The Amazing Spider-Man – O Fantástico Homem-Aranha (2012)

O Fantástico Homem-Aranha - Poster 12

 

Spider-Man regressa amanhã. É ele o grande cicerone do entretenimento cinéfilo desta Páscoa.

Como é já um (velho e bom) hábito meu, antes de ir ver as sequelas, toca a rever a “matéria dada”.

Por isso, siga para mais um Spidey spin.

Follow me. Follow Spidey.

 

Peter Parker é um jovem tímido, brilhante estudante, amado pelos tios (com quem vive), mas atormentado pelo abandono dos seus pais, quando ainda criança. O “acaso” leva-o a uma empresa especializada em química e genética, a Oscorp. Isso vai conduzi-lo ao encontro da sua amada, Gwen Stacy, e com um brilhante cientista, o Dr. Curt Connors, que chegou a trabalhar como o pai de Peter. A visita tem um desenlace fantástico – Peter é mordido por uma aranha e ganha poderes dignos da raça. Paralelamente, na cidade surge uma estranha e brutal criatura, de nome Lizard. À medida que Peter investiga, mais descobre que não há coincidência em todos os eventos – o desaparecimento dos pais, o laboratório, a forma como ganhou poderes e o seu inimigo.

 

2012 foi um (bom) ano de super-heróis – “The Avengers” e “The Dark Knight Rises” (o final da trilogia Batman).

 

O regresso do “Aranhiço” não veio como sequela, mas como reboot.

10 anos depois de ser ter iniciado a saga, 5 anos após o fim da trilogia (assinada por Sam Raimi), o mais famoso Aranhiço do Cinema e dos Comics regressava para um recomeço de saga (para o qual já estão agendados, pelo menos, quatro filmes).

Desnecessário? Nem por isso. As complicações sobre “Spider-Man 4” ficam para o jornalismo da indústria cinematográfica.

Por isso, entre reboot ou não mais Spidey spins, venha o reboot.

O que nos interessa (aos fãs de Spidey) é que seja feita honra ao herói.

Spider-Man - John Romita - 1

Muitas expectativas havia à volta deste regresso de Spidey. Queria-se de volta a glória (que merece) – algo que se perdeu (ligeiramente) em “Spider-Man 3” (com grandes culpas para estúdio e produtores, devido à forma como se intrometeram nas decisões criativas de Sam Raimi). A trilogia de Raimi ainda estava/está na (boa) memória dos fãs, devido aos excelentes resultados (artísticos e financeiros). Este reboot não tinha/tem uma fácil missão, mas as primeiras opiniões foram muito positivas.

Look out! Here comes the Spider-Man.

Spider-Man - Steve Ditko - 3

Contas feitas, nada a temer. Spidey continua em boas mãos.

É certo que este início de saga pouco de novo pode trazer em eventos (estamos a tratar da sua origem como herói), mas tudo é compensado com uma fantástica emotividade. Tal como nos comics, a essência de Peter Parker/Spider-Man é a sua conduta, moralidade, dilemas, vontade, sacrifício, força interior. Tudo isto é (muito) bem retratado.

 

Para tal, muito ajuda o argumento (com aqueles três grandes talentos na escrita, o filme não podia falhar – Alvin Sargent vem da trilogia anterior, James Vanderbilt escreveu “Zodiac” e Steven Kloves escreveu toda a saga “Harry Potter”). Para além de abordar a origem do herói, o argumento também nos conta uma bela, simples, universal e intemporal história de amor, um drama familiar, sem esquecer todo o growing pain da adolescência, aliado a um thriller cheio de conspirações e mistérios.

O Fantástico Homem-Aranha - Andrew Garfield - 2

O trunfo máximo está na fantástica interpretação de Andrew Garfield (que potentado de actor). Garfield capta toda a essência do personagem, em perfeita filiação com a bd clássica, mas sabe adaptá-la ao seu talento e aos tempos modernos, mostrando um Peter Parker adolescente rebelde (a forma com ele se liberta a fazer skate), cheio de raiva (o seu “discurso” catártico sobre a ausência do pai, a confrontação com o seu rival – o eterno “cromo” que é Flash Thompson), ânsias (a procura de respostas sobre o mistério dos pais) e angústias (o seu dever face a Gwen), compondo também um Spider-Man mais ágil (a forma como ele se movimenta), mais solto e divertido (a hilariante captura do ladrão de carros). Tobey Maguire (o Peter Parker/Spider-Man da trilogia Sam Raimi) é brilhante, mas Andrew conseguiu ir mais longe.Quando o ouvimos, vestido o Spidey suit, Spider-Man tem em Garfield a voz que imaginamos ao ler os comics.

