Moulin Rouge (1952)

Moulin Rouge - 1952 - Poster 9

John Huston é um dos grandes mestres de Cinema.

Ei-lo a ilustrar um pouco da história do popular cabaret de Paris.

 

Henri de Toulouse-Lautrec é pintor e um fascinado pela vida do Moulin Rouge. Passa serões a beber cognac e a desenhar as meninas dançarinas. Lautrec é bem visto e recebido no cabaret, mas leva uma vida solitária. Uma noite, conhece Marie, que lhe pede ajuda. Lautrec ajuda-a, mas entre os dois surge uma relação algo conturbada, que envolve sentimentos, a criação artística, a família e a posição social.

Moulin Rouge - 1952 - screenshot 1

Isto não é apenas um filme. É uma viagem a um tempo nostálgico e romântico, pleno de joie de vivre.

Mais do que um filme, é uma “reportagem” sobre o mítico cabaret, a vida de Lautrec e da Paris daqueles tempos.

Para além do filme, temos uma permanente dança de cancan.

Dentro do filme, assistimos a um virtuoso exercício de estilo e de Cinema (o movimento de câmara inicial e os primeiros 20 minutos, que nos envolvem no mundo do cabaret).

É filme, mas é também um bailado de cor, movimento, corpos, ambientes e paisagem (interior e exterior).

É Cinema, mas é todo um “museu” de pintura, no impecável planeamento visual.

Moulin Rouge - 1952 - screenshot 7

Apoiado numa história de amor desesperada e doentia, o filme é, acima de tudo, a história da luta de um homem na aceitação da sua “deficiência”, na afirmação da sua Arte, do seu talento, do seu direito como ser humano e a ter/dar/receber sentimento(s).

 

“Moulin Rouge” é mais que um filme. É uma gloriosa dança emparelhada entre Cinema e Arte (a da Pintura).

 

Deslumbrante trabalho de fotografia, que nos faz sentir estar dentro da época, dentro do Moulin Rouge e dentro de um quadro de Lautrec.

Moulin Rouge - 1952 - screenshot 2

José Ferrer está absolutamente fabuloso, fazendo-nos acreditar que ele É Toulouse-Lautrec e que Lautrec foi mesmo assim, numa incrível e dilacerante entrega física e emocional.

 

Obra-prima total.

 

“Moulin Rouge” não tem edição portuguesa. Tem edições diversas pela Europa, em DVD e Blu-Ray, algumas já a bom preço.

Moulin Rouge - 1952 - screenshot 4

Realizador: John Huston

Argumentistas: Anthony Veiller, John Huston, a parto do livro de Pierre La Mure (“Moulin Rouge”)

Elenco: José Ferrer, Colette Marchand, Zsa Zsa Gabor, Mary Clare, Theodore Bikel, Peter Cushing, Diane Cilento, Christopher Lee

 

Orçamento – 1,5 milhões de Dólares

Mercado doméstico – 5 milhões de Dólares (USA)

Moulin Rouge - 1952 - screenshot 6

Trailer

Moulin Rouge - 1952 - screenshot 5

“Melhor Cenografia – Cores”, “Melhor Guarda-Roupa – Cores”, nos Oscars 1953. Esteve nomeado para “Melhor Filme” (perdeu para “The Greatest Show on Earth”). John Huston tentou a “Melhor Realização”, mas John Ford foi preferido (por “The Quiet Man”). José Ferrer concorreu a “Melhor Actor”, mas foi derrotado por Gary Cooper em “High Noon”.

“Novo Talento Promissor – Feminino” (Colette Marchand), nos Globos de Ouro 1953.

“Melhor Fotografia” (Oswald Morris), pela Sociedade Britânica de Cinematógrafos 1953.

“Top dos Filmes Estrangeiros”, pela National Board of Review 1953.

“Leão de Prata”, em Veneza 1953.

Moulin Rouge - 1952 - screenshot 3

José Ferrer era (muito) alto. Toulouse-Lautrec era (muito) baixo. Para se “diminuir” Ferrer recorreu-se a truques de enquadramento, ângulos de câmara, caracterização, plataformas escondidas, body doubles. Ferrer também teve de usar um dispositivo especial que lhe permitia estar “de pé” em joelhos e para o ajudar a mover-se com eles. Mas tal causava-lhe imensas dores, pelo que se recorria a tal por muito pouco tempo.

Marcel Vertès era o artista que fazia os quadros de Lautrec (quando vemos a sua mão a desenhar). Curiosamente, os seus estudos foram pagos ao vender cópias de quadros de… Toulouse-Lautrec.

Toda a fotografia do filme foi meticulosamente preparada para parecer que era semelhante à estética de Lautrec. O objectivo era criar a ideia/ilusão que o filme tinha sido feito/fotografado/desenhado/pintado por Lautrec.

Huston montou o filme em grande stress, para conseguir assegurar que iria a tempo de ser entregue à Academia de Artes de Hollywood. O filme foi editado e entregue já quase em cima da hora.

Zsa Zsa Gabor é dobrada nas cenas de canto por Muriel Smith.

Herbert Kalmus, o inventor do Technicolor ficou muito contente com o filme e considera-o um dos seus favoritos.

A direcção do laboratório de fotografia considerava que o trabalho de Morris tinha falhas. Quando Morris e Huston viram o filme completo, deram conta que a imagem estava exactamente como cada um queria.

Primeiro filme de Colette Marchand, Maureen Swanson, Sir Christopher Rhodes e de Lee Montague.

O filme conta com uma frase, dita por Lautrec, digna de ficar na memória e na História – “The wise woman patterns her life on the theory and practice of modern banking. She never gives her love, but only lends it on the best security and at the highest rate of interest“.

Filmado em Londres, Paris e nos Estúdios Shepperton.

O filme faz uso de uma película Technicolor mais soft, devido a um “banho” que tornava as cores menos saturadas. Huston e Morris queriam fugir das cores muito vivas típicas deste sistema de cor. A Technicolor não estava muito contente com isto.

Bob Fosse, grande coreógrafo da Broadway, considera este filme como uma grande influência sobre ele.

Moulin Rouge - 1952 - screenshot 8

 

Sobre Henri de Toulouse-Lautrec

http://www.toulouse-lautrec-foundation.org/

 

Moulin Rouge - 1952 - Poster 10

 

Sobre o Moulin Rouge

http://www.moulinrouge.fr/

 

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