Walter Hill

Walter Hill - 1

“A Bullet to the Head” já está aí nas salas.

Para muito espectador, é apenas mais um actioner. Para uns happy few é o regresso de Sly.

Mas para muitos happy few, o filme marca o regresso de Walter Hill, nome importantíssimo do cinema contemporâneo.

Excelente razão para uma viagem à sua carreira, pois Hill é algo desconhecido por muita gente.

Hill surgiu nos 70s e ajudou a (re)definir o moderno “cinema de acção”, preso a uma estética entre o moderno (leia-se, os 70s) e o cinema clássico (do género).

Hill começou a sua carreira como assistente de realização (“The Thomas Crown Affair” – o original com Steve McQueen e Faye Dunaway -, “Bullitt” – também com McQueen – e “Take The Money and Run” de e com Woody Allen).

Depois passou para a escrita, onde assinou o muito interessante “Hickey & Boggs”. Foi o suficiente para captar as atenções e ser contratado para a adaptação de “The Getaway” (com Steve McQueen e Ali MacGraw; Hill assinaria também o argumento do remake com Alec Baldwin e Kim Basinger) que seria assinado por Sam Peckinpah (com quem boa parte do cinema de Hill teria notáveis paralelismos).

Hill continuou a mostrar os seus dotes com filmes muito interessantes como “The Thief Who Came to Diner” (simpática comédia em tom de heist-movie, com Ryan O`Neal, Jacqueline Bisset e Warren Oates), “The Mackintosh Man” (sinuoso thriller de John Huston, com Paul Newman, Dominique Sanda e James Mason) e “The Drowning Pool” (a segunda aventura cinematográfica de Lew Harper – Archer, nos livros de Ross MacDonald – com o rosto de Paul Newman).

Já com a sua carreira de realizador bem avançada, Hill escreveria o interessante “Blue City” (novamente a partir de Ross MacDonald).

Depois Hill passa para a realização (onde assinaria grande parte dos argumentos) e aí é que temos uma filmografia notável. 

HARD TIMES – O LUTADOR DA RUA

Hard Times - Poster 3

Auspiciosa estreia, num belíssimo filme que bem pode ser denominado como um romantic heroic actioner. Situado em plena Depressão, acompanhamos a luta pela sobrevivência de um indivíduo dotado para combates (todos ilegais) cuja arma são os punhos. Mas Hill carrega também num forte romantismo à volta da atitude do protagonista face aos seus objectivos e a uma “donzela” que o motiva.

Magníficos Charles Bronson (talvez a sua melhor interpretação) e James Coburn (com todo aquela carisma irónico que só ele sabia).

Hill bem manifestou vontade de voltar a trabalhar com Bronson, mas este não gostou do cepticismo de Hill face ao “talento” de Jill Ireland (a esposa de Bronson, que com ele participou em imensos filmes – quase sempre por vontade expressa de Bronson) e o reencontro nunca se deu, para desgosto de Hill.

Depois de ter visto este filme, John Wayne (de quem Hill é grande fã) convidou Hill para a realização de “The Shootist” (que seria o último filme do “The Duke” e com a realização entregue a Don Siegel). Hill bem queria, mas recusou depois de ler o guião. Hill não queria fazer um filme em que Wayne morresse – como fã, Hill não se sentiria bem.

Trailer – 

THE DRIVER – O PROFISSIONAL

The Driver - Poster 2

Outra pérola de Hill.

Novamente o heroísmo individual, romântico e ético.

Jogo de gato e rato entre um motorista para assaltos e um polícia disposto a tudo para o apanhar. Pelo meio, uma mulher que apenas quer a sua parte.

Um fabuloso neo noir, com laivos de western, com Hill a mostrar ser um excelente ilustrador do underworld urbano moderno.

Destaque para 2 fantásticas perseguições automobilísticas que ainda hoje são uma lição.

Óptimos Ryan O`Neal, Bruce Dern e uma belíssima Isabelle Adjani (na sua estreia USA).

Sabe-se que há um cut de mais de 2 horas que inclui mais eventos, mais personagens e até mais perseguições automobilísticas. Mas ninguém sabe que é feito desse cut. Talvez um dia…

Steve McQueen era a primeira escolha de Hill.

