The Verdict – O Veredicto (1982)

O Veredicto

É um dos mais célebres e melhores filmes sobre tribunais alguma vez feito.

Não há razão para menos.

Argumento do prestigiado David Mamet. Produção da prestigiada dupla Richard D. Zanuck & David Brown. Realização do veterano e prestigiado Sidney Lumet. Elenco de luxo – Paul Newman, Charlotte Rampling, Jack Warden, James Mason, Lindsay Crouse, Roxanne Hart, Joe Seneca.

 

Frank Galvin é um advogado veterano, mas caído no alcoolismo e mergulhado numa série de falhanços em tribunal. Vê-se envolvido num caso sobre um erro médico. Para Frank, tal caso não representa apenas a salvação dos seus clientes, mas a sua. Tudo porque o caso lhe foi entregue na esperança de um “acordo de amigos”. Mas Frank vê ali uma oportunidade de uma forte vitória para os queixosos (ou para ele?) em matéria de indemnização, um duro castigo para os culpados e a sua redenção como advogado e pessoa. Mas a guerra vai ser dura – os adversários são um poderoso grupo de advogados, a Igreja e até o tribunal.

 

Não admira que haja tanta aclamação à volta deste filme.

É um facto que estamos perante um título de grande rigor na forma como encena os mecanismo judiciais e tribunais.

Mas Lumet e Mamet estão menos interessados no caso e na forma como ele é esclarecido no tribunal e mais na luta de um homem na procura de redenção, respeito por si próprio e numa vitória face a um sistema que apenas se rege por números e nunca por uma verdadeira concepção de justiça.

É inútil discutir-se se o veredicto final é lógico (no mundo “real” ou na realidade judicial). Para Mamet e Lumet, o que interessa é o desfecho de uma história sobre um homem que perdeu a fé em si próprio e nas pessoas, tendo de recuperá-la para vencer em tribunal. Mesmo que haja um preço a pagar na fé sobre pessoas.

Paul Newman está absolutamente sublime (era aqui que ele deveria e merecia ter ganho o Oscar), acompanhado excelentemente por todos (repito, todos) os restantes membros do elenco (Lumet era um perfeito director de actores). Charlotte Rampling está linda e fascinante e James Mason consegue toda aquela elegante “malvadez” que só ele sabia.

Atenção á força emotiva dos momentos de Newman a solo (comovente a forma como ele encontra conforto, motivação e avaliação da sua capacidade de luta sempre que joga flippers).

No meio de tanta garra emotiva, o filme tem uma notável capacidade de “entretenimento” pela forma como consegue cativar e envolver o espectador, deixando-o sempre interessado pelo que vai acontecer. Apesar de ser “sobre” tribunais, os twists & turns da narrativa são tão envolventes, que “The Verdict” cativa tanto como um bom policial de mistério.

Um clássico.

Um manual sobre como fazer (bom) cinema sobre tribunais. E sobre recuperação de auto-estima

 

Trailer

 

Sidney Lumet sobre o filme

 

Nomeado para “Melhor Filme”, “Melhor Actor”, “Melhor Actor Secundário”, “Melhor Realização”, “Melhor Argumento Adaptado”, nos Oscars 1983. “Gandhi” venceu em filme, actor (Ben Kingsley), realizador (Richard Attenborough) e argumento. “An Officer and a Gentleman” venceu o actor secundário – Louis Gossett Jr.

Nomeado para “Melhor Filme – Drama”, “Melhor Actor – Drama”, “Melhor Actor Secundário”, “Melhor Realização”, “Melhor Argumento”, nos Globos de Ouro 1983. “Gandhi” venceu em actor (Ben Kingsley), realizador (Richard Attenborough) e argumento. “An Officer and a Gentleman” venceu o actor secundário – Louis Gossett Jr. “E.T.” venceu em filme.

“Melhor Actor Estrangeiro”, nos David di Donatello 1983.

“Melhor Realizador”, pela National Board of Review USA 1982.

 

Robert Redford estava para ser o protagonista. Redford sentia-se desconfortável com certos aspectos do personagem (não queria interpretar um alcoólico) e pediu alterações, mas depois desistiu. Quando Sidney Lumet entrou em cena, leu todas versões do argumento feitas por David Mamet e escolheu a primeira versão. Paul Newman seria depois escolhido.

Dustin Hoffman, Roy Scheider, Frank Sinatra e Cary Grant foram ponderados para participar.

James Bridges (“China Syndrome”) chegou a ser considerado para argumentista e realizador.

Julie Christie recusou participar e a escolha caiu sobre Charlotte Rampling.

Em Junho 2008 estava como Número 4, numa lista elaborada pelo American Film Institute’, sobre os 10 melhores filmes do género “Drama de Tribunal”.

Edward Binns e Jack Warden tinham sido jurados num outro (grande) filme de tribunal – “12 Angry Men” (1957), “por acaso” também realizado por Sidney Lumet (foi o seu primeiro filme).

Lumet só leu o livro de Barry Reed (onde o filme se baseia) algum tempo depois de ter terminado as filmagens. Lumet achava que o guião de Mamet era tão bom que dispensava a leitura do livro.

Lumet convenceu Mamet a alterar o final do argumento. O final que Mamet tinha delineado no seu primeiro guião não foi do agrado do estúdio e por isso tinha sido rejeitado (Mamet não queria focar as consequências do veredicto).

Após a cena do veredicto, Lumet rodou dois finais diferentes – um mostrava o personagem de Newman a abandonar o tribunal, sem explicar o que lhe acontecia; o outro (o que foi usado) mostra uma cena consequente.

Atenção a um jovem Bruce Willis – está no tribunal, no decisivo discurso final.

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