WALL-E (2008)

WALL-E - Poster 3

O género da animação sempre teve momentos altos graças à Disney.

Mas nas duas últimas décadas, o género tem sofrido um ritmo de produção avassalador (muitos são agora os estúdios de animação), onde muitos e bons têm sido os títulos.

A Disney ainda lidera (mas com séria concorrência), mas tem uma sua subsidiária a ditar regras – a Pixar (o estúdio que tudo mudou no género, principalmente em matéria de animação digital).

Eis uma das suas grandes pérolas.

E do género.

E de Todo O Cinema.

 

O ano de 2008 tinha trazido pouca animação, mas muito boa (“Horton Hears a Who, dos Blue Sky; “Kung-Fu Panda”, da Dreamworks). Desde há vários anos que nenhum ano de boa animação passa sem a genial Pixar. E o seu título para este ano era este incrível “WALL-E”.

WALL-E - screenshot 1

O título vem da catalogação técnica do seu protagonista – um robot que efectua missões de limpeza e empilhamento na Terra, pois esta é um depósito de lixo, dado que foi abandonada pela Humanidade, que foi viver para o Espaço.

WALL•E

WALL-E (“Waste Allocation Load Lifter – Earth Unit”, algo como “Unidade Terrestre de Transporte e Empilhamento de Lixo”) está ao serviço de uma poderosa corporação chamada Buy N Large, e já se encontra no nosso planeta há vários séculos, praticamente sozinho, pois a sua única companhia e amizade é uma simpática barata.

WALL-E - screenshot 3

Um dia, surge EVE (Extra-Terrestrial Vegetation Evaluator ), uma “robota” de reconhecimento com a missão de sondar se o nosso planeta pode ser novamente habitável. O encontro entre os dois resulta num amor à primeira vista, para WALL-E. Mas o amor pode acabar, pois os emissários de EVE vêm buscá-la. Mas WALL-E não abdica da sua paixão e investe numa missão de salvamento da sua amada, mas que se revela igualmente vital para o futuro da Humanidade.

WALL-E - screenshot 7

 

A Humanidade dos Robots

 

Para não variar, o novo filme da Pixar é uma obra-prima, uma sublime peça de Cinema.

WALL-E - screenshot 4

O deambular de um simpático robot (que apetece levar, imediatamente, para casa) por um desolado planeta Terra, onde é um dos últimos habitantes (a sua companhia é uma engraçada barata), já tem imensos motivos de interesse, com potencial de humor e crítica.

Para dar mais um pouco de humor, eis que chega uma “robota” de última geração que cativa imediatamente o “coração” do protagonista (e até do espectador).

Se o argumento fosse só isto, já havia material de sobra para um produto simpático, romântico, inteligente e divertido.

Na verdade, toda a fase da narrativa que se passa na Terra é muda e encantadora, recuperando o melhor do Cinema na fase do mudo, bem como a herança de Charles Chaplin.

WALL-E - screenshot 8

Mas os autores quiseram mais. Quando WALL-E parte para o espaço em busca da sua amada, o filme espeta-nos a todos uma valente lição de humanidade, valores e sentimento, com o mérito de ela ser dada por máquinas. O filme mostra o lado ridículo do ser humano quando dependente da tecnologia (veja-se o momento em que duas pessoas comunicam entre si através de um dispositivo, estando a centímetros um do outro e quase não se vêem; ou o seu aspecto balofo, resultante de uma vida em que a tecnologia faz tudo, podendo-se ficar de rabo alapado – literalmente) e dos estragos que ambos causam ao Planeta Azul, devido ao seu “conformismo tecnológico”. Mas tudo com um refinado humor e muita inteligência.

WALL-E - screenshot 17

É um filme com um argumento “multi-camadas” – as crianças vão-se deliciar com as peripécias do protagonista (os papás devem ter recebido muitos pedidos de Natal, nesse ano) e os adultos (que não vão deixar de se divertir com o “rés-do-chão” da história), assistem a uma poderosa reflexão e crítica sobre alguns dos nossos comportamentos e os seus resultados no “estado de saúde” da Terra. Por aqui se fala sobre o indivíduo, a sua relação com o exterior, o seu lugar no mundo, as grandes corporações, focando também diversas questões relevantes ao estado do planeta (ambiente, poluição, tecnologia, hiper-população).

WALL-E - screenshot 13

Cinema de animação com o melhor da tecnologia, comovente história de amor (a mais intensa dos últimos largos anos), poderosa mensagem ecologista.

Como se fosse pouco, o filme revela cinefilia (algo já habitual na Pixar) – “I Am Legend”, “2001”, “E.T.”, “Short Circuit” e alguns títulos de Chaplin têm lá algumas referências.

E até o protagonista gosta de Cinema – veja-se como ele se delicia a ver musicais (é o encantador “Hello Dolly”, de Gene Kelly, com Barbra Streisand e Walter Matthau).

WALL-E - screenshot 14

Para quem é conhecedor do universo Apple, o filme é um maná de referências a produtos da “maçã”.