Sylvester Stallone recusou a personagem que ficaria entregue a Ryan O`Neal.

Trailer – 

THE WARRIORS – OS SELVAGENS DA NOITE

The Warriors - Poster 1

Mais uma pérola.

O grande (e definitivo) épico de Hill sobre o underwold urbano.

Acompanhamos a odisseia de um gang (não necessariamente hostil) na sua travessia por Nova Iorque, em fuga à polícia, acusados por um crime do qual são inocentes, e em colisão com outros gangs.

Novamente o heroísmo, agora colectivo, aliado ao romantismo de um outro estilo de vida.

Foi restaurado há uns anos e com direito a um Director`s Cut que tem momentos onde Hill filia o filme com o look de uma graphic novel. Houve quem gostasse, houve quem não. Uma obra única.

Há uns anos falou-se do projecto de um remake que seria assinado pelo falecido Tony Scott. Nada mais se sabe desses planos.

Trailer – 

THE LONG RIDERS – O BANDO DE JESSE JAMES

The Long Riders - Poster 1

Outro dos mais românticos filme de Hill.

O seu primeiro western (explícito – tal como John Carpenter, Hill também assina westerns disfarçados).

Outra pérola, pois claro.

Acompanhamos as aventuras de Jesse James, do seu irmão e do seu bando (os irmãos Younger, Ford e Miller), mas Hill interessa-se menos pela violência, os assaltos e a acção (e há bons momentos disso) e mais pelas motivações, as emoções do grupo, a sua interactividade e as relações sentimentais e familiares.

Belíssimo.

Grande elenco, composto pelos irmãos Carradine, Keach e Quaid.

Trailer – 

SOUTHERN COMFORT – ESTADO DE GUERRA

Southern Comfort - Poster 3

Este Sul nada tem de confortável (Southern Comfort é a marca de um licor feito na Louisiana, com bastante prestígio).

Hill aproveita para fazer uma parábola sobre o Vietnam (mas Hill sempre rejeitou esta intenção), os excessos do militarismo (a Era Reagan estava ao rubro), sendo também um trepidante survival movie (na linha do mítico “Deliverance”, não se inibindo da “sujidade” que o género tinha mostrado com “Last House in the Left” e “I Spit on Your Grave”).

Uma patrulha da Guarda Nacional anda pelos bayous em exercício (e com balas de pólvora seca) e gera a hostilidade dos locais. E inicia-se um jogo de guerrilha e sobrevivência.

Atmosfera inquietante, violência dura e directa, final ambíguo. Um grande filme.

Trailer – 

48 HRS. – 48 HORAS

48 HRS - Poster 1

Aqui está o filme que (re)definiu as regras do policial, do policial de acção, da comédia policial, do buddy-buddy movie.

Por 48 horas, um polícia e um ladrão devem colaborar. E o resultado é explosivo.

Hill filma com fúria, energia, grande sentido de ritmo e muito, muito humor.

Mas há também grandes méritos na química (perfeita) entre Nick Nolte e Eddie Murphy (a sua estreia cinematográfica) e na inteligência dos diálogos, verdadeiras sessões de metralhadora verbal e bem definidores de personalidade.

E atenção à electrizante banda sonora de James Horner.

Um clássico que seria tremendamente influente (a série “Miami Vice” e a saga “Lethal Weapon”).

Sylvester Stallone recusou a personagem que ficaria entregue a Nick Nolte.

Trailer – 

STREETS OF FIRE – ESTRADA DE FOGO

Streets of Fire - Poster 4

Com o tremendo sucesso do filme, Hill parte com ambição e esmero para um projecto pessoal.

O filme define-se como uma rock fantasy. É uma mescla de western e acção, com ares de futurismo e retro (parece que estamos nos 50s). História simples (uma cantora é raptada pelo gang local e o antigo namorado, durão pistoleiro, deve resgatá-la e limpar a cidade), mas o que conta é mesmo a forma como se conta o filme.

Impecável rigor visual, com grande sentido de espectáculo e punch.

Infelizmente, crítica e público desprezaram-no e Hill cancelou o projecto de trilogia que tinha.

