FantasPorto 2015 – O Mundo a Seus Pés (1941)

Citizen Kane - O Mundo a Seus Pés - Poster 2 (1)

Título Original – Citizen Kane

 

O Fantas 2015 começa (ainda que em sessões de restrospectiva e não na competição oficial) da melhor maneira.

A reposição de um clássico absoluto do Cinema.

 

Charles Foster Kane é um magnate do mundo da imprensa.

A sua morte choca a nação americana.

Um grupo de jornalistas investiga a misteriosa vida de Kane e procura a resposta para um grande mistério – o que significa a palavra Rosebud que Kane proferiu ao morrer?

Citizen Kane - screenshot 1

Aos 25 anos, vindo do Teatro e da Rádio (onde assustou os USA com a sua emissão de “War of the Worlds”), Orson Welles estreia-se em Cinema e de forma majestosa.

Com inovadores recursos técnicos e estéticos (a total profundidade de campo, os ângulos – superiores e inferiores – da câmara, o uso das sombras e luz, a filmagem dos tectos), Welles faz um épico (técnico, estético e narrativo) “documentário” (a vida de Kane é apresentada em episódios, contados pelas pessoas que conviveram com Kane, mostrando-se diferentes perspectivas sobre o homem) sobre um homem épico de épica existência, vontade e atitude, sendo também uma crónica da épica solidão de um homem cujo poder estava apenas no mundo empresarial e social.

Pelo meio da visão da vida e obra de um homem, há lugar para um mistério (o significado da palvara “Rosebud”). E a resolução desse mistério arrasta uma rica verdade – na simplicidade está a riqueza do ser humano.

Citizen Kane - screenshot 2

Majestoso trabalho de fotografia (atenção à já falada profundidade de campo, os detalhes nas sombras) e cenografia.

Impecável trabalho de todo o elenco.

Welles revela-se um fantástico actor (a sua performance ao longo das décadas do seu personagem), argumentista (a riqueza da história e a profundidade dos diálogos) e realizador (todo o filme é uma lição de realização).

Citizen Kane - screenshot 3

Obra-prima absoluta.

E um curso de formação sobre como fazer (Grande) Cinema.

Citizen Kane - screenshot 9

Realizador: Orson Welles

Argumentistas: Herman J. Mankiewicz, Orson Welles, John Houseman (sem crédito), Roger Q. Denny (sem crédito), Mollie Kent (sem crédito),

Elenco: Orson Welles, Joseph Cotten, Dorothy Comingore, Agnes Moorehead, Ruth Warrick, Ray Collins, Everett Sloane, Paul Stewart

Citizen Kane - O Mundo a Seus Pés - Poster 1

Orçamento – 686.000 Dólares

Bilheteira – 1.140.000,00 (USA)

Mercado doméstico (USA) – 500.000 Dólares

Citizen Kane - screenshot 7

Trailer

 

Documentários

Citizen Kane - screenshot 10

“Melhor Argumento Original”, nos Oscars 1942. “Citizen Kane” falhou como “Melhor Filme” perante “How Green Was My Valley”. Welles também perdeu como “Melhor Actor” e “Melhor Realizador” (respectivamente para Gary Cooper em “Sergeant York” e John Ford por “How Green Was My Valley”).

“Melhor Comentário Áudio”, nos Prémios DVD Exclusive 2001.

“Top 10 do Ano”, pela National Board of Review 1941.

“Filme a Preservar”, pela National Film Preservation Board USA 1989.

“Melhor Filme”, pelos críticos de Nova Iorque 1941.

Citizen Kane - screenshot 21

Na época da estreia o filme foi um imenso flop. A RKO só o iria repor nos anos 50.

A abertura do filme, apenas com título e sem nomes, foi uma novidade. Hoje é prática corrente.

William Randolph Hearst (poderoso magnate da imprensa da época) percebeu que o filme era inspirado nele. Sempre se mostrou chateado com o filme e Welles, tendo-o até acusado de ser comunista.

A cena em que Kane destrói o quarto foi feita num só take. No final, as mãos de Welles deitavam sangue.

O filme iria conter uma subplot à volta de um affair da personagem Susan Alexander Kane. A inspiração vinha do romance entre Marion Davies e Charles Chaplin. Welles descartou tal ideia. Décadas depois, Welles daria mais explicações ao amigo e cineasta Peter Bogdanovich, que usaria tal ideia para o seu filme “The Cat`s Meow”.

Citizen Kane - screenshot 14

Welles e Hearst encontraram-se num elevador de um hotel de San Francisco, na estreia do filme na cidade. Hearst e o pai de Welles eram amigos e o cineasta tentou convencer o magnata a vir à estreia. Ele recusou. Perante tal, Welles não se conteve disse “Charles Foster Kane teria aceite.”

Para evitar a intrusão dos executivos do estúdio, Welles passou vários dias a dizer que ele e a equipa estavam a ensaiar. Na verdade, já estavam em filmagens.

Falou-se que Hearst tinha arranjado uma rapariga para saltar nua para os braços de Welles, enquanto um fotógrafo apanhava o acto. Tal nunca aconteceu.

Citizen Kane - screenshot 13

A audiência que assiste ao discurso de Kane é uma fotografia de uma audiência. Para criar a ilusão de movimento, fizeram-se furos na foto e puseram-se luzes por detrás.

Welles tinha visto imensas vezes “Stagecoach” de John Ford. De lá retirou algumas ideias sobre como filmar alguns personagens (uns com a câmara em alto, outros com a câmara em baixo).

Welles foi sempre hostil à actriz Dorothy Comingore, chegando mesmo a humilha-la em público. Welles defendeu-se depois, dizendo que tal ajudava a actriz na sua interpretação (a esposa de Kane).

Citizen Kane - screenshot 15

O negativo original ficou destruído nos 70s.

O filme marca o primeiro score musical de Bernard Herrmann.

O co-argumentista Herman J. Mankiewicz tinha a reputação de estar sempre bêbado. Welles enviou-o para uma povoação onde as lojas de bebidas tinham pouco stock.

Primeiro filme de Agnes Moorehead.

Quase todo o cast vem do Mercury Theatre, a troupe teatral que Welles fundou aos 21 anos. Levaram à cena “Les Miserables”, “A Tale of Two Cities”, “Treasure Island”, “The 39 Steps”, “Abraham Lincoln”, “The Count of Monte Cristo” e “The War of the Worlds”.

Ted Turner tentou colorir o filme, mas uma votação pública impediu. Welles chegou a manifestar-se (“… digam ao Ted Turner para ele afastar os seus crayons do meu filme.”).

Alan Ladd faz uma curta aparição (sem crédito) – é um dos jornalistas no final.

Citizen Kane - screenshot 23

Em 1942, a RKO tentou ganhar mais uns Dólares, ao exibir “Citizen Kane” numa sessão double bill, ao lado de “The Little Foxes”, com Bette Davis.

Carole Lombard foi convidada. Recusou e preferiu fazer “Mr. & Mrs. Smith”, de Alfred Hitchcock.

“Citizen Kane” é o filme preferido de Charles M. Schulz, o criador dos “Peanuts”. Schulz já fez muitas referências ao filme de Welles ao longo das muitas comic strips.

Citizen Kane - screenshot 24

 

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