Psycho

Psycho - Poster 1Na semana passada chegava às salas “Hitchcock”, que focava as filmagens de “Psycho”.

Eis este clássico de volta, num gesto de agradecida cinefilia. Estreia hoje, em cópia digital e restaurada. 

Marion Crane é uma modesta secretária que não resiste à tentação de roubar 40.000 Dólares. No percurso de viagem até ao namorado, Marion para no “Bates Motel”. E tudo sofre uma assustadora reviravolta.

Hitchcock apostou muito, arriscou ainda mais e elevou a fasquia. O resultado é um filme transgressor e inovador.

Psycho - Image 2

Hitchcock renova o terror (este só surge depois de meio da metragem), altera as regras (a meio da metragem dá-se uma reviravolta com a protagonista) e cria um novo tipo de medo (nunca se sabe quem é o “mau” e este tem um rosto de uma enorme inocência). A música é um dos elementos terroríficos do filme. A fotografia ajuda no tom. Como sempre, Hitchcock inova sempre no seu modo de filmar e traz-nos uma das cenas mais emblemáticas, analisadas, fascinantes, imitadas e parodiadas de sempre (o assassinato no duche).

Como sempre em Hitchcock, a presença de muitos temas – o desejo, a culpa, a disfunção de personalidade, os complexos dignos do interesse de um psicanalista e o medo.

Belíssima Janet Leigh (e Hitchcock a fazer o gosto ao voyeurismo ao filmá-la, por duas vezes, em lingerie). Perfeito Anthony Perkins (na interpretação que definiria e “amaldiçoaria” a sua carreira). Sublime Vera Miles (uma das últimas Loiras Hitchcockianas).

O pai dos modernos psycho-killers, psycho-thrillersshockers e slashers.

Clássico total. Obra-prima absoluta. O Mestre no máximo das suas qualidades.

O regresso de um clássico para (re)ver eternamente.

Psycho - Image 1

Curiosidades:

Perante um orçamento de cerca de 800.000 Dólares, o filme arrecadou mais de 30 milhões de Dólares, logo no final da estreia USA. Ainda é o maior sucesso comercial da filmografia de Hitchcock.

Baseado num livro de Robert Bloch. Hitchcock comprou os direitos por 9.000 Dólares e todas as cópias existentes nos USA, para que ninguém conhecesse o final da história.

Hitchcock filmou a Preto-e-Branco, por razões financeiras (seria mais barato) e por razões estéticas (não queria que o filme ficasse demasiado gore, devido à visualização do sangue a cores). Foi o último P&B do Mestre e o seu primeiro filme de terror (o seguinte seria “Frenzy”, em terras britânicas, um dos seus melhores filmes). Também por questões financeiras e logísticas, Hitchcock usou a equipa técnica da série “Alfred Hitchcock Presents”, que era exibida a época. Foi filmado em 30 dias.

Hitchcock chegou a estar nomeado para “Melhor Realização”, nos Oscars 1961. Perdeu para Billy Wilder (“The Apartment”). Na verdade, Hitchcock nunca ganhou um Oscar.

“Melhor Filme”, nos Prémios Edgar Allan Poe 1961. “Melhor Actriz Secundária” (Janet Leigh), nos Globos de Ouro 1961.

Foi o último filme que Hitchcock fez para a Paramount. Contudo, durante a fase de produção, Hitchcock já se tinha mudado para a Universal (onde acabaria a sua carreira). A Paramount estava receosa com o projecto. Financiou com pouco e até retirou salário a Hitchcock, acordando apenas percentagens das receitas (o estúdio acreditava num flop). Com o sucesso imenso, a comissão de Hitchcock permitiu-lhe ganhar uma “pequena” fortuna. Foi o maior sucesso de bilheteira da carreira de Hitchcock.

Hitchcock usou lentes com distância focal de 50mm, permitindo um ângulo de visão/aproximação o mais próximo do tipo de visão do olho humano.

Para Hitchcock, “Psycho” é uma comédia (bem negra). Quando lhe perguntaram porquê, o Mestre respondeu que “tinha de ser”.

Para testar o efeito do aparecimento de um “cadáver”, Hitchcock fez Janet Leigh de “cobaia”. O resultado foi (como Hitchcock acreditava) “gritante”.

Walt Disney chegou a negar a Hitchcock o acesso à Disneyland, quando este quis ir lá filmar, anos depois. Disney acusava Hitchcock de ter feito um filme asqueroso chamado “Psycho”.

É o primeiro filme americano onde se vê o dar ao autoclismo numa sanita, algo que provocou grandes embaraços nos executivos dos estúdios e na Censura. Psycho - Image 4

QUEM AINDA NÃO VIU O FILME, SALTE ESTA PARTE

Muito se falou que Saul Bass (responsável pelos story-boards e pelo genérico) é que desenhou e filmou a cena do chuveiro. A equipa técnica nega.

A famosa cena do chuveiro dura cerca de 45 segundos, conta com 78 planos e foi filmada em 7 dias. É uma das cenas mais estudadas nas escolas de cinema. Hitchcock queria a cena com um mínimo de som (os gritos da vítima e o som da faca a cravar-se na carne), mas mudou de opinião ao ouvir a música que Bernard Herrman compôs para tal momento e o efeito que dava à cena. Hitchcock gostou de tal maneira da música de Herrman, que lhe duplicou o salário. Segundo Hitchcock, “Psycho” deve 33% do seu efeito à música.

