Morto à Chegada (1988)

D.O.A. - 1988 - Poster 1

 

Título Original – D.O.A.

 

O original “D.O.A.” marcou e tornou-se um clássico.

Seria de esperar um remake, não?

Ei-lo.

(na verdade, é o segundo)

 

Dexter Cornell é professor de Literatura. Dexter é também um escritor one-hit-wonder, caído no esquecimento, que nunca mais conseguiu recuperar a sua veia criativa, tendo também falhado no seu casamento.

Dexter descobre que um dos seus alunos é uma mente brilhante para a escrita. Mas antes que bons laços se possam dar, o aluno morre.

Entretanto, Dexter vem a saber que foi envenenado e não tem cura.

No seu tempo limite procura descobrir a verdade. Tem a ajuda de uma aluna, mas tem muitos obstáculos pelo caminho. Pelos vistos, há muitos segredos na faculdade à volta do falecido aluno, que alguém quer proteger.

Mas porquê matar o professor?

D.O.A. - 1988 - screenshot 2

D.O.A. - 1988 - screenshot 1

D.O.A. - 1988 - screenshot 3

Nem sempre os remakes oferecem mais do mesmo, com o devido upgrade estético, tecnológico, ideológico, etc.

Eis um bom caso.

Este novo “D.O.A.” acaba por ser mais tenso do que trepidante.

Se o original mostrava um protagonista em plena vitalidade da sua vida e a vê-la chegar ao fim, esta nova versão mostra um looser que perdeu a chama pela vida e aproveita os seus momentos finais para sentir a chama perdida.

Tal como no original, há uma love story, mas aqui ela surge no decorrer dos eventos e é um derradeiro momento do protagonista voltar a sentir vida dentro de si.

O problema é que o interesse sentimental vem de uma personagem que funciona como sidekick (algo que o original não tinha). Tal traz humor (numa história bem dark), mas causa algum travão no ritmo e no tom.

Inteligente resulta a banalidade do motivo que origina o assassinato do protagonista, que origina um twist muito bem conseguido.

D.O.A. - 1988 - screenshot 6

Suprema ironia – tudo se passa no Natal.

E até há homenagem ao original (genérico a P&B, alguns planos são quase iguais).

D.O.A. - 1988 - screenshot 7

E é assim que se deve ver este novo “D.O.A.” – um hábil suspense thriller à volta de um homem despegado à vida, com os minutos contados, que a redescobre e a vive no tempo que lhe resta, tendo também de descortinar o mistério à volta da origem da sua morte.

D.O.A. - 1988 - screenshot 9

A dupla Annabel Jankel & Rocky Morton mostra a sua vinda do mundo dos music vídeos, mas isso não é defeito. Dirigem com ritmo (nunca atabalhoado) e com sentido visual e estético, contado tudo com bom gosto.

 

Dennis Quaid tem aqui uma das suas melhores interpretações, dando ao personagem raiva e desalento.

D.O.A. - 1988 - screenshot 11

Sendo um remake, deve-se analisar por si, mas não se pode evitar a comparação.

O argumento traz ideias muito interessantes, até opostas ao original:

  • O protagonista é um desencantado; no original, o protagonista era um optimista.
  • Tudo se passa num campus universitário, pleno de mistérios; o original passava-se em diversas cidades.
  • O protagonista é assassinado e é procurado por assassínio (algo que não acontecia no original).
  • Na procura da verdade, tudo foge ao protagonista, as dificuldades são imensas, nada faz sentido, algumas pistas são falsas; no original, o protagonista ia apanhando pedaços da verdade, de iniciativa em iniciativa.
  • Há mais personagens em cena e sub-plots.
  • Há uma conspiração e uma tragédia familiar (cheia de complexos freudianos); no original, a verdade era mais “certinha”.
  • O protagonista tem uma aliada, a tempo inteiro; no original, o protagonista move-se sozinho, como pequenos recursos à sua secretária.
  • Maior body count, acção e violência.

D.O.A. - 1988 - screenshot 5

Continhas feitas:

Elogia-se o twist, a complicada trama, o tipo de personagem, a geografia mais fechada, mais acção, cadáveres e violência, a estética, a dificuldade no protagonista em descobrir algo – tudo pontos positivos, que fazem deste “D.O.A.” um sólido e elegante suspense mystery thriller.

Mas o filme ressente-se da love story e da sidekick (e eu gosto muito da Meg Ryan) que causa algum atraso num filme que tem de andar (tal como o protagonista) sempre acelerado.

 

Um muito bom remake, que ruma por opções narrativas e visuais diferentes e muito interessantes, dando origem a um muito bom filme do género.

Mas o original é melhor (factor novidade, melhor ritmo, menos entraves na narrativa).

 

Muito recomendável.

 

“D.O.A.” chegou a ter edição nacional em VHS, mas ainda não a tem em DVD. O filme tem edição noutros mercados e anda a preço “morto” (a começar pela edição inglesa, com legendas em Inglês e Espanhol).

D.O.A. - 1988 - screenshot 10

Realizadores: Annabel Jankel, Rocky Morton

Argumentistas: Charles Edward Pogue, Russell Rouse, Clarence Greene

Elenco: Dennis Quaid, Meg Ryan, Charlotte Rampling, Daniel Stern, Jane Kaczmarek, Christopher Neame, Robert Knepper, Brion James, Jack Kehoe, Elizabeth Arlen

 

Orçamento – 29 milhões de Dólares

Bilheteira – 12 milhões de Dólares

 

Trailer

 

D.O.A. - 1988 - Poster 3

D.O.A. significa “Dead On Arrival” (Morto à Chegada).

 

Terceira versão da história – a primeira é de 1950 (“D.O.A.”, de 1950, realizado por Rudolph Maté, com Edmond O`Bien), a segunda é de 1969 (“Color Me Dead”, realizado por Eddie Davis, com Tom Tryon).

 

Ao longo do filme, a cor vai-se deteriorando, chegando quase ao monocromático. Pretende-se, assim, estar em sintonia, do ponto de vista visual, com o estado do protagonista.

O grupo rock Timbuk 3 tem uma aparição no filme.

 

É o primeiro filme da dupla Rocky Morton & Annabel Jankel (casados), um casal com curriculum muito elogiado no campo dos videoclips e que fez história na Televisão com a série “Max Headroom”.

 

Dennis Quaid e Meg Ryan já estavam casados. Tinham-se conhecido um ano antes, no divertido “Innerspace”.

Reencontro entre Quaid e Daniel Stern, depois de “Breaking Away” (1979, de Peter Yates).

Segundo de três filmes que Quaid & Ryan fizeram juntos – “Innerspace”, este e “Flesh and Bone”.

D.O.A. - 1988 - Poster 4

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