Zona Interdita (2010)

 

 

Título original – Monsters

 

Agora que já surgiu o primeiro trailer de “Godzilla”, eis uma boa desculpa para se revisitar o primeiro filme do seu realizador, Gareth Edwards.

Foi um dos grandes títulos do ano (é de 2010, mas só nos chegou em 2011), uma grande surpresa e uma total renovação à volta do tema das invasões alienígenas ao nosso planeta.

 

A Terra foi invadida por criaturas de outro planeta.

Seis anos passados, o planeta parece ter-se habituado a tal, mas os militares andam sempre numa atitude de shoot up the alien.

Um fotojornalista é incumbido de “escoltar” a (bela) filha de um importante empresário. O trajecto leva-os desde uma zona “contaminada” no México até a uma zona segura na fronteira USA-México.

Mais do que geográfico, o percurso vai ser à descoberta de cada um, das suas emoções e dos seus valores. O final reserva-lhes uma grande lição, dada pelos… “monstruosos” invasores.

“Before Sunrise” em plena “War of the Worlds”.

É uma boa forma de definir este belo “Monsters”.

Eis um dos mais originais e surpreendentes filmes do cinema recente.

Excelente fusão entre melodrama sentimental (um homem e uma mulher à descoberta do outro e dos sentimentos que os unem) e ficção científica (a Terra invadida por extra-terrestres).

Junta-se a pérolas recentes da sci-fi como “Moon”, “Source Code”, “The Adjustment Bureau” e “District 9” (com o qual partilha algumas ideias).

Brilhante estreia de Edwards.

Óptima gestão de meios (o filme parece mais caro do que é – custou menos de 1 milhão de Dólares), da narrativa (de forma simples, aborda questões muito complexas), excelente direcção de actores (Scoot McNairy e Whitney Able têm grande química e mostram carisma suficiente para se tornarem estrelas – Able é a menina mais adorável vista no cinema desde Meg Ryan), perfeita combinação de dois géneros aparentemente incompatíveis, sem esquecer o impacto visual (a cena final fica na memória e na história – cinema em estado puro, o poder da imagem como transmissor de emoções, mensagem, história e reflexão).

O argumento não deixa de ter a sua conotação política (os USA são o bombo da festa numa corrosiva crítica sobre o seu poder destrutivo sempre que entram em território estrangeiro) e reflectiva sobre o ser humano (a certo ponto interrogamo-nos sobre quem são os monstros a que o título se refere).

Como se fosse pouco, o filme espeta-nos com as duas mais inteligentes cenas de amor vistas nos últimos largos anos (spoilers – não há nudez).

Edwards revela-se um notável talento de quem se pode esperar grandes feitos. Já não víamos um tal “homem-orquestra” (Edwards trata de imensas funções) desde John Carpenter. Foi no seguimento deste título aclamado que Edwards começou a ser “seduzido” pelos grandes estúdios, para grandes produções – “Godzilla” foi logo a primeira “encomenda”.

“Monsters” foi, para mim, o melhor filme de 2011.

 

“Monsters” tem edição portuguesa e já anda a preço nada monstruoso ou interdito.

Realizador: Gareth Edwards

Argumentista: Gareth Edwards

Elenco: Scoot McNairy, Whitney Able

 

Site – http://www.monstersthemovie.com

 

Orçamento – 500.000 Dólares

Bilheteira – 4.24 milhões de Dólares (USA); 5.06 (mundial)

 

“Melhor Realizador”, nos British Independent Film 2010.

“Melhor Filme Internacional”, nos Saturn 2011.

“Top 10 do Ano – Independente”, pela National Board of Review 2010.

“Melhor Primeiro Filme”, pelos críticos de Austin 2010.

“Melhor Realizador Estreante”, pelos críticos de Londres 2011.

“Melhor Realizador”, no Festival de Puchon 2010.

“Melhor Filme Independente”, nos Scream 2011.

“Melhores Efeitos Visuais”, em Sitges 2010.

“Melhor Filme”, no Trieste Science+Fiction 2011.

Enquanto estudante da faculdade, Edwards fez uma curta-metragem sobre monstros alienígenas nos subúrbios, em 1996. Edwards pensou em expandir o filme e ideia, mas com a chegada de “War of the Worlds” (2005, de Steven Spielberg), Edwards considerou que a ideia poderia ser repetitiva.

Pensou em fazer o filme em estilo found footage, na onda de “The Blair Witch Project” (1999), mas ao ver “Cloverfield” (2008) cancelou o projecto.

A ideia surgiu a Edwards numas férias nas Maldivas, ao ver um pescador a pescar. Edwards imaginou o que aconteceria se surgisse uma criatura gigantesca com tentáculos.

O conceito inicial era três histórias que se cruzam – dois vagabundos e vaguear pelo país, um soldado na sua missão de combate aos alienígenas e uma pessoa em busca de outra.

Scoot McNairy foi escolhido devido à sua interpretação em “In Search of a Midnight Kiss”.

Whitney Able também participava nesse filme e quando Edwards soube que Scoot e Whitney eram um casal, pediu-lhe para a chamar também.

Whitney Able e Scoot McNairy eram um casal na vida real, na época.

Ia ser filmado no Cambodja ou na Tailândia. Ficou escolhido o México, mas com filmagens na Guatemale, Belize e Costa Rica.

Equipa de 7 pessoas – Edwards, Able, McNairy, o operador de som, o line producer, o production manager e um condutor.

Equipa, elenco e equipamento cabiam numa furgoneta.

Filmado com câmaras digitais.

Muitas das filmagens foram sem autorização local.

Muitos dos figurantes são pessoas dos locais onde se filmava.

Os actores recebiam indicações sobre o teor das cenas e faziam muita improvisação.

Muitos dos diálogos são improvisados.

Filmagens em três semanas.

Gareth Edwards é um homem-orquestra – realizador, argumentista, director de fotografia, operador de câmara, cenógrafo, editor e autor dos efeitos visuais.

Terminadas as filmagens havia 100 horas de footage.

Os efeitos visuais foram feitos com software da Adobe, ZBrush e Autodesk 3ds Max.

Edwards demorou 5 meses para os completar.

O design dos monstros inpira-se em curtáceos e cefalópodes.

Editado num computador portátil.

O primeiro cut era de 4 horas. Passou para 94 minutos.

Edwards passou 8 meses em montagem.

Edwards queria que o início e final se encontrassem. Os produtores recusaram.

 

O actor que interpreta o vendedor de bilhetes foi encontrado e chamado 10 minutos antes da filmagem da cena. O homem era dono de um café, onde elenco e equipa estavam.

A cena ao pé da fogueira, com os guerrilheiros, foi improvisada com pessoas locais (mexicanas), onde se falou sobre o muro divisor entre México e USA.

O filme foi um sucesso de público e crítica.

Teve sequela – “Monsters: Dark Continent”. Mas não teve a mesma recepção entusiástica que o original. Gareth Edwards e Scoot McNairy era os executive producers.

Em 2018 falou-se em série televisiva, com produção do Channel 4.

2 comments on “Zona Interdita (2010)

  1. António Casaca diz:

    Excelente crítica (ao contrário de outras que li), é sem dúvida um dos melhores sci-fi dos últimos muitos anos, a par de “district 9” e os dos dois “cloverfield”.

  2. hussardo diz:

    Muito obrigado, António.
    De facto, é mesmo um dos grandes e originais filmes (do género e não só) dos último (largos) tempos.
    Teve sequela, mas nada me disse.

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