Emma Stone brilha como um diamante e a sua química com Garfield salta faíscas permanentemente.

O Fantástico Homem-Aranha - Spidey & Gwen

Marc Webb mostra que sabe lidar com emoções (é dele o belo “(500) Days of Summer”), mas (há que perdoar, pois este é o seu segundo filme e a estreia em blockbusters) não tem (ainda) a devida destreza para as cenas de acção (neste campo, Sam Raimi e a sua trilogia saem a ganhar). O filme acaba por ser mais bem conseguido na componente humana, emocional e sentimental. Mas calma, que o filme tem suficientes doses de acção, satisfatórias, em pleno espírito aracnídeo (veja-se o salvamento na ponte e as lutas com The Lizard).

Spider-Man vs the Lizard - Cover 2

Os conhecedores da bd podem deliciar-se com piscadelas de olho a diversos momentos que a saga teve ao longo destes 50 anos. Há uma evocação do passado (as wisecracks de Spidey, Peter a usar máquina fotográfica de película, Peter como génio da Ciência, o uso dos lendários webshooters, Gwen Stacy como o interesse sentimental, o diálogo final entre Spidey e o Capitão Stacy), mas alusões ao presente (a narrativa toma elementos de “Ultimate Spider-Man”, Spidey usa frequentemente telemóvel, a forma como se mostra os adolescentes contemporâneos, a tecnologia que se foca).

 

Bom 3-D, que ganha a sua eficácia máxima quando acompanhamos os webspins de Spider-Man (sim, sentimo-nos mesmo ao lado dele). Ver-se Spider-Man a spinnar pela cidade é das experiências mais exhilarating que o Cinema nos pode dar (yup, believe it, true believer).

 

“The Amazing Spider-Man” faz boa figura ao lado dos filmes de Sam Raimi (supera o terceiro e está quase ao nível do primeiro – “Spider-Man 2” é que ainda é uma referência insuperável), traz Spidey de volta em grande e abre portas (fiquem na sala durante o genérico final e adivinhem quem será o vilão no próximo episódio) para uma nova e promissora saga.

Ultimate Spider-Man - 2

Resumindo, face ao equivalente de Sam Raimi:

Melhorias

  • Andrew Garfield e a sua interpretação
  • Peter a revelar-se um génio científico
  • o humor de Spidey
  • a química entre Andrew/Peter e Emma/Gwen
  • o desenvolvimento sentimental entre Peter & Gwen é mais fluído face a Peter & MJ (que tinha, aqui e ali, uns entraves)
  • Gwen Stacy é mais cativante que Mary Jane Watson (que, por vezes, era algo choquinha)
  • os tios de Peter têm mais força emotiva e mais tempo de antena (Sally Field/Tia May e Martin Sheen/Tio Ben)
  • o mistério à volta dos pais de Peter e a sua relação com a Oscorp (que logo nos lembra que Norman Osborn/Green Goblin não anda longe)
  • a relevância do Capitão Stacy (um excelente Denis Leary)
  • os efeitos visuais (como é óbvio, nesta área, tudo evolui para melhor em 10 anos).

Retrocessos

  • a fotografia é demasiado negra (o filme de Raimi tinha uma cor mais fiel à bd)
  • o tom (parece mais um drama sobre um adolescente em busca da sua identidade, aliado a drama familiar, combinado com um thriller científico, com uma história de amor, onde surge um super-herói)
  • a acção (Webb não tem a imaginação visual de Raimi)
  • não é feito o devido desenvolvimento à volta de Peter na descoberta dos seus poderes (tudo decorre de forma muito rápida e algo brusca; o filme de Raimi propunha uma progressão mais lógica, calma e até divertida)
  • a ausência de J.J. Jameson (dava uma ajuda na componente humorística e na luta pela afirmação de Spidey pela sua imagem na cidade
  • o vilão carece de garra, apesar de Lizard/Dr. Curt Connors ser um dos mais respeitáveis, temido e admirados vilões de Spidey (Norman Osborn/Green Goblin estava mais bem desenvolvido, com mais tempo de antena e melhor interpretado, sendo mais temível)
  • a conclusão á volta do assassino do Tio Ben não é feita (tremendo erro, pois tal não exige maior duração na narrativa)
  • deixa demasiados mistérios à volta da Oscorp e dos pais de Peter sem resposta (devia-se ter esclarecido algumas pontas)
  • a banda sonora é correcta mas não arrebatadora (algo que Danny Elfman conseguiu no filme de Raimi).

