The Deep – O Abismo (1977)

O Abismo

Tenho boas memórias deste filme. Recordo tê-lo visto numa matiné de Sábado, com boa lotação, no saudoso Cinema Batalha. E foi o segundo filme que vi, num grande ecran. Depois de ver uma “Star Wars” em 70mm, e antes de assistir ao voo de “Superman”.

Jacqueline Bisset, em t-shirt molhada, no fundo do mar. “Mergulhou” imediatamente para a minha galeria de Deusas do Cinema.

 

O fundo do mar é cenário de mundos maravilhosos, plenos de animais incríveis e plantas fascinantes.

Mas também pode ser o cenário de boas aventuras.

Eis uma.

Jacqueline Bisset - The Deep - 1

David e Gail estão a passar umas férias nas Bermudas. A paixão pelo mergulho leva-os sempre a curiosas descobertas. Um dia, David descobre um artefacto. O que poderia ser algo banal, revela-se um indício de um enorme tesouro. Um tesouro que começa a suscitar o interesse de muita gente. E nem todos com as mais honestas das intenções.

Jacqueline Bisset, Nick Nolte, Robert Shaw - The Deep - 3

Uma bela aventura a envolver o oceano e os seus tesouros, de moldes simples e clássicos, com uma narrativa bem cativante.

Peter Yates é inglês e sempre se revelou um dos tarefeiros mais capazes do cinema dos 70s até ao seu fim de carreira. Andou pelo policial (“Bullitt”), pela fantasia (“Krull”), pelo suspense (“Suspect”, “The House on Carroll Street”) e até pelo drama (“The Dresser”).

Aqui tem mais um dos seus momentos mais conseguidos, conseguindo um competente action adventure thriller, de ritmo suave, mas muito envolvente.

Nota alta para as fantásticas cenas aquáticas, que tanto pasmam (a visão da fauna e flora), empolgam (a confrontação no navio) e assustam (a aparição da moreia).

Destaque também para a belíssima fotografia e para a sempre elegante composição sonora do grande John Barry.

Boas prestações de Jacqueline Bisset (já uma consagrada Lady do Cinema), Nick Nolte (ainda jovem, vindo do sucesso obtido na popular série “Rich Man, Poor Man”) e o veterano Robert Shaw, acompanhados por Louis Gossett Jr. e o veterano Eli Wallach.

Jacqueline Bisset, Nick Nolte - The Deep - 3

Não é obra-prima, clássico ou título essencial, mas é um (excelente) exemplo de um certo tipo de entretenimento de luxo e clássico (entenda-se – à moda antiga) que (infelizmente) já se deixou de produzir.

 

“The Deep” tem edição portuguesa e já anda, há muitos anos, a preço “afundado”. A dificuldade está em encontrá-lo nas lojas. Contudo, a Amazon tem o título no seu catálogo, a preço pechincha e com legendas em Português.

 

Trailer

Jacqueline Bisset, Nick Nolte - The Deep - 2

 

O grande Christopher Challis esteve nomeado na categoria de “Melhor Fotografia”, nos BAFTA 1978. Perdeu para o igualmente brilhante Geoffrey Unsworth, por “A Bridge Too Far”.

The Deep - 2

Baseado no livro de Peter Benchley, escritor muito fascinado pelo mundo do mar, autor do célebre “Jaws” que originou o ainda mais célebre filme de Spielberg. O livro “The Deep” foi numero 1 de vendas nos USA ao fim de duas semanas e permaneceu na lista de best sellers por seis meses.

Sobre Peter Benchley – http://www.peterbenchley.com/

The Deep - 1

Antes da escolha de Yates, consideram-se realizadores como John Boorman, Steven Spielberg e John Frankenheimer. Todos tiveram de recusar por compromissos já agendados.

Candice Bergen, Katharine Ross e Charlotte Rampling foram consideradas, mas foi Jacqueline Bisset a eleita.

Sean Connery, Robert Mitchum, Burt Lancaster e Charlton Heston foram considerados, mas Robert Shaw ganhou.

Jeff Bridges e Ryan O’Neal foram considerados, mas Nick Nolte venceu (seria o seu primeiro filme como protagonista).

Shaw recebeu um ordenado de 650.000 Dólares mais uma percentagem das receitas na bilheteira. Shaw chegou a dizer que este filme marcou a primeira vez na sua carreira em que assinou contrato sem ler o guião, tendo-se limitado a acreditar, instintivamente, no potencial do filme.

Jacqueline Bisset - The Deep - 13

Existe um cut exibido em televisão, com mais 53 minutos de metragem. Infelizmente, esse cut nunca foi lançado para o mercado doméstico. Contudo, a edição USA em Blu-Ray contém alguma dessa metragem, na secção “Deleted Scenes”.

O personagem de Robert Shaw é inspirado em Teddy Tucker, um mergulhador e caçador de tesouros, amigo de Benchley, que o ajudou na elaboração do livro. Tucker aparece no filme como o chefe do porto.

O barco afundado que se mostra é verdadeiro. É o “RMS Rhone”, um navio-correio. Afundou-se em 1867, nas Ilhas Virgens. Ao afundar partiu-se em dois. A parte que ficou mais próxima da superfície é a que se vê no filme. Mesmo assim, foi necessário construir novas estruturas para maior segurança e maneabilidade da equipa e actores.

Números da produção – 153 dias de filmagens, 8.895 mergulhos, 2.9846m³ de oxigénio em botijas para mergulho, 10.870 horas de mergulho.

O governo das Bermudas chegou a criar uma zona especial para as filmagens, onde foi entregue um tubarão, uma moreia e 300 peixes diferentes.

O filme foi filmado em quatro oceanos diferentes, entre eles o Pacífico e o Atlântico Norte.

Bisset, Nolte, Shaw e Yates tiveram de aprender mergulho. Apesar dos actores terem feitos muitas cenas debaixo de água, nalgumas cenas perigosas eles foram dobrados por mergulhadores profissionais.

Jacqueline Bisset - The Deep - 3

Uma das cenas apagadas (da tal metragem extra) envolvia um prólogo sobre o barco em causa. Benchley aparecia como um dos membros da tripulação. A versão jovem dos personagens de Shaw e Wallach eram interpretados por filhos de ambos.

O filme estreou 18 meses do livro ter sido lançado.

O produtor Peter Guber assegurou os direitos sobre o livro de Benchley por 500.000 Dólares e mal o acabou de ler. Estava-se ainda em 1975 e “Jaws” (o filme) tinha estreado recentemente (e com o monumental sucesso que se sabe).

Foi o grande sucesso da Columbia nesse ano e o nono maior sucesso do ano.

Considera-se que este filme ajudou Bisset e Nolte a tornarem-se grandes estrelas. Fala-se que muito do sucesso e do word-of-mouth que o filme gerou se deve a Bisset e à sua aparição (é a primeira do filme) em t-shirt molhada, justa e “reveladora”. Fala-se que tal permitiu a Bisset tornar-se um sex symbol. Guber disse no livro dedicado a si (“Hit and Run: How Jon Peters and Peter Guber Took Sony for a Ride in Hollywood”) que tal t-shirt fez dele um milionário.

Jacqueline Bisset - The Deep - 4

O poster publicitário acaba por ser quase um rip off do de “Jaws” – água, fundo do oceano e uma mulher. Diferenças? Em “Jaws” a mulher está à tona e nas profundezas um tubarão, em “The Deep” a mulher está nas profundezas e nada há a tona.

 

O filme conta com uma canção famosa na sua banda sonora. “Down Deep Inside”, de John Barry, com voz de Donna Summer. Foi um grande sucesso.

Ei-la:

 

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