Carrie – Entre Duas Lágrimas (1952)

Entre Duas Lágrimas - Poster 2

Jennifer Jones está de volta à minha agenda cinéfila.

(it`s Christmas timetime for angels)

 

E com mais um (algum com Ela não o é?) poderoso título.

A seu lado um gigante da representação – Laurence Olivier.

Dirige um grande homem de Cinema – William Wyler.

 

Carrie parte de uma pequena povoação para Chicago. Junta-se à irmã e procura trabalho. Encontra-o numa unidade de produção de calçado, onde é explorada.

Conhece Charles Drouet, um vendedor que se propõe a ajudá-la.

Nas muitas saídas a dois, Carrie conhece George Hurstwood, íntegro gestor de um prestigiado restaurante.

Devido ao seu trabalho, Charles ausenta-se frequentemente. Em consequência, Carrie e George passam muito tempo a conversar.

O entendimento surge, a amizade cresce, mas entre ambos nasce algo maior e profundo.

Dispostos a viverem o seu amor e a enfrentarem todos os desafios e obsctáculos, Carrie e George “fogem”. Mas certas questões não resolvidas do passado de George perseguem-no.

Entretanto, Carrie revela-se um enorme talento no campo do teatro.

Entre sucesso e miséria, a vida encarrega-se de dar um supremo teste ao sentimento que une Carrie e George.

Carrie - 1952 - screenshot 2

O título (português) fala em duas lágrimas.

Mas serão às centenas, as que vai escorrer pelos olhos do espectador.

 

Estamos perante um daqueles pungentes, poderosos, sentimentais, arrebatadores e humanos melodramas ao melhor nível que Hollywood sabe fazer.

Carrie - 1952 - screenshot 4

O preconceito (social e sentimental), a (in)felicidade, a luta por uma vida melhor, a amor como riqueza máxima num futuro a dois, a desgraça, a incompreensão, o sucesso, a ambição, a abnegação, o orgulho, a protecção e a redenção.

Tanto delicado e profundo tema, tratado de forma magistral, com uma sensibilidade humana e emocional absolutamente perfeitas – na realização, argumento, diálogos e interpretações.

E o que dizer do dilacerante final?

Carrie - 1952 - screenshot 11

Laurence Olivier tem aqui um dos seus mais soberbos desempenhos, como um homem amargurado sentimentalmente, que encontra a total felicidade, mas a um preço (bem) elevado.

E a causa é…

Carrie - 1952 - screenshot 6

Jennie. The lovely Jennie.

Que (mais uma vez) é a personificação do amor, da emoção e do sentimento, em forma de mulher. Absolutamente cativante, apaixonante e arrebatadora.

É vê-la elegante (o momento em que põe o chapéu), sensual (quando pede um beijo), emocionada (a sua ira no leito), ingénua (a partida para a cidade), popular e desejada (as reacções no teatro).

(não se espantem, meninos, se os vossos corações começarem a palpitar)

Carrie - 1952 - screenshot 9

William Wyler tem aqui um dos seus momentos mais altos da sua filmografia.

 

Excelente trabalho de fotografia.

Bela música de David Raksin.

 

Uma verdadeira parada de emoções.

A odisseia de duas almas pela vida, pela sua ascensão e queda naquilo que representa o Amor.

Carrie - 1952 - screenshot 10

Obra-prima total.

 

“Carrie” tem edição portuguesa, mas o preço ainda faz “chorar”. O filme tem edições por vários países europeus, aos mais diversos preços. A edição UK tem legendas em Português.

Carrie - 1952 - screenshot 5

Realizador: William Wyler

Argumentistas: Theodore Dreiser (novel), Ruth Goetz, Augustus Goetz

Elenco: Laurence Olivier, Jennifer Jones, Miriam Hopkins, Eddie Albert

Carrie - 1952 - screenshot 13

Trailer

 

Momentos

Carrie - 1952 - screenshot 8

Nomeado para “Melhor Cenografia – P&B” e “Melhor Guarda-Roupa – P&B” (da grande Edith Head), nos Oscars 1953. Perdeu, nas duas categorias para “The Bad and the Beautiful” (de Vincente Minnelli).

Laurence Olivier esteve nomeado para “Melhor Actor Britânico”, nos BAFTA 1953. Ralph Richardson (por “The Sound Barrier” de David Lean) levou a melhor. O filme de Lean também derrotou “Carrie” na categoria de “Melhor Filme”.

“Nomeado para o “Leão de Ouro”, em Veneza 1952. “Jeux Interdits” (de René Clément) foi preferido.

Carrie - 1952 - screenshot 12

O livro de Dreiser chama-se “Sister Carrie”, mas o estúdio retirou a palavra “Sister” para que o público não pensasse que Carrie era uma freira ou o filme seria a história de uma.

Olivier aceitou fazer o filme para que conseguisse estar em Hollywood perto da esposa Vivien Leigh, que na época filmava “A Streetcar Named Desire”. Pelos vistos, Leigh estava com fortes problemas emocionais e Olivier queria estar próximo para confortá-la.

A Warner já tinha os direitos do livro desde 1937, mas o Office Hays (Código da Censura) não permitiu que fosse feita uma adaptação literal da obra.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s