 

“WALL-E” não se deveria ter ficado pela “Melhor Longa-Metragem de Animação” nos Óscars 2009 (nesta categoria, a sua vitória é já era fava contada), pois seria inteiramente justa a sua vitória como “Melhor Filme” (ganhou “Slumdog Millionaire”). Poucos filmes de imagem real conseguem chegar a este nível de excelência técnica, comoção e mensagem.

WALL-E - screenshot 16

Seria igualmente bom que entusiasmo massivo do público nas salas (de Cinema e domésticas) tenha/tivesse como consequência uma mudança de atitude face ao planeta. Isso seria a “sequela” perfeita (mas confesso que, perante o final do filme, também me satisfaria imenso ver um “WALL-E 2” – ainda fica muito bom material para explorar, dentro do humor, do amor e da reflexão).

 

“WALL-E” foi, “apenas”, o melhor filme de 2008. Um dos melhores da década (se não mesmo o melhor), um dos melhores deste novo século e um dos maiores filmes de toda a História do Cinema.

 

Obrigado Pixar, mais uma vez.

WALL-E - screenshot 9

Confessem lá. Não apetece ter um destes “faz-tudo” lá em casa?

WALL-E - screenshot 18

Sem dúvida, o par romântico de 2008. E um dos maiores do Cinema.

WALL-E - screenshot 11

Realizador: Andrew Satanton

Argumentistas: Andrew Stanton, Pete Docter, Jim Reardon

Vozes: Ben Burtt, Elissa Knight, Jeff Garlin, Fred Willard, John Ratzenberger, Sigourney Weaver, Teddy Newton

 

Site –http://www.disney.co.uk/wall-e/

 

Orçamento – 180 milhões de Dólares

Bilheteiras -223 (USA); 534 (mundiais)

WALL-E - screenshot 19

“Melhor Filme de Animação”, nos Oscars 2009. Esteve nomeado para “Melhor Argumento”, mas perdeu (?????) para… “Milk”??????????.

“Melhor Filme de Animação”, nos Globos de Ouro 2009 e nos BAFTA 2009.

“Filme do Ano”, nos Prémios AFI 2009.

“Melhor Filme de Animação”, nos Prémios Saturn 2009. Andrew Stanton esteve nomeado para “Melhor Realizador”, mas perdeu (?????) para Jon Favreau em “Iron Man”.

“Melhor Argumento”, pela Aliança de Mulheres Jornalistas 2008.

“Melhor Filme de Animação”, pelos de Críticos de Austin 2008.

“Melhor Música”, nos Prémios BMI 2009.

“Melhor Filme”, pelos Críticos de Boston 2008.

“Melhor Filme”, “Melhor Argumento”, pelos Críticos de Ohio 2009.

Melhor Filme”, “Melhor Argumento”, “Melhor Música”, pelos Críticos de Chicago 2008.

“Melhor Filme de Animação”, pelos Críticos de Dallas 2008, Florida 2008, Kansas 2008, Las Vegas 2008, Nova Iorque 2008, Phoenix 2008, San Diego 2008, St. Louis 2008, Toronto 2008, Utah 2008, Prémios Satellite 2008 e pela National Board of Review 2008.

“Melhor Canção – Cinema ou Televisão”, nos Grammy 2009.

“Melhor Filme de Animação do Ano”, no Festival de Hollywood 2008.

“Melhor Filme”, pelos Críticos de Los Angeles 2008.

“Melhor Filme de Família”, nos Prémios People’s Choice 2009.

“Melhor Argumento”, nos Prémios Nebula 2009.

WALL-E - screenshot 20

Os primeiros 30 minutos de filme são ausentes de diálogo.

É o filme mais curto (cerca de 90 minutos) do estúdio, desde “Finding Nemo” (“The Incredibles”, “Cars” e “Ratatouille” atingiam quase as duas horas de duração).

O primeiro filme da Pixar a ser nomeado para 6 Oscars. Só um outro filme, de animação e da Disney, conseguiu tal – “Beauty and the Beast”.

Stanton e a sua equipa viram vários filmes de Charles Chaplin e Buster Keaton, para inspiração em ideias visuais.

Inicialmente, os habitantes da cidade espacial de Axiom seriam extra-terrestres, hostis a robots.

EVE foi desenhada por Jonathan Ive, o responsável pelo desenho do… iPod.

“WALL-E” nasceu de um almoço, em 1994, onde John Lasseter, Pete Docter e Joe Ranft (alguns dos poderosos criativos da Pixar) trocavam ideias e projectos. Para além deste filme, também surgiram ideias para “Bug´s Life”, “Monsters Inc.”, “Finding Nemo”.

Elissa Knight, a voz de EVE, e uma funcionária da Pixar.

A cidade de Axiom é inspirada na Disney Cruise Line e em diversos resorts de Las Vegas.

Jim Reardon (o story supervisor) considera o filme como “se Buster Keaton fizesse um filme com Sigourney Weaver”.

Uma ideia inicial era EVE ser raptada por alienígenas verdes. WALL-E partia no seu resgate.

O working title era “Trash Planet”.

Foi enviado para as salas com o título “Sundaye”.

WALL-E - screenshot 12

A Pixar – http://www.pixar.com/

A Disney – http://disney.com/

WALL-E - screenshot 21“WALL-E” tem edição portuguesa (de 1 ou 2 discos) e já anda a preço bem “sentimental”.

 

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