Em Parte Incerta (2014)

Em Parte Incerta  - Poster 2

Título Original – Gone Girl

 

Há sempre razões para (boas e altas) expectativas quando David Fincher regressa.

Principalmente ao thriller, o seu género de eleição.

Ei-lo de volta, ao género, e capaz de fazer esquecer o seu frouxo “The Girl With The Dragon Tattoo”.

 

Nick Dunne parece ter encontrado em Amy Elliott a mulher perfeita para ele.

A paixão é imediata e o casamento surge.

Tudo corre bem, mas a celebração do quinto aniversário traz uma prenda “assassina” – Amy desapareceu e parece não haver rasto.

A investigação começa e vai revelando verdades inesperadas.

Até que Nick se torna suspeito. Estará Amy morta? E pelo seu amado marido?

GONE GIRL, from left: Ben Affleck, Rosamund Pike, 2014. ph: Merrick Morton/TM & copyright ©20th

Será o casamento a mais encantadora das mentiras, o mais perfeito alibi para um crime, o mais insuspeito dos crimes?

David Fincher dá-nos uma (ou a sua?) visão (distorcida, bem negra, irónica, cínica e até mesmo “assassina”) sobre o casamento.

Aliás, “Gone Girl” é mesmo (ou pode ser visto como) o remake de “Cenas da Vida Conjugal” pelo olhar de Fincher.

 

Numa primeira análise, Fincher ilustra um elaborado, requintado, envolvente e fascinante mistério clássico (mulher desaparecida, dúvida entre rapto e assassínio, suspeitos, investigação, revelações, verdade).

Mas a narrativa também traz uma abordagem sobre o desejo (cego), a fantasia à volta do/da Ele/Ela ideal, sendo um verdadeiro manual sobre manipulação (do desejo, da paixão, do amor, do casamento, da imagem).

Pelo meio, uma “reportagem” sobre todo o circo mediático movido pelos media, quando surgem eventos deste género, mostrando (de forma perturbante e até “cómica”) como se cria e destrói (de forma vertiginosa), populariza e corrompe (como se pessoas fossem personagens sujeitas a um processo “criativo”) a imagem e reputação de alguém.

 

Surpreendente, cativante, inesperado, “cerebral” e inquietante.

E sempre, sempre, cheio de voltas e reviravoltas, nunca se percebendo quem é quem, os motivos de cada um e a verdade.

gone-girl-DF-01826cc_rgb.jpg

Ben Affleck tem aqui a sua melhor interpretação (mas calma, que Affleck não é – e, certamente, nunca será – um dos melhores actores do mundo), como um perfeito idiota, apaixonado, suspeito, vítima e “assassino”, num personagem cheio de surpresas.

Rosamund Pike está esplêndida com a sua atitude, voz, olhar, rosto e “vitima” perfeita, numa personagem cheia de surpresas.

Gone Girl - screenshot 4

David Fincher dirige com o seu habitual sentido de elegância, perfeccionismo na forma como está atento aos detalhes (os olhares e os rostos) e ambientes (o espaço doméstico – antes e depois dos eventos), com grande estilismo (atenção às transições entre presente, passado e as “explicações” da “verdade”).

 

Um regresso em grande forma por parte de Fincher, que aqui assina o seu melhor filme.

 

O melhor e mais surpreendente thriller de 2014 e um dos melhores filmes do ano.

 

E funciona como um survival guide para os meninos.

Como uma amiga minha me disse no final – “cuidado com as sonsas”.

Gone Girl - screenshot 2

Realizador: David Fincher

Argumentista: Gillian Flynn, a partir do seu livro

Elenco: Ben Affleck, Rosamund Pike

 

Orçamento – 61 milhões de Dólares

Bilheteira (até agora) – 126 (USA); 254 (mundial)

 

Site – http://www.gonegirlmovie.com

Sobre Gillian Flynn, a autora do livro onde o filme se baseia – http://gillian-flynn.com

 

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