screenshot 3

Estilizado, elegante, violento, divertido, sexy, sensual, sinuoso, atrevido, irreverente, pleno de surpresas e reviravoltas, “Bound” pega nos clichés do film noir, brinca com eles e faz um twist lésbico.

 

Argumento bem organizado e contado, capaz de surpreender sempre o espectador, seja à volta dos acontecimentos como da atitude dos personagens.

Bound - screenshot 4

O Wachowski dirigem atentos ao ritmo, à tensão, sem esquecerem a elegância da realização e a criativas ideias de mise en scène:

  • O roubo, mostrado em paralelo com o planeamento (um excelente exemplo de exemplar montagem).
  • A encenação do tiroteio (o uso da slow motion e os ângulos de câmara).
  • Grande suspense (o despachar dos cadáveres e a chegada da polícia).
  • A conversa telefónica entre as protagonistas (a forma como se cria a ilusão que estão juntas, ainda que separadas pela parede).

 

Brinca-se á Hitchcock – “The Rope” (espaço fechado, personagens em tensão, ambiente gay) e “Topaz” (a queda de uma vítima), com grande atenção aos detalhes.

 

O trabalho dos actores é excelente.

Jennifer Tilly parece uma sonsinha e revela-se uma sabida.

Gina Gershon pega nos tiques do bad boy clássico e transporta-os para o feminino.

Joe Pantoliano parece um frouxo e revela-se um perigo.

Bound - screenshot 1

Bound - screenshot 8

Bound - screenshot 7

Excelente fotografia (do grande Bill Pope – que com eles faria a trilogia “The Matrix” e voltaria a mostrar a sua mestria em “Spider-Man 2”).

 

Um excelente e auspicioso começo de carreira para os manos.

 

“Bound” tem edição portuguesa, mas encontrá-lo pode ser uma dificuldade. Tem edições diversas noutros mercados, a bom preço. A edição inglesa tem mais extras, principalmente no formado Blu-Ray.

Bound - screenshot 9

Realizadores: Irmãos Wachowski (Andy & Lana – mas na época eram Andy & Larry)

Argumentistas: Irmãos Wachowski (Andy & Lana – mas na época eram Andy & Larry)

Elenco: Gina Gershon, Jennifer Tilly, Joe Pantoliano, John P. Ryan

 

Orçamento – 4.5 milhões de Dólares

Bilheteira – 3.8 (USA)

 

Trailer

Bound - screenshot 6

“Melhor Filme”, “Melhor Actriz” (Jennifer Tilly), no FantasPorto 1997.

“Prémio Especial do Júri”, “Prémio da Crítica” no Festival de Deauville 1996.

“Prémio Especial do Júri”, no L.A. Outfest 1996.

“Reconhecimento Especial”, pela National Board of Review 1996.

“Menção Honrosa”, no Festival de Estocolmo 1996.

 

Teve várias nomeações para os Prémios Saturn 1997. “Melhor Thriller” (“Fargo” foi o eleito), “Melhor Actriz” (Gina Gershon foi derrotada por Neve Campbell em “Scream”), “Melhor Actor Secundário” (Joe Pantoliano foi derrotado por Brent Spiner em “Star Trek: First Contact”), “Melhor Actriz Secundária” (Jennifer Tilly foi derrotada por Alice Krige em “Star Trek: First Contact”), “Melhor Argumento” (“Scream” e Kevin Williamson foram preferidos).

Bound - screenshot 5

Produção de Dino de Laurentiis.

Foi com este filme que os Wachowski convenceram a Warner Bros. (estúdio que tem apoiado a carreira dos manos) a apostarem neles para “The Matrix”, um projecto que já vinha de 1995, ano de “Assassins” (um filme escrito por eles, realizado por Richard Donner, com Sylvester Stallone, Antonio Banderas e Julianne Moore, com produção de Joel Silver – que produziria para os manos a trilogia “The Matrix” e “Speed Racer”; o argumento de “Assassins” foi de tal modo alterado, que os Wachowski defendem que ainda se pode fazer o filme a partir do argumento original deles).

Os Wachowski inspiraram-se em filmes de Billy Wilder.

O filme fora rejeitado por diversos estúdios, devido ao carácter lésbico da história. Os estúdios queriam que se mudasse o sexo de uma das protagonistas. Os Wachowski defendiam-se dizendo que uma história assim já se tinha visto milhares de vezes e queriam fazer um twist aos clichés do género. De Laurentiis deu-lhes liberdade total.

Gina Gershon e Jennifer Tilly eram as eleitas, mas com os personagens opostos aos que interpretam.

Gershon inspirou-se em James Dean, Marlon Brando e Clint Eastwood.

Gershon recomendou Joe Pantoliano.

Pantoliano foi aconselhado a ver “The Treasure of Sierra Madre” e a inspirar-se no personagem de Humphrey Bogart.

É o último filme de John P. Ryan.

Marcia Gay Harden foi considerada como uma das protagonistas.

Os baldes têm o símbolo da Republic Films.

Susie Bright, uma reputada escritora de livros de forte índole sexual, mas também uma forte activista lésbica, foi consultora nas cenas lésbicas.

Cameo de Bright – é a lésbica no bar (nessa cena, a lésbica de cabelo cinzento é a ex de Bright).

Filmado em 38 dias.

Pouca improvisação houve. Tudo decorreu segundo o meticuloso planeamento dos Wachowski.

 

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