Keoma

Keoma - Poster 2

Aproveito a “boleia” dada por “Django Unchained” e revejo alguns dos (bons) títulos do western spaghetti. Desta vez “viajei” até “Keoma”, um título de 1976, assinado por Enzo G. Castellari (que “por acaso” já tinha visto o seu glorioso “Quel Maledetto Treno Blindato/Inglorious Bastards” revisto por Tarantino com “Inglourious Bastards”), protagonizado pelo lendário Franco Nero (que, “por acaso” é o protagonista de “Django”, que Tarantino “refez” com o seu “Django Unchained”).

Em 1976 o western spaghetti já acusava alguma fadiga e falta de interesse do público. Mas “Keoma” até é um dos mais bem conseguidos e atingiu um (merecido) estatuto de culto.

A narrativa pega em elementos tradicionais do género. O pistoleiro que regressa à cidade com contas a acertar, a cidade dominada por um ricalhaço (um sulista – a acção passa-se algum tempo depois da Guerra Civil Americana) que tudo controla à lei da bala e da violência (com o seu exército de ex-confederados), tendo como fundo um drama/tragédia familiar (Keoma é meio-índio, foi educado por um negro, tem uma relação conflituosa com o pai e recebe a hostilidade dos seus três meio-irmãos).

Claro que, como é habitual no western spaghetti, ninguém é recomendável, nem sequer Keoma. Mas, como também é regra, o “herói” é o mal necessário, pois os seus inimigos são ainda mais nocivos.

Franco Nero está impecável, com o seu habitual carisma e presença, dando a Keoma uma mortal frieza.

Castellari (realizador versátil, a merecer (re)descoberta, pois andou por tudo o que é género, tratando-os sempre com eficácia e bom sentido de entretenimento) assina com competência, criando um bom conjunto de set pieces (dois animados tiroteios, sendo o primeiro de grande espectáculo) e muita estilização (o uso da câmara lenta, com  alternância entre velocidade lenta e normal entre acção e reacção, a lembrar Peckinpah, o ambiente sujo entre o terror e o bizarro, o cinismo do humor e o grotesco da violência).

Um clássico do género a merecer (re)descoberta.

Como é óbvio, o título está inédito no nosso mercado.

Mas para compensar, existe o YouTube, a pirataria e a Amazon (a edição UK traz bons extras –Alex Cox faz uma análise ao filme e Enzo G. Castellari fala sobre o filme). 

CURIOSIDADES

Segundo as notas de produção, o argumento foi sendo desenvolvido ao longo das filmagens. Castellari não gostou do primeiro tratamento do guião. Problemas logísticos obrigaram a que as filmagens arrancassem sem um guião final definitivo. Este ia sendo actualizado por cada dia.

De todos os filmes que realizou, Castellari considera este como sendo o seu preferido.

Franco Nero usa uma (exuberante) peruca.

Keoma significa Liberdade.

Já agora, aqui fica o trailer do mencionado “Inglorious bastards” –

http://www.youtube.com/watch?v=4lBKgZCqBu8

Já tem uma boa edição UK (com uma entrevista conversa a Castellari e Tarantino) mas a edição USA é (bem) melhor (conta com documentários, entrevistas as muitos dos actores, comentários, entrevista a Castellari e Tarantino e um cd com a banda sonora).

O filme – http://www.youtube.com/watch?v=UJOsUJOJpys

(som em italiano)

Trailer – http://www.youtube.com/watch?v=fGNBytXK4R4

Filme – http://www.youtube.com/watch?v=0xO_ufexVi4

Alex Aranda

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