Grand Piano (2013)

Grand Piano

 

Mais um exemplo da vitalidade e qualidade do cinema espanhol no campo do suspense.

E com uma situação que faria as delícias a Hitchcock ou De Palma.

 

Um pianista de sucesso prepara-se para mais um concerto. Mas este vai ser mesmo o concerto da sua vida. Ele descobre nas pautas a mensagem de um assassino – se o pianista falha, a esposa morre.

 

Dá sempre gosto ver-se que a herança de Hitchcock não está perdida.

Eis mais uma prova.

Eugenio Mira dirige com garra, fazendo-nos sentir toda a tensão da situação, o medo do protagonista, a falta de saídas e a claustrofobia do espaço.

Mira brinca à Hitchcock (a montagem, o efeito MacGuffin) e a De Palma (a forma como a câmara se move e percorre o espaço), sem ter medo de colocar um pouco de humor (o toque do telemóvel na sala) e até uns laivos de giallo à Argento (a cena no quarto de banho), conseguindo momentos de fazer saltar as unhas (e cena com o telemóvel) e de grande virtuosismo técnico (o plano onde assistimos a dois eventos diferentes no teatro, mas muitos separados no espaço).

Excelente partitura musical de Víctor Reyes, entre Bernard Herrmann e Ennio Morricone.

Grand Piano - Image 1

Elijah Wood muito bem, a compor um individuo normal perante o maior susto da sua vida.

Só faltou uma melhor justificação para os eventos e uma maior complexidade do vilão.

(era nisto, e em muita coisa, que Hitchcock nunca falhava – por isso, já não há realizadores e cineastas como Hitch)

Mas isso não apaga os (muitos) méritos do filme.

“Grand Piano” é uma pequena e prodigiosa sinfonia de suspense.

Infelizmente, está inédito em Portugal (salas e mercado doméstico).

(recorramos a outros “auditórios”, portanto)

 

Site – http://www.magnetreleasing.com/grandpiano/

Grand Piano - Image 2

“Melhor Montagem” e “Melhor Música”, pelo Círculo de Escritores de Cinema de Espanha 2014.

 

Sem surpresa, sabe-se que a inspiração para este filme parte de “The Man Who Knew Too Much”, de Hitchcock. Como se lembram, o auge (de suspense) do filme passa-se no Royal Albert Hall, onde os protagonistas tentam evitar um assassinato e localizar o assassino. Tudo sem diálogos, apenas o som (do concerto) e todo o engenho (planos, montagem) do Master of Suspense para este tipo de momentos.

Elijah Wood não precisou de duplo nas cenas ao piano. Wood sabe tocar piano desde criança. Contudo, recebeu umas aulas extra antes das filmagens.

Todo o teatro foi criado em estúdio, mas uma boa parte dele é criado digitalmente (as áreas onde nunca decorre acção). As partes usadas pelos actores e técnicos são reais. Muitos dos elementos que compõem o público da sala são figurantes digitais.

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