Autópsia de um Crime (1972)

Sleuth - 1972 - Poster 1
Título Original – Sleuth

 

Dois actores de génio.

Um prestigiado realizador.

Uma reputada peça de teatro.

Um jogo – cerebral e mortal.

 

Andrew Wyke, reputado e abastado escritor de policiais, convida Milo Tindle para um serão em sua casa. Milo é amante da esposa de Andrew, este sabe e em consequência propõe-lhe uma solução – Milo vai assaltar a casa de Andrew, roubar as jóias da mulher. Desta forma, Andrew fica com a indemnização do seguro e Milo tem como sustentar a amante.

Mas o serão revela-se um sagaz jogo sobre manipulação, humilhação e como cometer… o crime perfeito.

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Um viciante duelo de inteligências, onde não há bom ou mau, mas apenas a vitória do mais sagaz e a derrota do menos inteligente.

Isto é uma história de suspense e de jogos. Portanto, há twists & turns a toda a hora e momento, com o espectador (e personagens) a nunca saberem o que vai acontecer e o que (julga-se que) aconteceu. E o gozo é permanente para o cérebro – para quem aprecia interpretações, suspense e surpresas.

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O duelo também é de actores – Laurence Olivier (veja-se o festival de perversidade quando explica o plano ao rival, o festival de insegurança quando o seu jogo se vira contra ele) e Michael Caine (veja-se o festival de temor quando ameaçado, o festival de superioridade quando toma o controlo) estão em topo de forma, auxiliados por um guião sem máculas e uma exímia direcção.

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Joseph L. Mankiewicz dirige com mestria, elegância, ritmo (as quase duas horas e meia de duração nem se sentem), dando ênfase tanto aos actores, como ao suspense (as diversas reviravoltas) e ao humor (o roubo, Caine vestido de palhaço, Olivier a manipular).

 

O filme é sobre um jogo.

E todo o filme é um jogo. Um jogo interpretativo dos dois (geniais) actores, um jogo de surpresas dadas pelo argumento, um jogo de sedução dado pela realização.

O espectador é o jogador extra, estando sempre a ser levado, manipulado e surpreendido. Mas sempre a sair recompensado pela diversão cerebral.

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Uma delícia para o cérebro.

Uma delícia para qualquer fã de murder mysteries.

 

Se o assassinato é uma arte, “Sleuth” transforma tal numa outra arte. A arte da astúcia, da mente e do Cinema.

Uma obra-prima de Cinema.

 

“Sleuth” tem edição portuguesa e o preço ainda está “criminoso”.

Várias edições europeias trazem relevantes extras, pelo que são mais recomendáveis que a nossa.

 

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Realizador: Joseph L. Mankiewicz

Argumentista: Anthony Shaffer, a partir da sua peça

Elenco: Laurence Olivier, Michael Caine

 

Orçamento – 3.5 milhões de Dólares

Mercado doméstico – 5.7 milhões de Dólares (USA)

 

Trailer

 

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Laurence Olivier e Michael Caine estiveram nomeados para “Melhor Actor”, nos Oscars 1973. Venceu Marlon Brando por “The Godfather”. Joseph L. Mankiewicz tentou ser “Melhor Realizador”, mas perdeu para Bob Fosse em “Cabaret”.

“Melhor Filme Estrangeiro”, nos Prémios dos Argumentistas de Espanha 1974.

“Melhor Actor Estrangeiro” (Laurence Olivier), nos David di Donatello 1973.

“Melhor Filme”, nos Prémios Edgar Allan Poe 1973.

“Melhor Actor” (Michael Caine), nos Prémios do Evening Standard 1975.

“Melhor Actor” (Laurence Olivier), pelos críticos de Nova Iorque 1973.

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A peça de Anthony Shaffer estreou na Broadway em Novembro de 1970. Durou 1222 representações e venceu um Tony para “Melhor Peça”. Anthony Quayle (Andrew Wyke) e Keith Baxter (Milo Tindle) protagonizavam.

 

É o último filme de Joseph L. Mankiewicz.

O (elegante) production design é de Ken Adam (conhecido pelo seu excelente trabalho na saga James Bond).

A (óptima) fotografia é do grande Oswald Morris.

 

Michael Caine estava tão entusiasmado e nervoso por trabalhar com Laurence Olivier, que nem sabia como se dirigir a ele. Quando lhe perguntou, Olivier disse-lhe “Eu sou o Lord Olivier e tu és o Mr. Michael Caine. Mas isto só é válido na primeira vez que te diriges a mim. Depois, eu sou o Larry e tu o Mike”.

Caine foi escolhido depois das recusas de Albert Finney e Alan Bates.

 

Quando Olivier derruba o tabuleiro de xadrez, ele faz um corte na mão. A cena mostra o actor a dar conta disso e a proteger a mão. Mas Olivier levou a cena até ao fim.

A gargalhada que vem do boneco Jolly Jack Tar é do próprio Olivier.

O Prémio Edgar Allan Poe que se vê é verdadeiro. Foi o atribuído a Shaffer, pela sua peça “Sleuth”. Joseph L. Mankiewicz também ganharia um pelo seu filme “5 Fingers” (1952).

Num momento vê-se uma fotografia de Agatha Christie.

A esposa de Wyke, vista num quadro, tem semelhanças a Joanne Woodward.

Uma frase do filme (“You’re just a jumped-up pantry boy who doesn’t know his place”) é usada numa canção dos The Smiths (“This Charming Man”).

Num momento, vê-se um colete de salvação do navio “R.M.S. Mauretania”. Era um navio de luxo, do início do Século XX. Quando foi desfeito, em 1935, a sala de leitura (da Primeira Classe) foi entregue aos Estúdios Pinewood (onde o filme teve filmagens) e tornou-se na sala da administração.

Num momento, vê-se uma imagem do Duque de Windsor. O Duque faleceu durante as filmagens e o filme faz assim uma homenagem.

 

Para não estragar surpresas e para criar expectativas nos espectadores, muita da publicidade feita ao filme sugeria que ocorreriam cameos de algumas personalidades populares.

 

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