Prisoners – Raptadas (2013)

Prisoners - Poster 3

Infelizmente, os actos de violência sobre crianças andam sempre na ordem do dia e são alvo de grande “espectáculo” nos telejornais.

O Cinema, como espelho da realidade e actualidade, não tem andado indiferente a estes temas. “Mystic River” e “Gone Baby Gone” são dois dos melhores exemplos do cinema recente.

A juntar-se a essa ilustra galeria está este intenso “Prisoners”.

 

Duas famílias reúnem-se para celebrarem o Dia de Acção de Graças. As duas petizas das famílias desaparecem sem rasto. Um possível suspeito é encontrado, mas tem de ser libertado por falta de provas. O pai de uma das crianças decide fazer a sua justiça. Os resultados vão ser devastadores para todos os envolvidos.

 

Perdoemos a tradução portuguesa. De facto há raptadas no filme (as duas meninas), mas tal título acaba por ser (falsamente) restrito, dentro do espaço narrativo. “Prisoners” (Prisioneiros/Prisioneiras) acaba por ser mais amplo e demonstra a complexidade da narrativa, dado que todos os personagens são (ou acabam por ser) prisioneiros de algo. De quê? Pois, that would be telling. A cada espectador a sua conclusão.

 

Estamos perante um intenso, doloroso, emocional e claustrofóbico (quer físico, quer psicológico) thriller dramático e de suspense.

Denis Villeneuve dirige num ritmo calmo e lento, gerindo bem a duração (o filme dura mais de 150 minutos, mas tal nem se sente) e assegurando permanentemente o interesse do espectador. Villeneuve mete “prego a fundo” na forma como nos leva ao desaparecimento e à captura/soltura do suspeito (tudo acontece em menos de meia hora). Isto porque o que lhe interessa é focar-se no desenrolar emocional dos envolvidos a partir do momento em que o suspeito é libertado e surge a impotência dos pais.

Ao acompanhar as “duas investigações”, Villeneuve leva o espectador à reflexão – pode o profissionalismo de um polícia (devoto ou descuidado, competente ou idiota) compreender, “rivalizar” ou ser compatível com a raiva, dor e ânsia de um pai (sendo discutível, ou não, o seu direito à justiça individual)?

Villeneuve leva-nos à intimidade daquelas famílias, aos seus dramas e angústias, conseguindo uma riqueza humana digna de relevo.

Destaque para o factor “reviravolta” ao longo de todo o filme e aos seus efeitos, quer na narrativa/investigação, quer na moral/consciência do espectador. A meio, surge uma que nos leva a fazer juízo sobre um personagem. Depois surge outra que suscita dúvidas mas apoia juízos prévios. A reviravolta final, que tudo “esclarece”, é que consegue gerar o ódio perante o culpado e a complacência do espectador face à justiça por conta própria. O problema é que, nesta fase, o argumentista opta por uma direcção “punidora” a um personagem, que faz com que o filme escorregue (ligeiramente) para o panfleto anti-vigilantismo (dir-se-ia que o filme foi uma “encomenda moralizante” do Ministério da Justiça para que o cidadão comum nunca se meta em questões a serem tratadas pela Polícia). Se até então “Prisoners” deixava as reflexões morais a cargo do espectador (o que aconteceu nos já referidos “Mystic River” e “Gone Baby Gone”), em certos momentos (felizmente, só para o final) parece querer direccionar o espectador para certos comportamentos “correctos”. Foi pena.

Felizmente que nada disso afecta a excelente prestação do óptimo elenco, sendo de destacar um impressionante Hugh Jackman (é sobre ele que cai o protagonismo e o peso emocional) e um sólido Jake Gyllenhaal.

 

Apesar do seu (pequeno, mas evitável) erro, “Prisoners” é um filme cheio de imensas virtudes, merecendo estar entre os melhores títulos de 2013.

(quanto mais não seja, pela capacidade de nos incomodar e fazer reflectir sobre uma série de questões pertinentes e incómodas do mundo de hoje)

 

Site – http://prisonersmovie.warnerbros.com/

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