 

O DVD e o Blu-Ray já andam a bom preço. Por isso, “The Amazing Spider-Man” está em boas condições de “ganhar teias de aranha” nas prateleiras.

O Fantástico Homem-Aranha - Poster 14

Curiosidades:

Inicialmente, o orçamento foi pensado para 80 milhões de Dólares (queria-se um filme mais intimista e menos técnico). Perante a ira, cepticismo e risos dos fãs, a Sony decidiu mudar de estratégia e equilibrar emoção, acção e espectáculo. O orçamento final passou os 200.

O realizador Marc Webb quis a menor dependência possível por parte dos efeitos visuais nas cenas que envolviam Spidey. Graças a elaborados sistemas de cabos, segurança e controlo, duplos e actores puderam fazer muitas stunts. Para coisas mais difíceis, eram usados CGI.

 

Inicialmente, o projecto era para “Spider-Man 4”. Sam Raimi, Tobey Maguire e Kirsten Dunst continuariam nas respectivas funções. O argumento colocava Peter e MJ já casados e com uma filha (algo que aconteceu na bd), o vilão seria o Vulture (apesar de Raimi querer Lizard), com ajuda da filha Felicia Hardy (que na bd era a Black Cat, sempre com um fraquinho por Spidey), Spider-Man teria uma violenta confrontação com Vulture e matá-lo-ia. O filme terminaria com Peter a abandonar as funções heróicas e a dedicar-se à família (“Spider-Man 5” lidaria com o regresso do “aranhiço” e o porquê). Raimi não gostou de muitas das ideias e pediu novo guião. Apesar das promessas (Raimi sempre se queixou do excesso de interferência do estúdio e produtores em “Spider-Man 3” – o argumento e resultado final bem o demonstram – e comunicou que só aceitaria “Spider-Man 4” se tivesse liberdade criativa total, algo que lhe foi prometido), estúdio, executivos e produtores não paravam de dar sugestões e ordens (consideravam Vulture como um velho e pouco apelativo aos jovens espectadores). Farto, Raimi saiu de cena. Com ele seguiram Maguire e Dunst. Com a “costa livre”, a Sony/Columbia decidiu investir num reboot.

Sabe-se que a Sony/Columbia já tinha em mãos o guião onde se baseia este novo filme, mas que ficou em stand-by, caso Raimi saísse de cena. Assim o estúdio já poderia fazer um reboot.

A influência visual e narrativa passou pelos desenhos de Steve Ditko (o primeiro desenhista de Spider-Man) e por “Ultimate Spider-Man” (uma adaptação de Spidey, feito para as novas gerações – mas fiel à essência do comic original – criada por Brian Michael Bendis e Mark Bagley).

Este novo filme marca o regresso dos webshooters (conforme acontecia na bd original; na trilogia de Raimi, Spidey segregava organicamente a sua teia).

Para Andrew Garfield, grande fã de Spider-Man, este é um momento alto para a sua vida – no primeiro momento em que Andrew vestiu o fato, chorou de comoção e alegria. Para se preparar, Andrew estudou aranhas e a forma como se movem.

Rhys Ifans recusou duplos para todas a cenas em que interpreta Lizard.

A química que Andrew Garfield e Emma Stone emanam no ecrã também passou para a vida real, o que tem feito as delícias do “jornalismo cor-de-rosa”.

 

O Fantástico Homem-Aranha - Poster 13

Site – http://www.theamazingspiderman.com/

 

Spider-Man

http://marvel.com/universe/Spider-Man_%28Peter_Parker%29

http://marvel.wikia.com/Spider-Man

http://marvel.com/comics/series/454/amazing_spider-man_1999_-_2013

http://marvel.com/comics/characters/1009610/spider-man

http://www.comicvine.com/spider-man/4005-1443/issues-cover/

http://marvel.com/universe/Spider-Man_(Peter_Parker)

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s