Shane Black

 

Shane Black - 2

“Iron Man 3” traz de volta um nome muito acarinhado num grupo de happy few nerds cinéfilos. Ele é Shane Black, nome importante da comédia, do cinema de acção e do policial, no final dos anos 80 e inícios dos 90, que chegou a ser o mais caro argumentista de Hollywood.

Parado há uns tempitos, ei-lo de volta em boa forma.

Bom motivo para se rever alguns dos seus mais relevantes títulos.

 

Predator – Predador (1987)

Predator - Poster 1

Black surge apenas como actor (mas por pouco tempo, pois é logo a primeira vítima do caçador galáctico).

 

Chegado em 1987 (um ano depois de “Aliens”), o Predator tornar-se-ia um dos extra-terrestres mais perigosos, carismáticos, entusiasmantes e alvo de largos fãs.

A publicidade avisava que “Nada como ele andou antes na Terra”, mas que “… Escolheu o homem errado para caçar”.

 

“Predator” inverte o conceito de “Aliens”. Sob a máscara de um filme de acção (um grupo de mercenários é chamado para uma missão de resgate, algures na América do Sul), junta-se a ficção científica (o grupo vê-se acossado por um extra-terrestre invisível) e o horror (todos são eliminados um a um, sendo-lhes removido o crânio, para uso como troféus de caça). Mais uma vez, todo o poder bélico e intenso treino não são suficientes, pelo que a confrontação final é um regresso ao primitivismo.

 

É uma perfeita combinação de todos estes géneros, dirigido com garra, sentido de ritmo, impacto (os ataques do Predator) e atmosfera (veja-se como a selva é sentida, dando-nos uma certa claustrofobia).

O filme tem hoje uma reavaliação da crítica, sendo visto (à semelhança de “Aliens”) como, para além dos méritos como filme do género, uma reflexão sobre os excessos do militarismo da década de 80.

Traz a consolidação de uma vedeta (Arnold Schwarzenegger – que iniciou o estrelato em “The Terminator”) e revelação de um notável realizador (John McTiernan – outro homem que, em conjunto com Cameron, iria renovar/revolucionar o cinema-espectáculo de Hollywood).

McTiernan causou sensação no cinema de acção (o fabuloso “Die Hard”, ainda a sua obra-prima e filme-matriz para tudo o que se fez no género desde então até à data), o thriller hi-tech (o fascinante “The Hunt for Red October” ainda é uma referência), a auto-paródia aos géneros que edificou (o magnífico e incompreendido “The Last Action Hero” e o mais complacente e não menos paródico “Die Hard with a Vengeance”), mas nunca deixando de procurar novas inovações (o seu último filme, esquecido, mas muito curioso “Basic”, no qual fez cinema de acção sob a forma de whodunit, mas que teve pouco apoio do público e da crítica).

McTiernan ainda está preso devido a um estranho caso. Esperemos que regresse à actividade e em boa forma.

 

Predator é um prodígio de design. A autoria é de Stan Winston (“The Terminator”, “Edward Scissorhands”), mas sabiam que muito do aspecto final se deve a ideias de James Cameron (grande amigo de Winston desde “The Terminator”)?

 

Aqui se dá o encontro entre Black e o produtor Joel Silver, uma parceria que seria de grande importância para os dois.

 

Atenção à fabulosa banda sonora de Alan Silvestri (“Back to the Future”) – épica, electrizante e assustadora.

 

Um clássico.

 

Trailer

 

O tema principal

 

A banda sonora na íntegra

 

Fan site – http://www.jokerdesigns.com/thehunted/

 

 

Lethal Weapon – Arma Mortífera (1987)

Lethal Weapon - Poster 1

Produção de Joel Silver. Argumento de Black.

 

O filme que (re)definiu as buddy-buddy movies (que já tinham sofrido uma (re)definição una anos antes com o referencial “48 HRS.”).

 

Dois polícias do mais oposto. Martin Riggs é jovem, branco, viúvo, violento a até suicida. Roger Murtaugh está à beira da reforma, é negro, casado e com uma família feliz, calmo e cumpridor de regras. Um estranho caso obriga-os a trabalharem juntos. O conflito é imediato, mas ambos devem vencer a hostilidade que os separa e fazerem uma imbatível equipa com as suas capacidades.

