Título Original – L’ Amore
Filme em episódios, com Anna Magnani, com uma ajuda de Fellini participa no argumento.
Duas visões do Amor.
Duas histórias:
“Una Voce Umana” – uma mulher devastada sentimentalmente, tenta a reconciliação com o ex-amante através de uma conversa telefónica.
“Il Miracolo” – uma mulher simples conhece alguém que pode ser S. José; algum tempo depois, a mulher fica grávida e tem de enfrentar o cepticismo e fanatismo da povoação.
“Una Voce Umana”
Mergulho na intimidade da solidão do Amor, na solidão da comunicação e na (in)capacidade (parcial) da comunicação do sentimento.
Um virtuoso exercício de Estilo e Cinema, de um notável “minimalismo” (narrativo,cénico e emocional).
Rossellini ilustra a solidão da protagonista, seja local (tudo se passa no quarto), humana (o diálogo pretendido por ela não é complementado por ele) e sentimental (sente-se todo o desespero dela).
Anna Magnani faz uma dilacerante “exibição” de sentimento, numa das suas mais poderosas performances.
(algo habitual na “Aninha”, não?)
Clip
“Il Miracolo”
Alegoria sobre a fé, a crença, a devoção, sendo também um hino ao poder do Amor, enquanto força mobilizadora, criadora e geradora (de Vida – nas mais diversas formas).
Anna Magnani a ser mais um “desfile” de sentimento.
(que mais esperar desta Senhora?)
Clip
Um filme (ou dois) que muito tem (têm) a ganhar em sucessivas (re)visões, suscitando as mais diversas reacções e emoções junto do espectador.
Obra-prima absoluta.
“L` Amore” não tem (ainda) edição portuguesa, mas é de esperar que findo o ciclo surja a (merecida) edição.
Realizador: Roberto Rossellini
Argumentistas: Roberto Rossellini (segmento “Una Voce Umana”), Anna Benevuti (segmento “Una Voce Umana”), Federico Fellini (segmento “Il Miracolo”), Tullio Pinelli (segmento “Il Miracolo”), a partir da peça de Jean Cocteau (“La Voix Humaine” – no segmento “Una Voce Umana”) e do livro de Ramon Maria de Valle-Inclan (“Flor de Santidad” – no segmento “Il Miracolo”)
Elenco: Anna Magnani, Federico Fellini
“Melhor Actriz” (Anna Magnani), pelo Sindicado de Jornalistas Italianos de Cinema 1949.
“Melhor Filme Estrangeiro”, pelos críticos de Nova Iorque 1950.
Em Nova Iorque, o filme foi acusado de blasfémia por um cardeal local. Contudo, o filme foi defendido pela comunidade protestante.
No meio de tanta polémica, o filme “andou” pelos tribunais, sendo o primeiro filme a ser protegido pela Primeira Emenda da Constituição Americana.
Na Bégica, o segmento “Il Miracolo” foi exibido em separado.