World War Z – Guerra Mundial (2013)

World War Z - Poster 4

Terror zombie, com muita acção a nível mundial.

Uma misteriosa doença espalha-se pelo planeta e deixa os doentes como zombies. Um ex-operacional da ONU procura uma cura.

 

Estamos em tempos em que a televisão (leia-se, as series televisivas) é mais interessante que o cinema, e como tal exerce influência sobre a Sétima Arte.

É impossível vermos “WWZ” e não pensarmos na (excelente) série “The Walking Dead” (no final do ano regressa para a sua Season 4).

A série desenvolvida por Frank Darabont é uma parábola sobre os nossos dias e o terror vigente (basta substituir os zombies pelos efeitos da crise) e uma ilustração sobre a libertação do lado animalesco do ser humano na presença de anarquia e caos e na ausência de lei, ordem e liderança. Bem explícita no terror gore, a série não se inibe de notáveis trabalhos a nível de interpretação, sólidos personagens e forte emotividade, procurando a essência do ser humano num mundo desolado e em permanente ameaça de morte.

O filme de Forster é um (muito eficaz) guilty pleasure, um puro filme de género, com laivos de actioner. O approach tem os seus méritos (a forma como o problema ganha uma escala mundial, todas as nações unem esforços e nenhuma está a salvo) e não se inibe da sua componente humana e emocional (o protagonista nunca perde contacto com a família, procura uma cura para o mundo e dedica-se aos que encontra pelo seu caminho). Faltou um pouco mais de ambição na narrativa – acaba por ser apenas o contar das aventuras de um homem em arrebimbomalho permanente com mortos-vivos.

Brad Pitt está muito competente como herói, homem de família e salvador humanitário. Curioso o facto de o argumento esconder qual a verdadeira profissão do personagem.

O realizador Marc Forster confirma o que tinha mostrado em “Quantum of Solace”. A sua (total) incompetência para cenas de acção, onde confunde acção e movimento com confusão, graças a uma atabalhoada montagem que deixa o espectador perdido sobre o que se está a passar.

Sobra o muito bom trabalho a nível de efeitos visuais, que conseguem criar imagens de grande assombro (as panorâmicas aéreas com as invasões dos zombies são das imagens de desolação com maior impacto do cinema recente).

Por outro lado, é irritante o permanente tom de “politicamente correcto” na forma como Forster filma a violência (podia, e devia, ter aprendido algo, ou muito, com “The Walking Dead”).

“WWZ” nas mãos de John Carpenter e/ou George A. Romero (que, “por acaso” foi uma influência sobre Max Brooks e o livro em que o filme se baseia) seria um produto mais forte, “nojento”, explícito, duro, para menos público (“WWZ”, como está, é um blockbuster) e (muito) mais perturbante.

Fica um bom entretenimento, aqui e ali com o seu devido susto.

Final aberto a mais. Perante o sucesso do filme, a sequela já está em agenda e pretende-se uma trilogia.

 

Site – http://www.worldwarzmovie.com/

 

Os Muse assinam a banda sonora, com um bom trabalho.

Eis um tema

 

Sobre Max Brooks, o autor do livro

http://maxbrooks.com/

http://www.maxbrookszombieworld.com/

 

Sabe-se que um primeiro guião do prestigiado J. Michael Straczynski – homem experiente em televisão (“Babylon 5”, considerada como “´Casablanca` in Space”), cinema (escreveu “Changeling” para Clint Eastwood) e bd (escreveu brilhantes ciclos narrativos para Spider-Man e Doctor Strange) – era bastante denso e intenso. Mas o realizador Marc Forster só queria um simples actioner com zombies. Matthew Michael Carnahan (“Lions for Lambs”, “The Kingdom”, “State of Play”) foi convocado para simplificar o guião. Drew Goddard (“Cloverfield”) e Damon Lindlof (“Prometheus”) chegaram para criarem um terceiro acto que fosse satisfatório aos executivos do estúdio.

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