 

Richard Donner dirige com eficácia, sempre de prego a fundo, mas nunca ignora o lado humano do argumento. Riggs & Murtaugh desenvolvem uma progressiva estima e respeito, a família tem o seu peso em tal e toda a psicologia dos personagens é mobilizadora da acção.

 

Muito mérito está na (mais que perfeita) química entre Mel Gibson (que assim voltava a ganhar estatuto de star, algo que tinha perdido finda a saga “Mad Max” e uma série de flops nos USA) e Danny Glover.

 

O argumento inicial de Black visava ser um título one shot (Riggs & Murtaugh separavam-se no final, cada um no seu caminho, com Riggs a ter uma melhor perspectiva sobre a vida).

O estúdio viu potencial de saga e pediu uma alteração.

(como se viu, os resultados foram favoráveis)

 

Outro clássico.

 

Trailer

 

 

Lethal Weapon 2 – Arma Mortífera 2 (1989)

Lethal Weapon 2 - Poster 2

Mais uma produção de Joel Silver. Black fica com a história (ou parte dela).

 

Riggs & Murtaugh investigam um caso ligado com diplomatas da África do Sul. Pelo meio, ganham um novo compincha – Leo (um irresistível Joe Pesci).

 

A magia regressava. Donner sempre de prego a fundo, acção espectacular, muito humor, mas há um desenvolvimento permanente na amizade dos dois protagonistas.

Depois do negrume do primeiro filme (é um policial de acção, com toques de comédia, sobre um polícia que ser quer suicidar), este novo episódio já começa a carregar mais no humor, preparando a saga para os caminhos de burlesco que atingiria no terceiro e quarto capítulos (com os quais Black nada tem a ver).

 

Como autor do argumento-base, Black investe numa ideia assassina – matar a “galinha dos ovos de ouro”. Segundo a sua ideia inicial, Riggs morria no final. O estúdio rejeita tal e toca a mudar de argumento. Foi o que aconteceu, a saga continuou e muito dinheiro gerou. Black saiu de cena, algo chateado, mas o diálogo com Silver manter-se-ia e continuaria a dar filmes.

 

Trailer

 

 

The Monster Squad – Os Caça-Monstros (1987)

The Monster Squad - Poster 2

Uma das pérolas dos anos 80. O cinema teen ao seu melhor.

 

Black é co-argumentista.

 

Um grupo de miúdos cria um fan-club dedicado aos monstros mais famosos do cinema. E não é que a vizinhança começa a ser atacada pelo Drácula, o Lobisomem e a Múmia? Who are you gonna call? Os miúdos vão tratar do assunto.

 

Entre a cinefilia, o retrato infanto-juvenil da época, o terror, a comédia e a acção, um filme divertido, encantador e competente, devido ao fresco equilíbrio de tantos factores.

 

Dirige (e co-escreve) Fred Dekker (“House”, “Night of the Creeps”, “Robocop 3”), um nome-culto dos 80`s, muito estimado por alguns nerds (em breve venho aqui falar dele).

 

Uma pequena pérola.

 

Trailer

 

 

The Last Boy Scout – A Fúria do Último Escuteiro (1991)

The Last Boy Scout - Poster 1

Outra produção de Joel Silver.

 

Foi, à época, o mais caro guião de sempre (mais de Um Milhão de Dólares), o que fazia de Black o mais caro argumentista de Hollywood (depois seria superado por Joe Eszterhas devido a “Basic Instinct”, “Showgirls” e “Jade”, com valores entre os 2 e os 4 Milhões de Dólares).

 

Novamente o tom de buddy-buddy movie, sempre com pé pesado na acção e na comédia.

 

Um detective caído em desgraça deve investigar a morte de um colega (que era amante da mulher). Em parceria com uma ex-estrela do futebol, descobre todos os jogos corruptos, mafiosos, mortais e “poeirentos” do mundo do desporto.

 

Bruce Willis em grande, a mostrar que era um excelente action hero (como se tinha visto em “Die Hard”), mas também um actor capaz de uma composição mais complexa (como se veria mais tarde noutros títulos).

 

Tony Scott dirige com o seu habitual (e brilhante) sentido de estética e espectáculo.

