E Deus Criou a Mulher (1988)

E Deus Criou a Mulher 1988

Título Original – And God Created Woman

 

Por alguma razão (???) que só o(s) responsável(eis) sabe(m), decidiu-se fazer um remake do clássico “Et Dieu… créa la Femme”.

Falado em Inglês, passado nos USA e adaptado à vida dos 80s.

Roger Vadim regressa à realização (mas o argumento não é dele).

À semelhança do original, conta com uma (grande) beldade da época – a excitante Rebecca De Mornay.

 

Robin Shea está a cumprir prisão por um pequeno roubo.

O seu sonho é criar uma rock band. A liberdade condicional pode surgir. Mas Robin precisa, de acordo com a lei, de ter um marido. Encontra-o em Billy, com quem faz um negócio. Mas Robin também tem os olhos em James Tiernan, um político que pode ser governador e tem boas relações para conseguir a liberdade (total) de Robin.

E por muito que ambos tentem controlá-la, Robin é uma free spirit indomável.

And God Created Woman - screenshot 6

Não sou um puritano hostil a sequelas ou remakes.

(embora torça o nariz quando sei que se vai fazer um a partir de um título perfeito, clássico, emblemático e/ou inimitável)

Mas a fazerem-se, que tragam algo de novo, façam melhor que o original (se este não for uma obra-prima) e traga-se (quando apropriado) a adequada modernização aos tempos (sociais, culturais, cinematográficos, técnicos e estéticos).

Com este remake, há um mixed bag de tudo isto. Com resultados que fogem do “divino” e quase parecem executados por uma força “maléfica”.

 

O que no original era um “manifesto” à liberdade da Mulher e à afirmação da sua condição, no remake converte-se numa simples comédia e fantasia sexual.

O facto da protagonista, com a sua ânsia de liberdade, ser uma presidiária, até foi uma decisão criativa bem pertinente (a liberdade ganha assim vários significados).

Mas tudo se perde no resto das intenções.

A comédia acaba por ser à volta de uma presidiária que quer fazer uma banda de rock, “raptando”/excitando os membros que convoca. Há comédia à volta de uma mulher, com jeito no bilhar (não é metáfora), que procura usar os seus atributos para convencer/excitar um político a meter uma cunha para a sua liberdade perante a Lei. E a comédia continua numa mulher, presidiária e em liberdade condicional, a adaptar-se ao casamento, ao marido (por conveniência) e à sua família.

A fantasia sexual vem pela atitude da mulher (de beleza estonteante, excitante e com curvas perfeitas), face ao sexo e à forma como o usa para desenrascanço.

O problema é que, em todas as vertentes e níveis da narrativa, o filme é banal, oco e até, por vezes, idiota.

Vadim anda completamente perdido, sem saber o que fazer, dando ao filme um tom de spoof erótico, mas nem envolve, cativa ou excita, metendo aqui e ali, sem grande nexo, um conjunto de cenas “eróticas” que só servem para consolo dos olhos.

And God Created Woman - screenshot 4

Rebecca De Mornay é que evita mesmo o falhanço total. Linda, sexy, excitante, insinuante, irreverente, livre e determinada, traz alguma coisa que vinha do original e da prestação de Brigite Bardot. “Becky” não iguala BB, mas anda nas imediações.

(ahhhh, e ainda a vemos em palco, a cantar, dançar e a fazer guitarradas)

 

De recomendação mínima, só mesmo para o prazer visual, por mérito de Rebecca De Mornay.

O soft-porno ou pseudo-erótico dos 80s teve (bem) pior (os títulos com Brigitte Nielsen), mas também teve (bem) melhor (alguns com Tanya Roberts, alguns com Shannon Tweed, alguns com Sylvia Kristel e o mais icónico da época que é “9 ½ Weeks”).

 

“And God Created Woman” não tem edição portuguesa. A edição inglesa está a preço tão cativante como a prestação da Rebecca.

And God Created Woman - screenshot 1

Realizador: Roger Vadim

Argumentista: R.J. Stewart

Elenco: Rebecca De Mornay, Vincent Spano, Frank Langella

 

Bilheteira – pouco mais de 700.000 Dólares (USA)

And God Created Woman - screenshot 3

Rebecca De Mornay esteve nomeada para “Pior Actriz” (não exageremos!!!), nos Razzie 1989. “Venceu” Liza Minnelli por “Arthur 2: On the Rocks” e “Rent-a-Cop”.

 

Madonna e Lisa Bonet foram as primeiras escolhas para protagonistas. Cameo de Roger Vadim – é o fotógrafo.

 

Trailer

 

Rebecca a cantar

 

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