Ao ver a dita cena, Janet Leigh deu conta do quanto vulnerável é o acto do duche. Passou a tomar banho de imersão.

Ao contrário do que diz um “mito urbano”, sobre a cena do chuveiro, a água não estava fria (para ajudar aos gritos de Janet Leigh). Leigh sempre disse que toda a equipa foi muito atenciosa com ela e que a água estava sempre a uma temperatura confortável.

O som correspondente ao da faca a penetrar na carne (humana) é de uma a furar um melão. O sangue era feito a partir de xarope de chocolate.

Surgiu o rumor que se via um pouco dos seios de Janet Leigh na cena do duche. Nada de mais falso. Tal cena foi revista frame by frame por Hitchcock e os editores e nada foi encontrado.

Para a cena do chuveiro, Janet Leigh usava peças adesivas para tapar as partes íntimas. Mas a água quente fez com que muitas se soltassem e deixassem Janet “au naturel”. Hitchcock ainda fez mais um take depois de tal e parte dele está na montagem final. Há quem se tenha dado ao trabalho de ver a cena, frame by frame, e com retoques digitais a nível de nitidez e luminosidade, tenha conseguido ver algumas private parts.

Uma body double foi usada na cena do chuveiro. Era Marli Renfro, que foi capa da Playboy em Setembro de 1960, ainda em plena estreia de “Psycho”. Curiosamente, a foto da capa mostrava Marli num… chuveiro.

Peritos em oftalmologia disseram a Hitchcock que Janet Leigh tinha as pupilas contraídas quando simulava estar morta. Na realidade, quando alguém morre, as pupilas dilatam. Recomendaram a Hitchcock o uso de gotas de belladonna. Hitchcock recorreria a este truque em filmes posteriores.

Hitchcock recebeu uma carta de um pai indignado pelo facto da filha nunca mais ter tomado banho após ter visto “Psycho”. Hitchcock sugeriu ao senhor que a levasse às lavagens a seco.

Janet Leigh sobre a cena do chuveiro –

http://www.youtube.com/watch?v=82vOLLMeOuQ

Psycho - Image 3

———  E PRONTO, TERMINARAM OS SPOILERS ——–

O livro de Robert Bloch inspira-se nos crimes de Ed Gein, um assassino que matou várias mulheres em 1957, conservava-lhes as cabeças, fazia artefactos com a pele delas e mantinha limpinho o quarto da falecida mãe. Gein inspirou também o personagem de Leatherface (o assassino da moto-serra na saga “The Texas Chainsaw Massacre”, que tinha uma máscara feita da pele humana de muitas das suas vítimas) e Buffalo Bill (o psycho-killer de “Silence of the Lambs” que matava mulheres e retirava-lhes a pele).

“Psycho” originou 3 sequelas – “Psycho II” (assinado por Richard Franklin, que foi grande estudioso de Hitchcock, chegou a conhecê-lo e a ter amizade com ele), “Psycho III” (realizado pelo próprio Anthony Perkins) e “Psycho IV – The Beginning”. Não são isentos de interesse (principalmente o “II”). “Psycho IV” é um telefilme (e uma prequela, que foca a infância de Norman – Henry Thomas, o menino de “E.T.” dá-lhe rosto).

Considerações sobre as sequelas:

http://www.feoamante.com/Movies/Psycho/psycho_art.html

http://www.peacheschrist.com/?p=5128

Trailer de “Psycho II” – http://www.youtube.com/watch?v=AM7mtFP6d7o

Trailer de “Psycho III” – http://www.youtube.com/watch?v=Gva8w9DV-Jc

Trailer de “Psycho IV” – http://www.youtube.com/watch?v=DbotJWP9zZc

Prestes a estrear (Março de 2013) na televisão americana está a série “Bates Motel”, onde se focará a juventude de Norman, a sua relação com a mãe e as suas primeiras psicoses. De momento, estão agendados 10 episódios. O jovem e talentoso Freddie Highmore (“Charlie and the Chocolate Factory”) é Norman e Vera Farmiga (“The Departed”) é a mãe.

Eis um promissor poster e teaser:

http://www.tvprime.pt/2013/02/novo-poster-e-teaser-trailer-da-serie-bates-motel-baseada-no-filme-psycho-de-alfred-hitchcock/

Algo mais sobre a série.

http://screenrant.com/ae-psycho-prequel-series-bates-motel-yman-185349/

O site oficial – http://www.aetv.com/bates-motel/

O livro “Psycho” – http://mgpfeff.home.sprynet.com/bio-01.html

Sobre Robert Bloch – http://www.goodreads.com/author/show/12540.Robert_Bloch

Sobre Ed Gein (o assassino que inspirou o livro) – http://oserialkiller.com.br/ed-gein/

Citações de Robert Bloch –

http://www.goodreads.com/author/quotes/12540.Robert_Bloch

Marli Renfro (a body double de Janet Leigh) – http://tookuspookus.wordpress.com/tag/marli-renfro/

A cover de Marli – http://www.whosdatedwho.com/tpx_192662/marli-renfro/magazinecovers

 

Alex Aranda

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