Michael Paré cumpre minimamente, mas as atenções estão em Willem Dafoe (numa das sua primeira aparições e logo suscitou elogios como sendo o “novo Jack Palance) e numa linda e perfeita Diane Lane (e quem bem que ela canta).

Fabulosa banda sonora de Ry Cooder (yup, o de “Paris, Texas”).

A (re)descobrir com urgência pois bem merece receber o devido valor.

Trailer – 

Diane Lane a cantar o fabuloso “Nowhere Fast”

BREWSTER`S MILIONS – MILIONÁRIO À FORÇA

Brewster`s Millions - Poster 1

Perante o flop anterior, Hill recebe uma “encomenda”.

Os talentosos Richard Pryor e John Candy numa comédia sobre o dinheiro e a ganância.

Divertido.

Trailer – 

CROSSROADS – ENCRUZILHADA

Crossroads - Poster 1

Muito provavelmente o mais inesperado filme de Hill e, sem dúvida, o seu mais belo e sentimental.

Road-movie à volta da música e da afirmação do indivíduo.

Magníficos Ralph Macchio (o “Karate Kid”), Joe Seneca e Jamie Gertz (uma das grandes beldades dos 80s para teen cinema).

Mais uma fabulosa banda sonora de Ry Cooder.

Uma pérola a descobrir, pois o filme ficou muito anónimo.

Trailer – 

Um dos belos temas da banda Sonora

EXTREME PREJUDICE – A FRONTEIRA DO PERIGO

Extreme Prejudice - Poster 6

Mais um western, agora com ares de modernidade.

Fronteira Texas-México. Uma amizade dividida pela lei (um é xerife, o outro é traficante) e uma estranha conspiração que leva a um grupo de mercenários surgirem na cidade.

Hill nunca esqueceu o impacto que Peckinpah teve na sua carreira. Ao analisar-se a sua filmografia, qualquer cinéfilo percebe tal.

Mas este é a homenagem mais directa e explícita ao “poeta da violência”. É óbvio que o alvo é o emblemático “The Wild Bunch”, pela forma como Hill trata os elementos da quadrilha de mercenários e (acima de tudo) pelo (fantástico) tiroteio final (onde fica a homenagem ao tiroteio final do filme de Peckinpah, mas também a marca perfeccionista de Hill para este tipo de sequências).

Muito subestimado na época (só se falou na comparação), merece a devida (re)descoberta.

Trailer – 

RED HEAT – INFERNO VERMELHO

Red Heat - Poster 1

Com tantos (injustos) flops consecutivos, Hill procura uma receita de sucesso.

Porque não aquela que lhe deu notoriedade e que ele praticamente definiu?

Em plena euforia de Perestroika, Hill vai até Moscovo (foi o primeiro filme americano a ser autorizado filmar na Praça Vermelha) e traz um duro polícia russo em parceria com um destravado polícia de Chicago.

Era uma repetição de fórmula, mas ninguém se importou, Funcionava perfeitamente.

Arnold Schwarzenegger e James Belushi bem sintonizados e Hill em forma a fazer um policial de acção vigoroso, adulto, violento e à medida do seu talento.

Trailer – 

Schwarzie aprendeu russo.

JOHNNY HANDSOME – UM ROSTO SEM PASSADO

Johnny Handsome - Poster 3

Recuperado no box-office, Hill tenta regressar ao (anti-)heroísmo romântico do seu início de carreira.

Johhny é um crânio para elaborar golpes, mas desfigurado pela Natureza (um Elephant Man do mundo do crime). Traído pelos seus companheiros, procura a vingança. Mas a redenção pode também surgir e uma nova identidade. Um médico propõe-se a mudar-lhe o rosto (a partir de meio da metragem, Johnny ganha o rosto de Mickey Rourke) e uma nova vida. Tudo parece correr bem, mas o passado persegue-o.

Hill elabora um simpático crime noir intimista e sentimental, mas não esquece os seus dotes – o assalto inicial e o quarto de hora final (e a confrontação-tiroteio que tudo resolve) são puro e duro Hill.

Bom trabalho de Rourke, à frente de um fantástico elenco (Morgan Freeman, Forest Whitaker, Lance Henriksen, Ellen Barkin, Elizabeth McGovern).

A revisitar.

