Interstellar (2014)

Interstellar - Poster 8

Christopher Nolan regressa.

E com ele traz um acontecimento cinematográfico.

Para 2014.

Para a década.

Para o Século.

Para o Milénio. Para todos os Milénios.

Para Nós. Todos Nós.

 

Futuro (próximo?).

A Terra está esgotada nos seus recursos para sustentar a Humanidade.

Uma equipa de astronautas parte para outra galáxia em busca de um novo lugar onde a espécie possa prosperar.

Mas numa viagem onde Tempo e Espaço se dilatam, muitas serão as emoções que se contraem.

Interstellar - screenshot 10

Lembram-se de “The Abyss”? De como James Cameron conseguiu no meio de sci-fi, água e (super-)espectáculo, fazer uma reflexão sobre o estado da espécie humana?

Lembram-se de “To The Wonder”? De como Terrence Malick ilustra a importância do amor no tempo do ser humano?

 

Pois bem, Nolan vai mais fundo que Cameron na abordagem emocional, Nolan usa a máscara de um espectáculo visual para ilustrar mais que Malick.

Interstellar - screenshot 3

Sim, “Interstellar” é sobre uma viagem. E é uma viagem. De ida e volta.

Mas mais que uma viagem ao Espaço, Nolan dá-nos um space shuttle para que cada um de nós faça também uma viagem.

Uma viagem à essência de Nós.

Nós como indivíduos.

Nós como espécie.

Nós no Espaço e no Tempo.

Nós e as emoções dentro dessas dimensões.

Nós e como fazermos de tais emoções uma dimensão.

Interstellar - screenshot 5

Apesar do espectáculo de belíssimas imagens do Espaço, Nolan não procura fazer uma sinfonia visual nem um desfile de efeitos visuais. Nolan faz um filme de grande rigor e realismo científico, fazendo-nos sentir toda a fisicalidade daquela viagem, conseguindo uma grande acessibilidade às questões técnico-científicas, abordando temas muito actuais e pertinentes.

A verdadeira sinfonia que o filme dá é no campo emocional.

Interstellar - screenshot 4

Filme sobre a procura de mundos e soluções, é afinal um filme sobre perguntas e a procura de respostas.

Que importa mais? Salvar outros ou preservar os nossos?

É mais urgente a nossa imigração para outro espaço ou um novo passo na nossa evolução, no nosso espaço e tempo?

O que devemos descobrir? O que está além do horizonte ou que está dentro, ao lado e além de nós?

Somos altruístas e abnegados para com a nossa espécie ou apenas com os nossos?

Interstellar - screenshot 6

Filme sobre perguntas (estas e tantas – a cada um essa descoberta), “Interstellar” deixa as respostas para cada um.

Mas Nolan parece ter encontrado uma – a chave da nossa sobrevivência é o Amor, a forma como o vivemos e o sentimos no nosso Espaço e Tempo.

E, talvez, seja mesmo esse o mundo que o filme descobre. Que, por muitas galáxias e planetas que se descubram, procurem e visitem, o essencial a nós está sempre dentro de cada um, naquilo que vive e sente e para quem tudo isso é importante.

 

Sim, “Interstellar” é um filme. É de sci-fi. Quer ser blockbuster. Mas é também uma jornada (cíclica) num Espaço, e com um Tempo, para muitas emoções.

INTERSTELLAR

Matthew McConaughey tem aqui um dos momentos altos da sua carreira (atenção ao seu rosto quando se despede, atenção à sua expressividade quando quer regressar) e é de esperar nomeações e prémios.

Mackenzie Foy é um pequeno grande talento e um prodígio de emotividade (atenção à dor do seu rosto, na despedida).

Interstellar - screenshot 2

Muito boa banda sonora de Hans Zimmer, bem acima da sua mediania de há vários anos (ou seja, enésimas versões do seu tema habitual), lembrando, por momentos, alguns dos grandes temas de Vangelis. A sonoridade de Zimmer faz-nos deambular – no Espaço, no Tempo, em emoções e dentro de nós.

Boa fotografia de Hoyte Van Hoytema, embora não ao nível de Wally Pfister (o habitual DP de Nolan, que estava ocupado com a sua opera prima, o medíocre “Transcendence”).

Óptimo uso do som (ouça-se a passagem do som para o silêncio entre interiores e exteriores, principalmente no momento da explosão).

Hábil montagem de Lee Smith (outro habitual de Nolan) – veja-se a tensão quando presente, passado e futuro se juntam.

Interstellar - screenshot 12

“Interstellar” é o filme do ano.

A sua importância na década, no século, no Cinema e em Nós, é algo que será dado/descoberto ao longo do… tempo. E “Interstellar” tem muito a descobrir, ver, sentir e viver, durante essa viagem.

É o filme que precisamos para nos lembrar o que ainda temos de evoluir.

Ainda há…

Tempo.

Ainda temos…

Espaço.

 

Obra-prima total.

Interstellar - screenshot 11

Realizador: Christopher Nolan

Argumentistas: Jonathan Nolan, Christopher Nolan

Elenco: Matthew McConaughey, Anne Hathaway, Jessica Chastain, Mackenzie Foy, Ellen Burstyn, John Lithgow, Wes Bentley, Matt Damon, William Devane, Michael Caine

 

Orçamento – 165 milhões de Dólares

Bilheteira (até agora) – 76 (USA); 212 (mundial)

 

Site –https://interstellar.withgoogle.com

Interstellar - screenshot 13

Entrevistas

http://collider.com/christopher-nolan-interstellar-interview/

http://www.hollywoodreporter.com/behind-screen/christopher-nolan-breaks-silence-interstellar-749465

 

A banda sonora de Hans Zimmer

 

Um tema extra

Interstellar - screenshot 7

Sobre Kip Thorne, o cientista cujo trabalho inspira “Interstellar”

http://www.its.caltech.edu/~kip/

http://www.thedailybeast.com/articles/2014/11/14/meet-kip-thorne-the-man-who-crafted-the-artful-science-of-interstellar.html

http://www.theregister.co.uk/2014/10/24/kip_thorne_interstellar_black_hole/

http://www.theguardian.com/science/2013/jun/21/kip-thorne-time-travel-scientist-film

http://www.universetoday.com/115562/the-physics-behind-intellstellars-visual-effects-was-so-good-it-lead-to-a-scientific-discovery/

http://www.space.com/17086-bizarre-black-holes-kip-thorne-interview.html

http://www.wired.com/2014/10/astrophysics-interstellar-black-hole/

http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2014/11/veja-o-que-o-fisico-kip-thorne-tem-dizer-sobre-interestelar.html

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One comment on “Interstellar (2014)

  1. Manuel Araújo diz:

    Viva…
    Que dizer? Apenas que fui ver o filme duas vezes a uma sala de cinema… A segunda vez serviu de confirmação de tudo o que tinha percepcionado na primeira (sei que vou arriscar muito ao escrever isto e provavelmente alguns não concordarão) – É a OBRA PRIMA do cinema deste século…
    Mesmo para aqueles que não são fãs de sci-fi, o filme vai além disso, muito além. Uma jornada épica para salvar a Humanidade, a coragem de alguns que abandonam o que mais prezam para encontrar a solução, a visão antagónica sobre os sacrificios a fazer para atingir os objectivos…
    Isto é CINEMA!

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