Oz: O Grande Poderoso

Oz - Poster 1

“The Wizard of Oz” é de 1939 e nunca envelheceu (nem envelhecerá). É um clássico do musical, do fantástico, do Cinema.

“Oz – The Great and Powerful” é uma prequela, mas que funciona também como filme autónomo. 

Estamos no Kansas (where else?) em 1908. Oscar “Oz” Diggs é um simples mágico de feira, que aspira a algo mais. Um súbito tornado vai levá-lo à terra de Oz, onde se vai meter numa confrontação entre duas bruxas. A vitória requer mais do baratuchos truques de feira. Será que Oz tem o coração que aquele mundo precisa e merece? 

“Oz – The Great and Powerful” marca o regresso (yoohoo, finalmente) do grande e poderoso Sam Raimi.

Raimi ganhou prestígio entre os nerds do terror com a saga “The Evil Dead” (remake a caminho das salas, já este ano, com produção de Raimi). Mostrou a sua (hábil) gestão de poucos recursos para (muito) bons resultados com “Darkman”. “The Quick and the Dead” mostrou os seus dotes para o western e para a homenagem ao western spaghetti. “A Simple Plan” mostrou o seu lado mais negro, aos mostrar todo o mal da natureza humana. A (amazing) trilogia dedicada a “Spider-Man” deixou-o bem visto no mundo dos blockbusters, dos grandes estúdios e entre os fãs do “aranhiço”, pois este ficou bem honrado com a saga. “Drag Me to Hell” mostrou que o mestre não esqueceu como fazer bons e divertidos sustos.

Como produtor, tem andado pelo terror mais intenso (“The Grudge”, “Bogeyman”, “30 Days of Night”) e até pela televisão mais extrema (a brutalmente épica série “Spartacus” – termina este ano).

Em cinema, as coisas pareciam complicadas.

“Spider-Man 4” teve grandes problemas de pré-produção. Raimi saiu de cena e o projecto deu origem ao reboot com “The Amazing Spider-Man” (há dias, Raimi confessou numa entrevista que já o viu e gostou, sentindo-se tranquilo por ver o seu acarinhado Spidey em boas mãos e com futuro promissor).

Raimi também andou pensado para “The Hobbit”, mas nada avançou.

Felizmente apareceu “Oz”. Mas não se pense que Raimi usa o filme para passar o tempo e preencher curriculum.

“Oz” demonstra definitivamente (mas ainda havia dúvidas?) que Raimi é um magnífico contador de histórias, adapta-se perfeitamente a qualquer género (e orçamento), com um perfeito sentido de espectáculo (o uso do formato cinemascope – algo que Raimi já tinha usado, brilhantemente, em “Spider-Man 2” e “Spider-Man 3”), de cinema (o original genérico inicial, o fantástico plano-sequência de abertura, o uso a P&B e 4:3 no mundo “real” e a fenomenal transição para cores e 2.35:1) e, como se exige neste filme, de maravilhoso.

Tudo neste filme respira a magia e escapismo. Desde e lindíssima fotografia (com uma riquíssima e viva palette de cores), à deslumbrante cenografia (ai, como apetece ir passear para a Yellow Brick Road), o exuberante guarda-roupa e uns absolutamente perfeitos efeitos visuais (de Scott Stokdyk, responsável pela mesma função na trilogia “Spider-Man”).

Claro que Raimi tem concorrência no fantástico – Tim Burton e Peter Jackson. Mas Raimi não envereda pelo bizarro de Burton nem pelo negrume de Jackson, conseguindo até uma melhor gestão de ritmo e do tempo de metragem face ao autor de “The Hobbit”, seguindo apenas a directiva de fazer um entretenimento puro, mágico, inocente, encantador e espectacular.

Mas Raimi não esquece o seu passado. Temos aqueles movimentos de câmara rápidos, ágeis e vertiginosos, onde Raimi é mestre, mas nunca deixa o espectador perdido sobre o que se está a passar. E os nostálgicos do Raimi mais assustador, procurem na cena da Floresta Negra e na confrontação final, ecos de “The Evil Dead” (nomeadamente do terceiro episódio, “Army of Darkness”).

Consciente da relação entre o seu filme e o clássico de 1939, Raimi não se inibe de fazer a ponte entre os dois títulos, a personagens, eventos e aspectos visuais (de caracterização e cénicos).

Nota alta para a maravilhosa música de Danny Elfman.

James Franco está muito bem (e a confirmar tudo o que prometeu na trilogia “Spider-Man”) e as três beldades que o acompanham não destoam – Michelle Williams é um anjo, Rachel Weisz é excitantemente maléfica e Mila Kunis é de uma frágil e mágica inocência. E todas estão ainda mais lindas que aquilo a que nos habituaram.

Como estamos no universo Disney, é claro que surgem simpáticas e encantadoras criaturas no leque dos secundários – uma boneca de porcelana e um macaco voador, verdadeiros prodígios técnicos, mas também suscitadores de sorriso e comoção, verdadeiros pilares na evolução moral do protagonista.

Uma viagem ao que de melhor tem o Cinema em matéria de fantasia.

Num tempo de cepticismo e negrume, onde muito cinema tem vindo negativo, pessimista, triste e cínico, ainda bem que Mr. Raimi não esqueceu o poder do Cinema em nos fazer viajar a mundos maravilhosos e dar-nos (nem que seja por duas horas) a capacidade de sonhar e voar.

Quanto ao futuro, Raimi está empenhado em realizar “The Evil Dead 4” (já anda há muito tempo prometido), que deverá receber o título “Army of Darkness 2”. O remake de “The Evil Dead” já tem uma sequela em agenda. A Disney quer uma sequela para “Oz”, mas Raimi já confessou que fica de fora.

Trailer (de 2013)-

“The Wizard of Oz” chegou a ter uma sequela (também da Disney), em 1985, realizada por Walter Murch (habitual editor de Coppola), que merece (re)descoberta (apesar de, na época, ter sido um imenso flop de público e com alguma indiferença da crítica).

Trailer (de 1985)-

Site Oficial – http://disney.go.com/thewizard/

Alex Aranda

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