A Grande Ilusão

Ciclo Roberto Rossellini – O Amor (1948)

Título Original – L’ Amore

 

Filme em episódios, com Anna Magnani, com uma ajuda de Fellini participa no argumento.

Duas visões do Amor.

 

Duas histórias:

Una Voce Umana” – uma mulher devastada sentimentalmente, tenta a reconciliação com o ex-amante através de uma conversa telefónica.

Il Miracolo” – uma mulher simples conhece alguém que pode ser S. José; algum tempo depois, a mulher fica grávida e tem de enfrentar o cepticismo e fanatismo da povoação.

“Una Voce Umana”

Mergulho na intimidade da solidão do Amor, na solidão da comunicação e na (in)capacidade (parcial) da comunicação do sentimento.

Um virtuoso exercício de Estilo e Cinema, de um notável “minimalismo” (narrativo,cénico e emocional).

Rossellini ilustra a solidão da protagonista, seja local (tudo se passa no quarto), humana (o diálogo pretendido por ela não é complementado por ele) e sentimental (sente-se todo o desespero dela).

 

Anna Magnani faz uma dilacerante “exibição” de sentimento, numa das suas mais poderosas performances.

(algo habitual na “Aninha”, não?)

 

Clip

 

“Il Miracolo”

Alegoria sobre a fé, a crença, a devoção, sendo também um hino ao poder do Amor, enquanto força mobilizadora, criadora e geradora (de Vida – nas mais diversas formas).

 

Anna Magnani a ser mais um “desfile” de sentimento.

(que mais esperar desta Senhora?)

 

Clip

 

 

Um filme (ou dois) que muito tem (têm) a ganhar em sucessivas (re)visões, suscitando as mais diversas reacções e emoções junto do espectador.

Obra-prima absoluta.

 

“L` Amore” não tem (ainda) edição portuguesa, mas é de esperar que findo o ciclo surja a (merecida) edição.

 

Realizador: Roberto Rossellini

Argumentistas: Roberto Rossellini (segmento “Una Voce Umana”), Anna Benevuti (segmento “Una Voce Umana”), Federico Fellini (segmento “Il Miracolo”), Tullio Pinelli (segmento “Il Miracolo”), a partir da peça de Jean Cocteau (“La Voix Humaine” – no segmento “Una Voce Umana”) e do livro de Ramon Maria de Valle-Inclan (“Flor de Santidad” – no segmento “Il Miracolo”)

Elenco: Anna Magnani, Federico Fellini

 

“Melhor Actriz” (Anna Magnani), pelo Sindicado de Jornalistas Italianos de Cinema 1949.

“Melhor Filme Estrangeiro”, pelos críticos de Nova Iorque 1950.

 

Em Nova Iorque, o filme foi acusado de blasfémia por um cardeal local. Contudo, o filme foi defendido pela comunidade protestante.

No meio de tanta polémica, o filme “andou” pelos tribunais, sendo o primeiro filme a ser protegido pela Primeira Emenda da Constituição Americana.

Na Bégica, o segmento “Il Miracolo” foi exibido em separado.