Waterworld (1995)

Waterworld - Poster 6

 

Foi considerado como o “´Mad Max (2)` Aquático”.

Foi, na época, o filme mais caro de sempre.

Foi um verdadeiro caos nas filmagens.

“Prometia” meter muita água (mas não apenas aquela que era obrigada pelo argumento e vista no ecran).

E afinal…

 

Futuro.

Os glaciares derreteram completamente devido ao forte aquecimento da Terra. Todo o planeta está coberto de água. Os sobreviventes organizam-se em atolls no meio do oceano e procuram defender-se contra uns elementos hostis (os smokers, que ainda usam combustíveis e dedicam-se a pilhar os víveres criados pelos outros).

Um mariner solitário acaba por se ver metido neste conflito.

Ao dar guarida a uma mulher e a uma criança, descobre um mapa para uma certa “terra seca”, que escapou ao afogamento dos continentes.

Mas os três começam a ser perseguidos pelos smokers.

Waterworld - screenshot 1

O início do filme dá o mote – o logo da Universal (o estúdio produtor do filme) e a ilustração do que aconteceu ao planeta (o símbolo do estúdio é a Terra) depois do derreter dos glaciares.

Waterworld - screenshot 2

Waterworld - screenshot 3

Há uma colagem óbvia a “Mad Max 2”, quer a nível narrativo (a organização do argumento é muito, muito semelhante) e visual (basta substituir a terra por água, o deserto pelo oceano, perseguições de veículos dão lugar a perseguições em embarcações).

Mas se o filme de George Miller vai directo ao assunto (numa admirável lição de economia narrativa e técnica), o filme de Kevin Reynolds (e de Kevin Costner – já explico) precisa de mais tempo (e o extended cut ainda mais) e espaço, mas não consegue dar mais adendas narrativas ou emocionais.

Waterworld - screenshot 4

Waterworld - screenshot 5

Waterworld - screenshot 6

Waterworld - screenshot 7

Há boas ideias (fumadores e o uso de combustível como algo nefasto; a importância dada a revistas e a terra; o protagonista é um mutante – tem guelras e é anfíbio) e momentos memoráveis (as panorâmicas aéreas do oceano; o atoll no meio do mar; o mergulho até a uma grande metrópole já submersa; a aparição da ilha).

Waterworld - screenshot 8

Waterworld - screenshot 9

Waterworld - screenshot 10

Waterworld - screenshot 11

Kevin Costner esforça-se como action hero, sai-se bem, mas cria um personagem algo indigno da nossa simpatia. É demasiado egoísta e acaba por se redimir mais por uma permanente pressão dos personagens em redor do que por alguma decisão da sua consciência.

(em comparação, Mel Gibson é melhor como action hero, o seu “Mad” Max é muito mais icónico, e a sua redenção surge por força das circunstâncias)

Waterworld - screenshot 12

Waterworld - screenshot 13

Kevin Reynolds aproveita bem a paisagem, cria imagens de encher o olho e até encena boas cenas de acção (a confrontação no atoll). Apesar da longa metragem, o ritmo não é cansativo, embora haja, aqui e ali, uma cena ou outra que poderia ser mais encurtada ou mesmo ter ficado na sala de montagem.

Waterworld - screenshot 14

Waterworld - screenshot 15

Waterworld - screenshot 19

Belíssima fotografia do grande Dean Semler (“por acaso”, autor da fotografia de… “Mad Max 2”).

Notável trabalho de cenografia (o atoll no oceano).

Waterworld - screenshot 16

Mas “Waterworld” é então a grande “aguada” que se pensava, esperava ou até se disse na época?

Waterworld - screenshot 17

Waterworld - screenshot 18

Não.

Sobra um grande espectáculo visual, que só pode ser disfrutado num generoso ecran. O espectáculo é mesmo impressionante, tendo em conta a paisagem e a logística monumental que o filme envolveu. São criadas cenas incríveis (as perseguições no oceano).

A parábola ambientalista e até mesmo humana é bastante pertinente, ainda que o argumento não desenvolva tudo isso da melhor forma (o filme acaba por ser “apenas” um actioner épico e de luxo, mas sem poder de perturbar ou fazer pensar – algo que Miller conseguiu com qualquer um dos “Mad Max”, sem deleixar o entrenimmento).

Não é a idiotice que muita gente proclamou (devido ao buzz que a imprensa fez devido ao caos nas filmagens) mas não é o título poderso que poderia ser (James Cameron ou Paul Verhoeven saberiam sacar mais sumo deste material – saberiam aliar o espectáculo cinematográfico a um argumento mais poderoso e fascinante).

Waterworld - screenshot 20

Waterworld - screenshot 21

O extended cut (quase de três horas, com mais 40 minutos face ao theatrical cut) alarga mais algumas cenas, seja para apreciação da paisagem, seja para ilustrar ambientes, seja para desenvolver relações entre personagens, ou mesmo para extender as cenas de acção.