Al Pacino chegou a ser pensado como protagonista, mas nunca chegou a acordo com o guião final (Pacino considerou que daria apenas para um filme B).

Willem Dafoe também chegou a ser ponderado.

Trailer – 

ANOTHER 48 HRS. – 48 HORAS – PARTE II

Another 48 HRS - Poster 1

Com mais um flop, Hill regressa à fórmula, desta vez ao retomar o universo do filme que a criou.

Devido a uma estranha conspiração, Nolte e Murphy (agora com um ego de star absolutamente desmesurado) voltam a encontrar-se. E dá-se mais um festival de murros, pólvora e diálogos demolidores.

A fórmula funcionava, Nolte e Murphy continuavam a combinar bem e Hill filmava com a sua destreza habitual (veja-se o tiroteio final), mas parecia mostrar alguma perda de paixão.

Chegou-se a planear um terceiro filme, mas tudo ficou cancelado.

Trailer – 

TRESPASS – PREDADORES

Trespass - Poster 1

Com este filme, Hill regressou ao tom (glorioso) do seu início de carreira.

Produção low budget, elenco (praticamente) desconhecido (dois rappers populares – Ice T e Ice Cube – eram vilões), argumento minimalista.

Dois bombeiros procuram um tesouro numa zona que é governada por um violento gang local. Claro que a confrontação será brutal.

Para além da (excelente) atmosfera claustrofóbica e de permanente tensão (sentimos que a qualquer momento tudo vai rebentar), Hill elabora um “primo” de “The Treasure of Sierra Madre”, focando as consequências da ganância desmedida.

Argumento de Robert Zemeckis e Bob Gale.

Trailer –

GERONIMO

Geronimo - Poster 3

Com os sucessos (e Oscars) de “Dances With Wolves” e “Unforgiven”, o western voltou a ficar na agenda de Hollywood.

E quem melhor que Hill (e Carpenter, claro) para fazer um?

Aproveitando a visão mais humana (e não menos heróica e simpática) que foi dada aos índios com “The Last of the Mohicans” (e “Dances With Wolves”), Hill faz um sólido filme sobre o mítico líder apache.

Mais que um bom filme do género, é uma excelente abordagem sobre uma importante figura da história dos USA (e até da Humanidade) que gera o respeito e a curiosidade no espectador.

Hill chegou a ter um cut mais longo (com mais 12 minutos), que ele muito elogia, mas teve de fazer cortes por pressão do estúdio.

Trailer – 

WILD BILL

Wild Bill - Poster 1

Mais um western, mais uma abordagem a uma figura mítica da história do Oeste e dos USA (e até mesmo do western).

Baseado em descobertas recentes e investigações, Hill deixa de fora a dimensão heróica e cinematográfica que Bill Hickcok tinha ganho em Hollywood e aborda o homem.

Bill nem sempre é simpático e heróico, mas o filme é um notável título sobre tal figura, podendo-se ver também como uma parábola sobre o homem e a violência, os agentes da lei, a forma como certas pessoas ganham uma dimensão biger than life e a forma como tudo isso é gerido no ego.

Magnífico trabalho de Jeff Bridges.

Curiosamente, Lloyd Bridges (pai de Jeff) já tinha interpretado Hickock. Keith Carradine (um dos “The Long Riders”) interpretaria Hickcock num episódio da série “Deadwood” (série produzida por Hill) realizado por… HIll.

Trailer – 

LAST MAN STANDING – O ÚLTIMO A CAIR

Last Man Standing - Poster 2

(inicialmente intitulado como “GUNDOWN” e “WELCOME TO JERICHO”)

E mais um western, agora com laivos de country gangster noir.

Anos 30, uma povoação em terras do faroeste. Um desconhecido (mas com muito jeito, mortal mesmo, para armas) vê-se no meio de uma contenda entre dois bandos rivais.

A história é-vos familiar?

Sem dúvida. Mas a inspiração não é a de “A Fistfull of Dollars” de Sergio Leone (cheguei a ler que os seus herdeiros queriam mover uma acção em tribunal a Hill e aos produtores), mas sim “Yojimbo”, o clássico de Kurusawa (que serviu de inspiração ao clássico de Leone, que foi alvo de perseguição legal pelos responsáveis do filme japonês).

