Memórias de um Homem Invisível (1992)

Memoirs of an Invisible Man - Poster 1
Título original – Memoirs of an Invisible Man 

 

Numa época em que o poder do sistema (político, económico) deixa o indivíduo como um ser (verdadeiramente) invisível, eis um título certeiro.

O que assusta é o facto de ser um filme com mais de 20 anos.

Mas como vem de John Carpenter (who else?), não é de espantar que seja/esteja tão actual.

 

Devido a um azar durante um colóquio científico que assiste, um executivo de uma empresa vê-se transformado num homem invisível. Inicialmente, a coisa até tem as suas vantagens. Mas quando começa a ser perseguido por gente sem escrúpulos e com interesses pouco honestos na sua pessoa (e capacidades), o homem vê-se em permanente fuga e em busca da visibilidade das suas moléculas.

Memoirs of an Invisible Man - screenshot 1

Memoirs of an Invisible Man - screenshot 5

Dá (imensa) satisfação ver The Master a divertir-se (e a divertir-nos) à grande (se alguém tinha dúvidas, The Master não se limita a assustar-nos, ele sabe ser divertido – “Big Trouble in Little China” – e romântico – “Starman”).

O filme é um dinâmico cocktail de acção, comédia, thriller, romance e sci-fi, havendo até lugar para a cinefilia (quando o protagonista se revela à sua querida, o seu aspecto lembra o visual de Claude Rains no clássico de James Whale, de 1933).

Memoirs of an Invisible Man - screenshot 4

Carpenter dirige com bom ritmo, gerindo muito bem os (espantosos) F/X e sabendo-os usar dentro do tom e da narrativa (porque é que, dentro dos cineastas e realizadores contemporâneos, Carpenter é um dos poucos que sabe usar os efeitos visuais como um instrumento para contar uma história e não como uma “história”?), conseguindo que o filme seja, (muito, mas muito) subtilmente, uma crónica da (eterna) luta do indivíduo contra o sistema (para quem pessoas são invisíveis face aos seus interesses) – um tema sempre recorrente no Cinema de Carpenter, diga-se.

Memoirs of an Invisible Man - screenshot 6

Memoirs of an Invisible Man - screenshot 7

Memoirs of an Invisible Man - screenshot 3

Chevy Chase faz bom uso dos seus (simpáticos) dotes de comediante.

A lindíssima Daryl Hannah (um dos wet dreams dos 80s) é um sonho permanentemente visível.

Sam Neill (que trabalharia novamente com Carpenter no seu próximo filme – o surpreendente “In the Mouth of Madness”) “empacota” o filme com a sua elegante, estilizada e charmosa vilanagem, na melhor tradição do Cinema.

Memoirs of an Invisible Man - screenshot 8

O filme marcou o regresso de Carpenter aos grandes estúdios (a Warner) e às grandes produções (um orçamento de 40 milhões de Dólares). Carpenter estava longe destes dois meios desde 1986 perante o (imenso e injusto) flop de “Big Trouble in Little China” (25 milhões de Dólares de custo para receitas na ordem dos 11), andando por produções low budget (“Prince of Darkness” e “They Live”). Com este novo filme repetiu-se a “maldição” de Carpenter com grandes orçamentos e nas majors – o filme arrecadou pouco mais de 14 milhões de Dólares.

 

Estávamos em 1992. Ou seja, entre “Terminator 2” (1991) e “Jurassic Park” (1993), dois monumentos no que diz respeito aos (grandes) avanços no campo dos efeitos digitais. Pois bem, o filme de Carpenter nada lhes fica atrás, mostrando ser um excelente campo de treino nessa área (algo habitual em Carpenter – “Escape fom New York”, “The Thing”, “Big Trouble in Little China”).

Memoirs of an Invisible Man - screenshot 9

“Memoirs of an Invisible Man” não é um John Carpenter`s vintage, mas é um bom momento de diversão.

 

Muito recomendável.

 

“Memoirs of an Invisible Man” não tem edição portuguesa, mas existe noutros mercados. Nalguns, o preço anda quase “invisível”.

 

Memoirs of an Invisible Man - screenshot 2

 

Realizador: John Carpenter

Argumentistas: Robert Collector, Dana Olsen, William Goldman, baseado no livro de H.F. Saint

Elenco: Chevy Chase, Daryl Hannah, Sam Neill, Michael McKean, Stephen Tobolowsky, Pat Skipper, Donald Li

 

MSDMEOF EC041

 

Trailer

 

Informações:

http://www.theofficialjohncarpenter.com/pages/themovies/in/inmm.html

 

Memoirs of an Invisible Man - Poster 2

 

O filme baseia-se num livro (de grande sucesso) de H.F. Saint. A Warner pagou 1.35 milhões de Dólares pelos direitos.

 

O prestigiado argumentista (e script doctor) William Goldman (“All The President`s Men”, “Marathon Man”) escreveu várias versões do argumento. Todas foram rejeitadas, pois eram consideradas como comédia. Estúdio e produtores queriam algo mais sério sobre “a solidão da invisibilidade”. Goldman abandonou o projecto (mas o seu nome aparece no genérico).

Ivan Reitman ia realizar. Conflitos criativos entre ele e Chase (o actor queria um filme sério, o realizador não conseguia fazer tal com aquele actor) obrigaram o estúdio a decidir manter apenas um deles. Escolheram Chase. Este escolheria Carpenter como realizador.

Carpenter queria Jack Nitzsche para compor a banda sonora (Carpenter já tinha recorrido a Nitzsche para essas funções em “Starman”). Nitzsche estava com agenda apertada e Chase recomendou Shirley Walker, com quem já tinha trabalhado. Walker e Carpenter entenderam-se tão bem, que fariam parceria (no campo musical) em futuros filmes de Carpenter.

 

Para criar a ilusão que o personagem estava “sem” olhos, Chevy Chase teve de usar umas lentes especiais, mas com uns pequenos furos para lhe permitirem ver algo. Mas dado o tipo de lentes, Chase tinha de receber um sedativo. As cenas não podiam ser longas pois as lentes causavam-lhe uma grande dor de cabeça.

 

Cameo de Carpenter – é um dos pilotos de helicóptero que persegue o protagonista.

 

Filmou-se um final alternativo, onde se mostra o nascimento do filho do protagonista e da sua amada (e assim confirmar ou criar ambiguidade sobre a (in)visibilidade do petiz), mas não foi usado.

Ao contrário do que é habitual na sua filmografia, o filme não tem o seu título precedido por “John Carpenter’s”. Isto porque o estúdio não deu a Carpenter o total controlo criativo.

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