Mas há, frequentemente, uma sensação de arrastar do que mais-valia visual e/ou narrativa.

Waterworld - screenshot 23

Apesar de tudo, “Waterworld” fica como um grande espectáculo, um bom entretenimento, marcando o seu lugar na História do Cinema mais pelos seus desaires (um dos filmes mais caros e caóticos de sempre) do que pelos seus méritos.

 

“Waterworld” tem edição portuguesa e anda a preço já bem “aguado”. A edição traz o theatrical cut.

Nos USA existe uma edição dupla, com o theatrical cut (135 minutos) e o extended cut (176 minutos). A edição é isenta de extras (é pena, ao fim de tanto tempo já era tempo de se fazer um documentário decente e devidamente explicativo sobre as filmagens, bem complicadas, deste épico). O preço anda jeitoso.

Waterworld - screenshot 22

Realizadores: Kevin Reynolds, Kevin Costner (sem crédito)

Argumentistas: Peter Rader, David Twohy

Elenco: Kevin Costner, Jeanne Tripplehorn, Dennis Hopper, Tina Majorino

 

Orçamento – 175 milhões de Dólares

Bilheteira – 88 (USA); 264 (mundial)

Mercado doméstico – 42 (USA)

 

Trailers

 

Waterworld - Poster 2

“Melhor Música”, nos Prémios ASCAP 1996.

Nomeado para “Melhor Filme de Ficção Científica”, nos Prémios Saturn 1996. Perdeu para “Twelve Monkeys”.

“Melhor Filme – Internacional”, nos Golden Camera 1998.

“Pior Actor Secundário” (Dennis Hopper), nos Razzie 1996. Também esteve nomeado para “Pior Filme”, mas “Showgirls” foi preferido. Kevin Costner “quis ser” o “Pior Actor” (Pauly Shore, em “Jury Duty”, foi escolhido) e Kevin Reynolds “tentou ser” o “Pior Realizador” (Paul Verhoeven, por “Showgirls”, foi eleito).

Waterworld - backstage 1

Gene Hackman, James Caan, Gary Busey, Laurence Fishburne e Gary Oldman, todos rejeitaram ser Deacon.

Samuel L. Jackson recusou o personagem de Deacon (entregue depois a Hopper) para participar em “Die Hard With a Vengeance”.

Anna Paquin era a primeira escolha para interpretar Enola. Tina Majorino foi depois escolhida.

Robert Zemeckis era a primeira escolha para realizador, por parte do estúdio.

Costner sempre pediu que fosse Reynolds o realizador.

O argumento teve 36 versões e envolveu seis argumentistas.

O argumento inicial de Peter Rader (que tem o seu nome no filme) era mais virado para uma aventura infanto-juvenil. Mariner era o líder do atoll, que gostava de pintar cavalos-marinhos; Helen teria dois filhos e Enola era adoptada; Deacon era um vilão algo tosco, que tinha um trono no “Exxon Valdez” e castigava os seus homems ao bater-lhes com peixe. David Twohy (“The Fugitive”, a saga “Riddick”) e Joss Whedon (“Buffy”, “The Avengers”) são convidados para fazerem alterações e dão um tom mais sério à narrativa.

Whedon (“Buffy”, “The Avengers”) foi chamado à última da hora para fazer uns ajustes ao argumento. Para Whedon foram (e como ele descreveu) sete semanas infernais.

Twohy afirma que teve como principal inspiração o filme… “Mad Max 2”.

Uma das versões do argumento visava uma explicação para os eventos através da gravidade lunar em vez do aquecimento global. Ver-se-ia uma segunda lua no céu.

Durante as filmagens, os dois Kevins (Costner e Reynolds, amigos há muitos anos e com colaborações juntos – Reynolds ajudou nalgumas cenas de “Dances With Wolves”, Costner protagonizou-lhe “Fandango” e “Robin Hood: Prince of Thieves”, tendo-lhe produzido “Rapa Nui”) zangaram-se fortemente e Reynolds saiu de cena (há vozes que dizem que Costner o despediu, outras que dizem que Reynolds se cansou do caos das filmagens e foi embora). Coube a Costner terminar as filmagens. Reynolds chegou mesmo a afirmar que “Kevin (Costner) deveria protagonizar apenas os filmes que ele realiza, assim tem a certeza que trabalha com o seu realizador e actor preferido”. Quase 20 anos depois, os dois Kevins fizeram as pazes e colaboraram juntos na (elogiada e premiada) série “Hatfields & McCoys”.

Costner ficou num resort, a 4.500 Dólares ao dia, rodeado de luxos. O resto do cast & crew ficou em modestos bungalows, sujeitos a imenso calor. Isto também ajudou ao mau ambiente durante as filmagens.

