Carros (2006)

Carros - Poster 2

Título Original – Cars

 

Uma das maravilhas da Pixar, que muito convida a acelerar.

Pela alegria e pela descoberta. Das estradas da Vida.

 

Lightning McQueen (uma suave reminiscência ao mítico Steve McQueen) é um arrojado e destemido carro de corridas. O lado colorido da fama e do sucesso contrasta com o negro de uma vida solitária (ou melhor, muito só) e egoísta. Na sua mais recente prova, McQueen fica em primeiro lugar ex-acquo com os seus dois rivais. Para desempate, é marcada uma nova corrida, mas apenas entre os três, para uma semana depois, na Califórnia. Durante a viagem, ele e Mack (o camião transportador) são assolados por uns “carrões” marginais (um fantástico gag à saga “The Fast and The Furious”) e o protagonista acorda no meio da estrada, no meio de nenhures. Em busca do caminho, vai dar a uma pequena povoação perdida na mítica Route 66, chamada Radiator Springs. Obrigado a “trabalhos forçados” pelos danos causados, Lightning McQueen vai descobrir os encantos da country life, da paisagem, das “pessoas”, de certas emoções e valores, bem como um percurso de descoberta pessoal que o farão mudar de atitude e personalidade.

Cars - screenshot 12

Lembro-me de época da estreia de “Cars” ter lido e ouvido os mais disparatados cepticismos ao filme.

Não ponho em causa o direito de gostarem ou não do filme.

Mas o que estava em causa era mais a “lógica” da existência do filme.

Cars - screenshot 13

Esta maravilha da Pixar centra a sua atenção num mundo paralelo povoado por carros.

Falou-se do ridículo e infantil (no pior sentido) deste conceito. Ora bem, se assim é, não serão igualmente “ridículos” e “infantis” os conceitos dos filmes anteriores (do estúdio ou de outros) onde se colocavam brinquedos que se julgavam humanos, insectos “armados” em “Sete Magníficos” em luta contra outros para protecção da sua comunidade, uns monstrinhos que se escondiam no armário e precisavam de gritos de crianças para dar energia ao mundo onde habitam, um peixinho que se perdia no oceano, ou uma família toda detentora de super-poderes? Ou indo para casos mais recentes – um robot que se apaixona, um velhinho que voa numa casa através de balões, uma filha rebelde que consegue transformar a sua mãe num urso?

O cinema de animação é mesmo isto – levar a imaginação a outros universos, onde tudo seja possível.

Cars - screenshot 1

Na sua sétima longa-metragem de animação, a Pixar consegue mais uma obra-prima.

 

“Cars” e mais um passo em frente no campo da animação digital. Pela tecnologia, sim (o design e animação dos carros, a dinâmica das corridas, a textura da paisagem – natural e urbana -, não se vê um único carro de design repetido, o realismo e a vertigem da velocidade, a diferenciação dos milhares de carros vistos ao longo da metragem), mas também pela história.

 

À boa maneira clássica e rigorosa, tudo está impecavelmente preciso e bem escrito. Outra nota alta para o “elenco” – impecável escolha de vozes (não me lembro de alguma ver ter visto um desenho animado com as vozes erradas; já o mesmo não posso dizer de muito filme de imagem real, onde dá a sensação que se anda a fazer concurso a quem faz mais e “melhores” miscasts).

 

Excelente banda sonora (sempre a cargo do mágico e lendário Randy Newman – na sua quinta colaboração com o estúdio), por onde passam temas já clássicos (e até modernos) ligados à velocidade, carros, viagens, à estrada e à vida campestre.

Cars - screenshot 11

A tudo isto junte-se um enorme sentido cinéfilo. Para além de uma belíssima paisagem que evoca o grandioso Monument Valley (tanto visto nos filmes de John Ford), também existe a preservação de regras de ouro do cinema clássico americano – o brilho, relevância e diversidade dos personagens secundários (pilares da evolução do protagonista) e a amizade (condutora de um percurso evolutivo para ambos) entre dois homens (ou melhor, “carros machos”). Desde o juiz da cidade (também o “médico” dos habitantes) – que para além de dar uma lição ao protagonista também receberá uma -, até à advogada que trocou a speed das grandes cidades pela tranquilidade campestre, temos “cromos” como o reboque (hilariante o seu sotaque e de chorar às lágrimas quando nos mostra que o seu entretenimento nocturno é assustar… tractores), o sheriff sempre atento aos limites de velocidade, os italianos vendedores de pneus que anseiam por ter um Ferrari na loja, a viúva do fundador da cidade, o jipe militarista, a van hippie (adepta de modos de vida alternativos), o carro dos bombeiros sempre a chorar, bem como toda uma vasta galeria de personagens que vão aparecendo. Todos eles dão brilho e densidade à história, aparecendo sempre no momento oportuno e com algo relevante para fazer e dizer (mais uma vez, mérito do impecável argumento).

 

O cinéfilo mais atento verá na sinopse base da história uma divertida variante de “Doc Hollywood”. Nesta pequena preciosidade, Michael J. Fox interpreta um médico de uma grande cidade que recebe uma choruda proposta para uma clínica cirúrgica na Califórnia. Durante a viagem, tem um acidente numa “aldeola” e é obrigado a trabalho comunitário. Acabará por descobrir os encantos da vida campestre, da calma, da tranquilidade e do calor humano.

Plágio, portanto?

Não, apenas uma brincadeira cinéfila (os filmes Pixar estão cheios delas) e mais uma forma de passar a mesma mensagem.