Mas tudo isto passa para segundo (ou nenhum) plano quando o filme se inicia.

Hill volta a puxar dos seus galões e dá-nos um violento, estilizado e cinéfilo filme.

Trailer – 

UNDISPUTED – SÓ UM SERÁ VENCEDOR

Undisputed - Poster 1

Este praticamente saiu para vídeo.

E bem poderia chamar-se “Hard Times on a Cage”.

Acção sobre combates organizados em prisões de alta segurança.

Mesmo em “piloto automático”, Hill sabe sempre dar garra aos seus filmes.

Este não é excepção, ainda que um título menor na sua carreira. Mas no meio de tanta porrada, também há lugar para a humildade, arrogância e o triunfo do espírito humano.

Já gerou duas sequelas (uma delas até esteve nas nossas salas há umas semanas).

Trailer – 

Pelo meio disto, Hill andou em actividade como produtor.

Com Gordon Carroll e David Giler, Hill é um dos produtores da saga “Alien” (chegou a estar ponderado para o primeiro filme) e “AVP – Alien vs. Predator”. O recente “Prometheus” (já com sequela prometida) também conta com o “patrocínio” de Hill.

Hill também “patrocinou” séries televisivas importantes como “Tales from the Crypt” e “Deadwood”.

A única “escorregadela” aconteceu com “SUPERNOVA”.

Supernova - Poster 1

Aguardado com grande expectativa (seria a estreia de Hill no campo da sci-fi e do terror, tendo em conta que era produtor da saga “Alien”), o filme revelou-se uma grande dor de cabeça.

Uma missão espacial resgata um misterioso jovem que se revela psicótico e uma ameaça para a tripulação e para o cosmos.

O primeiro cut de Hill não impressionou o estúdio. Queriam terror (à “Alien”) e Hill defendeu o seu trabalho (era um psycho thriller passado no espaço, que privilegiava a atmosfera em detrimento do explícito). Entra em cena Jack Sholder (autor do fabuloso “The Hidden”, um dos mais fascinantes filmes fantásticos dos 80s), capaz tarefeiro. Novas sequências são rodadas e a (re)montagem recebe a supervisão de Francis Ford Coppola (e há boatos que até tenha sido ele a rodar um novo cut).

No final, ninguém assume o resultado. Quando assim ocorria num filme, a assinatura era entregue a um tal Alan Smithee (nome fictício de alguém inexistente que era colocado no genérico quando ninguém queria os crédito da função, devido a produções muito complicadas em termos de produção e montagem). “Supernova” marca a estreia de Thomas Lee, um “realizador” com as mesmas funções de Smithee.

Hill (e os outros) têm razão em querer ficar de fora. O filme é um desastre visual, artístico e narrativo. Nem assusta, nem fascina, nem perturba, nem aborrece. Só permite a gargalhada, ainda que involuntária.

Hill chegou a ser ponderado como o realizador de “The Fugitive” (a adaptação da homónima série televisiva), numa altura em que o projecto andou à voltas entre Andy Garcia e Alec Baldwin.

Da (brilhante) filmografia de Walter Hill retira-se competência, coerência, fidelidade a um estilo e uma mise en scéne clássica. O seu cinema é duro, adulto, violento, focando sempre o profissionalismo e ética dos seus protagonistas, sua afirmação no mundo (frequentemente sem ética). A violência é um mundo e um meio, sendo sempre encenada de forma crua, seca e (num ou outro título) com elaborada coreografia. Os seus actores saem-se sempre bem, cumprindo de forma adequada ao tom do filme aquilo que lhes é exigido.

Este seu regresso à actividade já vai ter continuidade.

Hill vai assinar o remake de “Whatever Happened to Baby Jane”, um clássico de humor negro e suspense, assinado em 1962 por Robert Aldrich e que contou com o protagonismo de Bette Davis e Joan Crwaford (sabiam que ambas nem se podiam ver? e que quase havia estalada entre ambas sempre que se viam?). Ainda não há notícias sobre quais as actrizes para esta nova versão.

Walter Hill está de volta. Não percam a oportunidade de (re)descobrir a carreira e talento deste magnífico cineasta, um dos últimos clássicos (como ele, só mesmo Carpenter e Eastwood).

Alex Aranda

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s