Costner injectou no filme cerca de 22 milhões de Dólares, do seu próprio bolso.

Costner trabalhou 6 dias por semana.

Jeanne Tripplehorn recusou-se a aparecer despida no filme (apesar de já o ter feito, e faria, noutros filmes). Jeanne escolheu a sua body double e tratou-a sempre bem.

Waterworld - backstage 2

O atoll tinha um perímetro de mais de 400 metros.

O set montado no oceano esgotou todo o metal que havia no Hawaii. O que foi preciso, teve de ser enviado da Califórnia.

O set não tinha zonas de descanso. Quando necessário, barquinhos levavam as pessoas a um barco maior que estava estacionado perto.

Jeanne e Tina quase que se afogavam. Foi logo no primeiro dia das suas filmagens. A embarcação onde estavam virou e quase que as arrastou.

Terminadas as filmagens, Jeanne não conseguiu ir a uma piscina durante meses.

As filmagens tiveram de ser interrompidas por três vezes, devido a furacões.

No filme há uma referência a um certo “Old Saint Joe”. É uma referência a Joseph Hazelwood, mal-afamado capitão do mal-afamado barco “Exxon Valdez”, uma embarcação que transportava crude e que encalhou (por negligência) no Alaska, causando um enorme derrame e um grande desastre ambiental. O barco dos vilões chama-se “Valdez”. O verdadeiro “Exxon Valdez” chegou a ser salvo e reparado, hoje chama-se “Sea River Mediterranean” e é usado para limpeza de mares quando há derrames de crude.

O filme nunca especifica o ano em que se passa a acção. O production designer Dennis Gassner afirma que será o ano 2500.

John Bloomfield, o costume designer, criou mais de 2000 peças de roupa.

Mark Isham viu a sua música rejeitada (por Costner) por ser considerada como “demasiado étnica”. James Newton Howard substituiu-o.

Laird John Hamilton, um surfista prestigiado, dobrou Costner em muitas cenas.

Waterworld - screenshot 24

Na première japonesa, Costner queria aparecer no seu avião privado. Mas como não conseguiu autorização, pediu ajuda à Marinha. Esta autorizou, mas com a condição que Costner lhes mostraria o filme e seria anfitrião.

Perante o (relativo) flop nas bilheteiras, o filme recebeu os títulos (dentro dos nerds e da indústria) de “Kevin’s Gate” (piada a “Heaven`s Gate”, até então o maior flop do cinema recente; era um filme de Michael “The Deer Hunter” Cimino, que arruinou a sua carreira e a da United Artists) e “Fishtar” (piada a “Ishtar”, de 1987, de Elaine May, com Warren Beatty, Dustin Hoffman e Isabelle Adjani, uma desastrosa comédia, que mais que um gigantesco flop é um dos piores e mais imbecis filmes de sempre).

A produção do filme juntou 35 milhões de Dólares à economia do Hawaii.

 

Roger Corman tentou levar este projecto avante, anos antes. Mas deu conta que seria demasiado… caro. O custo? 3 milhões de Dólares.

 

Paralelamente ao filme, foram criados uma novela tie-in (da autoria de Max Allan Collins, que foca mais detalhes sobre o universo retratado no filme), um videogame (para Super Nintendo, Game Boy, PC), comics (“Waterworld: Children of Leviathan”, uma sequela em quatro números, da Acclaim Comics, editada em 1997; Mariner tem um look diferente pois Costner não aprovou o uso do seu look no filme; a sequela aborda algo do passado do personagem, dado que este parte em busca das suas origens; aborda-se também as causas do derreter dos glaciares; entra em cena um novo vilão, Leviathan, um antigo associado de Deacon; cria-se a ideia que Mariner não é um mutante ou um membro de uma espécie evoluída por força das mudança na Terra, mas sim uma criatura criada em laboratório, tal como uma outra criatura que surge no filme) e três attractions nos parques da Universal (Hollywood, Singapura e Japão, com o título “Waterworld: A Live Sea War Spectacular” – passa-se depois do filme, com Helen a regressa ao atoll para contar aos amigos que encontou a Terra Seca, é perseguida por Deacon – que tinha sobrevivido – e é salva por Mariner, que foi no seu encalço,dá-se uma batalha, Mariner e Helen regressam à Terra Seca e o atoll explode).

 

Há uma graphic novel, com o título “Aquablue”, de 1988, criada por Thierry Cailleteau, que visa um tema semelhante. Mas passa-se noutro planeta, acompanhando a sobrevivência de um astronauta e do seu robot, num planeta inundado.

Sobre “Aquablue”

http://www.bedetheque.com/serie-48-BD-Aquablue.html

 

 

Advertisements

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s