 

Ao que parece, o argumento de Black era mais negro e rico que o produto final. Mas Scott vinha do flop que fora “Days of Thunder”, Silver & Willis (que estavam bem posicionados devidos aos blockbusters que foram “Die Hard” e “Die Hard 2”) tiveram no Verão desse ano um gigantesco flop com “Hudson Hawk” (não percam a oportunidade de redescobrir e revalorizar esta pérola, perfeito herdeiro do melhor do burlesco e non-sense clássicos), por isso não podiam arriscar muito. O “contrariar” a Black até compensou – o filme foi um sucesso.

 

Trailer

 

 

Last Action Hero – O Último Grande Herói (1993)

Last Action Hero - Poster 2

Black é um dos muitos argumentistas.

 

Arnold Schwarzenegger adorou este argumento, que parodiava o cinema de acção que Schwarzie tinha ajudado a implantar.

 

Um jovem, grande fã de uma estrela do cinema de acção, vê-se metido dentro de um filme protagonizado pelo seu ídolo. Muitas peripécias se dão. Mas tudo se complica quando ambos vêm para o mundo “real”.

 

John McTiernan volta a mostrar o seu brilhantismo visual para este tipo de cinema, mas todo o tom é de paródia e cinefilia.

Infelizmente os americanos não perceberam a piada. Menos mal que os europeus a compreenderam.

 

Um hino à euforia cinéfila do cinéfilo e à forma sentimental como estes vêm o Cinema.

E uma genial desconstrução do cinema de acção.

 

Trailer

 

 

The Long Kiss Goodnight – A Profissional (1996)

The Long Kiss Goodnight - Poster 2

Black é argumentista e este é um dos guiões mais caros de sempre (3 Milhões de Dólares).

 

Geena Davis interpreta uma mulher aparentemente normal. Até que um dia é alvo de umas acções assassinas, mas das quais se livra com grande destreza. Afinal a “dona-de-casa” é uma ex-assassina, altamente qualificada, mas que perdeu a memória. Há que recuperá-la e eliminar os que a querem matar.

 

Renny Harlin vinha dos sucessos de “Die Hard 2” e “Cliffhanger” e tinha-se consolidado como um dos profissionais mais competentes do género. Geena era a sua companheira na altura (um ano antes já tinham feito o muito entretido “Cutthroat Island”, simpática homenagem ao swashbuckler clássico).

Juntos fazem um imparável e eficaz action thriller.

 

Infelizmente, o filme foi um flop. O filme foi vítima das más-línguas que existiam em relação ao casal, mas também porque, na época, o público não estava preparado para ver um filme deste género protagonizado por uma mulher (que tinha sempre o papel de vítima, screaming lady ou lady in distress). Foi pena.

Hoje, o filme já não sofre/sofreria desse preconceito.

 

Ahh… e Geena kicks ass como os grande homens do género.

 

Trailer

 

 

Kiss Kiss Bang Bang (2005)

Kiss Kiss Bang Bang - Poster 2

Reencontro entre Silver e Black.

 

O primeiro filme de Black como realizador.

 

Um vigarista passa-se por actor. Um detective (gay) investiga um complicado caso. Os meandros sinuosos do caso reúne-os e a eles junta-se uma jovem, esbelta e intrépida actriz. As peripécias sucedem-se e as complicações idem.

 

Black praticamente criou as modernas buddy-buddy movies. Aqui volta a brincar com o tema e sai-se muitíssimo bem. Mas Black também brinca com os arquétipos do clássico film noir e com as novelas hard boiled, nomeadamente as de Raymond Chandler (o filme é dividido em capítulos e todos eles têm como títulos variantes de títulos de obras do criador de Philip Marlowe).

Tudo com elegante sentido de espectáculo, diversão, cinefilia e literofilia.

 

Os trabalhos de Robert Downey Jr. (ainda faltava muito para a fama e sucesso com “Iron Man”, “Sherlock Holmes” e “The Avengers”) e Val Kilmer (hilariantemente gay) são desconcertantes. Michelle Monaghan é uma revelação de beleza (vejam-na como Mãe Natal), talento e naturalidade.

 

Uma pérola a merecer (re)descoberta.

(foi exibido em Cannes 2005 onde recebeu uma ovação de pé)

 

Trailer

 

 

Shane Black – humor, respeito por personagens, espectáculo, diversão e cinefilia. Descubram-no. Vão gostar.

2 comments on “Shane Black

  1. […] Black (já aqui abordado) é um dos grandes argumentistas de Hollywood, conseguindo conciliar a qualidade narrativa […]

  2. […] o regresso do meu muito estimado Shane Black (já aqui […]

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