 

Sim, mensagem. O cinema de animação traz sempre uma. “Cars” também a traz, e de forma nada piegas ou lamechas. De facto, a vida é uma enorme viagem e não é importante a velocidade. Apenas a certeza de se ter chegado e de ter usufruído a paisagem.

Cars - screenshot 2

“Cars” foi um dos melhores filmes do ano de 2006 (e um sério candidato ao melhor do ano) e o melhor do estúdio até então (mas isto também dizia eu por cada um dos filmes anteriores, ou seja, a Pixar supera-se a si própria sempre).

Imperdível.

Cars - screenshot 3

Para a História (do Cinema e da Animação) ficam Lightning McQueen (acelerado e fofinho), Mater (estouvado, divertido, puro e leal) e a sua amizade (assim se faz uma).

 

Ka-Chow.

(como diz o Faísca – assim o chamamos, por cá, ao McQueen)

FTD 0246 CARS 1.eps

Bon voyage. Enjoy the ride.

A vida (e o cinema de animação) mostram que é merecida.

 

Não abandonem o filme mal começa o genérico final; para além de uma série de gags, há também um delicioso momento de auto-paródia da Pixar, ao mostrar momentos de alguns dos seus filmes anteriores mas cujos personagens são substituídos por… carros.

 

“Cars” tem edição portuguesa e o seu preço tem “abrandado”.

Cars - screenshot 9

Realizadores: John Lasseter e Joe Ranft

Argumentistas: John Lasseter, Joe Ranft, Jorgen Klubien, Dan Fogelman, Kiel Murray, Phil Lorin, Bonnie Hunt, Robert L. Baird, Daniel Gerson, Don Lake, Steve Purcell e Dan Scanlon

Vozes: Owen Wilson, Paul Newman, Bonnie Hunt, Larry the Cable Guy, Cheech Marin,Tony Shalhoub, Guido Quaroni, Jenifer Lewis, Paul Dooley, Michael Wallis, George Carlin, Katherine Helmond, John Ratzenberger, Joe Ranft, Michael Keaton

 

Site – http://www.disney.pt/carros/

A Pixar – http://www.pixar.com/

 

Orçamento – 120 milhões de Dólares

Bilheteira – 244 (USA); 461 (mundial)

 

Trailer –

Cars - screenshot 4

Sheryl Crow – Real Gone

(assim começa o filme; experimentem ouvir Sheryl, numa auto-estrada, em verdadeiro Faísca style)

 

Rascal Flatts – Life is a Highway

 

Chuck Berry – Route 66

 

James Taylor – Our Town

Cars - screenshot 10

Esteve nomeado para “Melhor Filme de Animação”, nos Oscars 2007. Perdeu para “Happy Feet”.

“Melhor Filme de Animação”, nos Globos de Ouro 2007, nos Prémios Saturn 2007, pelos críticos de Austin 2007, pelos críticos de Ohio 2007, nos Prémios Hollywood 2006, pelos críticos de Iowa 2007, pela National Board of Review 2006, pelos críticos do Texas 2006, pelos críticos de Oklahoma 2006, pelos críticos de St. Louis.

“Melhor Filme de Animação”, “Melhor Realização em Filme de Animação”, “Melhor Argumento num Filme de Animação”, “Melhor Música”, “Melhores Efeitos de Animação”, nos Annie 2007.

“Melhor Canção – para Filme ou Série” (“Our Town”), nos Grammy 2007.

“Melhor Filme de Família”, pelo People’s Choice 2007.

Cars - screenshot 7

Na cena da corrida, um dos carros em competição tem o símbolo da Apple e o número 84. A empresa foi criada em 1984 e Steve Jobs (o seu fundador) foi sempre um crente na Pixar.

A canção “Route 66” é de Chuck Berry e a Pixar quis usar uma versão pouco conhecida. Quando abordaram os detentores dos direitos de Berry, nem estes conheciam tal versão.

A cidade de Radiator Springs é uma mistura de muitas povoações que a equipa criativa do filme descobriu quando sondava lugares.

Michael Wallis é um reputado historiador sobre a Route 66. Wallis dá a voz ao sheriff da cidade.

Foi o último filme da Pixar a ter lançamento em VHS e o primeiro a ser editado em Blu-Ray.

Lightning McQueen teria o número 57, ano de nascença de John Lasseter. Mas foi alterado para 95, ano de estreia de “Toy Story”, o filme que marcou a revelação da Pixar ao grande público.

Na altura, tinha sido o filme mais longo da Pixar.

É o último filme de Paul Newman (também ávido corredor e apreciador de carros; Newman considerou este trabalho como um dos melhores da sua carreira), George Carlin e Joe Ranft (que faleceu num acidente de… carro).

É o último filme autónomo pela Pixar. O seguinte já teria a empresa nas mãos da Disney.

Inicialmente, o título era “Route 66”. Mudou-se para “Cars” para evitar confusões com a série televisiva com o mesmo título.

A ideia do argumento surgiu a Lasseter durante umas férias, pela estrada, com a família. Andou pela Route 66 e descobriu lugares e emoções como o que aborda no filme.

O merchandising à volta do filme bateu recordes. Estimou-se em mais de 1 bilião de Dólares.

O projecto data de 1999 e chamar-se-ia “The Little Yellow Car”. Seria sobre um caro eléctrico e a sua vida num mundo dominado pelo petróleo.

Cars - Poster 13

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