Zardoz (1974)

Zardoz - Poster 1

Sci-Fi visionária sobre o futuro do ser humano. O prestigiado John Boorman realiza. Sean Connery protagoniza, numa das primeiras tentativas de fazer carreira pós-007.

 

Futuro, Século XXIII. Zed é um assassino, às ordens do Deus Zardoz. É capturado por uma comunidade de imortais, que preservam os segredos da Humanidade. Mas Zed vai descobrir os segredos ainda maiores dessa comunidade e um novo sentido para a sua vida.

Zardoz - screenshot 4

Para o bem e para o mal, o psicadélico também influenciou o Cinema.   John Boorman elabora uma parábola sobre a religião, o fanatismo religioso, a violência (e a ligação desta com o fanatismo religioso), o lado selvagem do ser humano, a utopia da sociedade perfeita e harmoniosa, o vazio cerebral (enquanto consequência dessa utopia e “religiosidade”), bem como o “fabrico” de deuses e a educação de “meninos selvagens”. Tanto e complexo tema. Como fica tudo embrulhado? Num tom entre o campy, o Z, o spoof, a trip alucinogénia e a tentativa de ser profundo.

Zardoz - screenshot 2

Temos momentos divertidos (quando as mulheres tentam excitar Sean Connery para estudarem e compreenderem a erecção masculina), curiosos (quando se sabe a verdade sobre a seita), bem como algo toscos (a batalha final parece uma mistura de guerra de bairros com luta de putos no intervalo da escola).

Zardoz - screenshot 7

Sean Connery cabotina que se farta, mas o personagem não lhe permite outra coisa. Charlotte Rampling tem presença fascinante (como sempre), mas nada mais lhe é pedido.

Zardoz - screenshot 9

Apesar de uma estética já (bem) datada, “Zardoz” até traz boas e poderosas ideias. O problema é que resolve tudo de uma forma como se elenco, técnicos e realizador não acreditassem no que tinham em mãos e no que estavam a fazer, deixando que o resultado final alcance um nível de ridículo tão elevado que chega a ser glorioso.

 

“Zardoz” não tem edição portuguesa, mas as edições inglesa, italiana, francesa, espanhola e americana andam a bom preço. Algumas contam com o comentário de John Boorman (e bem se precisa dele, para assim se compreender o que o autor do fantástico “Excalibur” pretendia).

 

Recomendável para os curiosos e fãs de sci-fi mais profunda, mas com as reservas à volta da sua estética e resultado.

Zardoz - screenshot 1

Realizador: John Boorman

Argumentista: John Boorman

Elenco: Sean Connery, Charlotte Rampling

 

Orçamento – 1.5 milhões de Dólares

Bilheteira – 1.8 (USA)

Zardoz - screenshot 3

Trailer

Zardoz - screenshot 6

Nomeado para “Melhor Fotografia”, nos BAFTA 1975. Geoffrey Unsworth perdeu para Douglas Slocombe em “The Great Gatsby”.

Nomeado para “Melhor Filme”, nos Prémios Hugo 1975. Venceu “Young Frankenstein”.

Zardoz - screenshot 5

Burt Reynolds era a primeira escolha como protagonista, mas teve de recusar devido a doença.

John Boorman convidou Richard Harris para protagonista, mas este nunca respondeu.

Sean Connery estava com dificuldade em arranjar trabalho, depois de ter abandonado a saga 007 (começou-a em 1962 com “Dr. No” e parou em 1967 com “You Only Live Twice; mas regressou em 1971 para “Diamonds Are Forever”; voltaria a regressar ao personagem em 1983 com “Never Say Never Again”). Como tal, Connery foi contratado a preço muito baixo. Connery deslocava-se às filmagens no seu próprio carro, para assim baixar as despesas, mas John Boorman dava-lhe metade do valor que envolveria ter um motorista e um carro para o actor.

Zardoz - screenshot 8

Boorman fez este filme como “compensação” do cancelamento de “The Lord of the Rings”.

Muitos dos extras usados nas filmagens são itinerantes irlandeses. Boorman achou que tal recurso pouparia despesas e seriam convincentes como pessoas que vivem ao ar livre.

Os planos de abertura são da paisagem que vê nas imediações da casa de Boorman, na Irlanda.

Três filhos de John Boorman surgem na cena de flashback sobre a fundação do tabernáculo – são eles Daisy, Telsche e Katrine Boorman.

Cameo de John Boorman – é o trabalhador executado pelo personagem de Connery.

Devido a complicações técnicas, o plano final teve de ser filmado por três vezes. Algo que incomodou Connery e Charlotte Rampling, pois tinham de ser sempre sujeitos a uma longa caracterização.

 

 

 

Os radio spots ao filme (que estão audíveis nos extras das edições DVD) são narrados por Rod Serling, o genial criador da emblemática série “The Twilight Zone”.

 

“Zardoz” está na lista dos “100 Mais Entretidos Maus Filmes Já Feitos” do “The Official Razzie Movie Guide”.

Charley Boorman, filho de John, chegou a conhecer uma tribo em Papua Nova Guiné que usava umas máscaras semelhantes às vistas em… “Zardoz”.

 

Apesar de ter sido um flop (de público e crítica), “Zardoz” acabou por ganhar um certo culto com o tempo e o mercado doméstico ajudou num maior sucesso (financeiro) do filme.

Zardoz - screenshot 10

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